Há dias, encontrei-me com um grupo de amigos, num almoço a que faço questão de sempre comparecer, mau grado a distância.
Invariavelmente, surpreendemo-nos com o tempo que medeia entre acontecimentos antigos e recentes. Já faz nove anos que iniciámos, eu, o Júlio e o Zé Alberto, um complemento de formação no ESEAG. Olhando distraidamente para trás, dir-se-ia que apenas um, no máximo dois, com alguma boa vontade... três anos se passaram. Que é feito dos outros?
A resposta é simples: perderam-se, diluíram-se, esfumaram-se devido à proverbial incapacidade dos adultos para cativar o tempo, bebendo cada segundo. Um caso típico de dissipação sistemática do bem mais tragicamente perecível que possuímos. E se não formos capazes de ultrapassar as peias que nos impedem de voar por sobre o prazo de validade dos nossos restos, então o caso é duplamente trágico, como apontou, judiciosamente, Kierkegaard.
Nesta, como noutras matérias, são as crianças que possuem o segredo, a magia que agarra o tempo e o segura, como um brinquedo que dura a eternidade dos primeiros anos.
No dia em que damos por nós a filosofar sobre a brevidade da vida, da sua fugacidade sem remissão... olhamo-nos ao espelho e descobrimos que estamos velhos.
Não é forçoso que seja assim. Possuímos a capacidade de viver 300 anos por vida. Basta não desistir de ser criança. Consegui-lo, é dispensar Kierkegaard e os desesperos que agita.