abril 19, 2006

O que falta?

Imagine-se gestor num importante banco. Um dia, o administrador chama-o ao gabinete e dirige-se-lhe neste tom: "Benevides, você é esforçado, minucioso e quase não tem vida pessoal por causa do seu trabalho..."

Você comenta, num sussuro, com os seus botões: "Lá vem promoção. Já não era sem tempo!"

-Mas, Benevides - continua o Chefe - onde estão os resultados? Esta Casa vive de números, tenha paciência, amanhã vai para o balcão atender clientes. Já tenho uma solução para o seu lugar.

Eficácia é a palavra-chave. Não há profissional, seja ele treinador de futebol, atleta de alta competição, gestor, educador, governante, o que quer que seja, que subsista à falta de eficácia. Os resultados avaliarão o desempenho. RESULTADOS!

Portugal tem visto desfilar pelas "passerellles" de São Bento, nos últimos 33 anos, uns quantos Homens-Bons e bastantes esforçados funcionários (claro que também existe uma legião de "tropa fandanga" mais preocupada com o nó da gravata, o corte do fato, ou o currículo do que com a pasta que lhes coube em sorte. Aceitam, alegremente, o "sacrifício", em nome da Pátria. Por cada um que hesita há cem dispostos a avançar. Mas não falo agora destes).

Infelizmente (ou talvez não), Portugal não é um banco e possui, no grupo dos esforçados funcionários, demasiados "benevides" em lugares-chave da administração pública e em lugares do governo. Alguns deles até possuem as outras virtudes fundamentais: empenho, rigor, capacidade de sofrimento.

Falham na eficácia porque não estão preparados. Invariavelmente, a perna mais importante de uma mesa de três pernas é... a que está em falta.

As universidades de Coimbra, Évora, Fernando Pessoa, Lusófona e do Algarve ofereceram-se, voluntariamente, para serem alvo de avaliação internacional. Louve-se o gesto. Os seus responsáveis sabem que é urgente mandar todos os "benevides" para o balcão!

Publicado por ACarvalho em abril 19, 2006 07:21 PM
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