fevereiro 15, 2006

A importância de ser... Oscar Wilde

Fez ontem anos que se estreou a peça "A Importância de Ser Ernesto". Foi em 1895. Para comemorar, a RTP passará, hoje, não sei se a versão filme ou a peça propriamente dita. Em qualquer dos casos, recomenda-se fortemente.

Mas também se celebra a importância de ter (sido) existido... Oscar Wilde. Enquanto autor, genial. Enquanto homem... simplesmente diferente.
Aqui fica (pela coragem, pelo frentismo) a declaração que fez depois de ter sido julgado e condenado por homossexualidade:

"O amor que não ousa dizer o nome é, neste século, a grande afeição de um homem mais velho por um homem mais jovem como aquela que houve entre Davi e Jonatas, é aquele amor que Platão tornou a base de sua filosofia, é o amor que você pode achar nos sonetos de Michelangelo e Shakespeare. É aquela afeição profunda, espiritual que é tão pura quanto perfeita. Ele dita e preenche grandes obras de arte como as de Shakespeare e Michelangelo, e aquelas minhas duas cartas, tal como são*. Esse amor é mal entendido nesse século, tão mal entendido que pode ser descrito como o `Amor que não ousa dizer o nome' e por causa disso estou onde estou agora. Ele é bonito, é bom, é a mais nobre forma de afeição. Não há nada que não seja natural nele. Ele é intelectual e repetidamente existe entre um homem mais velho e um homem mais novo, quando o mais velho tem o intelecto e o mais jovem tem toda a alegria, a esperança e o brilho da vida à sua frente. Que as coisas deveriam ser assim o mundo não entende. O mundo zomba desse amor e às vezes expõe alguém ao ridículo por causa dele."

*Oscar Wilde terá escrito duas cartas comprometedoras ao jovem lorde Alfred Douglas.

Quanta coragem bem medida será precisa para, no final do séc. XIX, ter escrito estas palavras?!

Publicado por ACarvalho em fevereiro 15, 2006 02:33 PM
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