abril 10, 2006

O tempo que conta

Há dias, encontrei-me com um grupo de amigos, num almoço a que faço questão de sempre comparecer, mau grado a distância.

Invariavelmente, surpreendemo-nos com o tempo que medeia entre acontecimentos antigos e recentes. Já faz nove anos que iniciámos, eu, o Júlio e o Zé Alberto, um complemento de formação no ESEAG. Olhando distraidamente para trás, dir-se-ia que apenas um, no máximo dois, com alguma boa vontade... três anos se passaram. Que é feito dos outros?

A resposta é simples: perderam-se, diluíram-se, esfumaram-se devido à proverbial incapacidade dos adultos para cativar o tempo, bebendo cada segundo. Um caso típico de dissipação sistemática do bem mais tragicamente perecível que possuímos. E se não formos capazes de ultrapassar as peias que nos impedem de voar por sobre o prazo de validade dos nossos restos, então o caso é duplamente trágico, como apontou, judiciosamente, Kierkegaard.

Nesta, como noutras matérias, são as crianças que possuem o segredo, a magia que agarra o tempo e o segura, como um brinquedo que dura a eternidade dos primeiros anos.

No dia em que damos por nós a filosofar sobre a brevidade da vida, da sua fugacidade sem remissão... olhamo-nos ao espelho e descobrimos que estamos velhos.

Não é forçoso que seja assim. Possuímos a capacidade de viver 300 anos por vida. Basta não desistir de ser criança. Consegui-lo, é dispensar Kierkegaard e os desesperos que agita.

Publicado por ACarvalho em abril 10, 2006 01:29 PM
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