Fez ontem anos que se estreou a peça "A Importância de Ser Ernesto". Foi em 1895. Para comemorar, a RTP passará, hoje, não sei se a versão filme ou a peça propriamente dita. Em qualquer dos casos, recomenda-se fortemente.
Mas também se celebra a importância de ter (sido) existido... Oscar Wilde. Enquanto autor, genial. Enquanto homem... simplesmente diferente.
Aqui fica (pela coragem, pelo frentismo) a declaração que fez depois de ter sido julgado e condenado por homossexualidade:
"O amor que não ousa dizer o nome é, neste século, a grande afeição de um homem mais velho por um homem mais jovem como aquela que houve entre Davi e Jonatas, é aquele amor que Platão tornou a base de sua filosofia, é o amor que você pode achar nos sonetos de Michelangelo e Shakespeare. É aquela afeição profunda, espiritual que é tão pura quanto perfeita. Ele dita e preenche grandes obras de arte como as de Shakespeare e Michelangelo, e aquelas minhas duas cartas, tal como são*. Esse amor é mal entendido nesse século, tão mal entendido que pode ser descrito como o `Amor que não ousa dizer o nome' e por causa disso estou onde estou agora. Ele é bonito, é bom, é a mais nobre forma de afeição. Não há nada que não seja natural nele. Ele é intelectual e repetidamente existe entre um homem mais velho e um homem mais novo, quando o mais velho tem o intelecto e o mais jovem tem toda a alegria, a esperança e o brilho da vida à sua frente. Que as coisas deveriam ser assim o mundo não entende. O mundo zomba desse amor e às vezes expõe alguém ao ridículo por causa dele."
*Oscar Wilde terá escrito duas cartas comprometedoras ao jovem lorde Alfred Douglas.
Quanta coragem bem medida será precisa para, no final do séc. XIX, ter escrito estas palavras?!