fevereiro 14, 2006

Não é sempre a mesma água?

Todos estudámos, logo nos primeiros anos, o ciclo da água, a dita andava num corropio, de cima para baixo, debaixo para cima, era sempre a mesma água, descontada a que se infiltrava e fazia crescer os lençóis do precioso líquido, no subsolo, até encontrar uma fraqueza, por entre as rochas e reaparecer, fresca e cristalina, numa nascente qualquer.

O governo português ordenou às empresas que passem a reter menores verbas de IRS aos trabalhadores. O motivo? Reduzir, mais tarde, as devoluções aos contribuintes.

O dinheiro não é sempre o mesmo? É. Até parece que o governo revela o receio manifestado por aqueles gastadores compulsivos a quem o dinheiro queima nas mãos, "não me confiem a massa, eu não respondo por mim, tirem-ma da frente, só me atrapalha as contas". Mas isso não é com certeza, a tesouraria das finanças públicas nunca se fez rogada quando em causa estão milhões. A diferença entre a devolução pelo Estado e a retenção do dinheiro no seu habitat natural, que é o bolso do contribuinte, só pode beneficiar este último.

E é aqui que fico desconfiado. O governo permite que milhões de contos passem a residir (provisoriamente, que as contas não estão feitas) não nos seus cofres, mas nas contas do "Zé". Faz-me confusão. Será uma questão psicológica, dado que receber é melhor que devolver? E eu volto a perguntar: o dinheiro não é sempre o mesmo? Ou será que se está a preparar uma "estrangeirinha" qualquer e, como no ciclo da água, uma parte do vil metal acabar a engrossar os lençóis de liquidez de um Estado nunca (por nunca ser) sensível às dificuldades dos contribuintes? Tem de ser qualquer coisa do género porque do Estado, leite, só o de pombo.

Que podemos esperar, num caso desses? Que,à semelhança do precioso líquido, também a colecta rompa numa nascente qualquer? A verdade é que não estamos habituados a rasgos de generosidade e os dinheiros públicos provocam comportamentos esquizofrénicos: ficamos sempre a falar sozinhos, que do dinheiro, só uma lembrança difusa.

Publicado por ACarvalho em fevereiro 14, 2006 11:25 AM
Comentários

Esta medida tem uma vantagem, que é da reduzir o "empréstimo forçado" que o IRS realiza todos os anos. Desta forma reduz-se um pouco o montante desse valor e deixasse nas maãos dos contribuintes um pouco mais do dinheiro que de qualquer forma regressava mais tarde.

Penso que é uma medida positiva que reforça a justiça fiscal e que incentiva um pouco (pouquíssimo...) o consumo dos privados.

Desconfiou como voçê de tudo o que vem do Governo (especialmente depois de tantos maus governos), mas não vejo aqui nenhum ponto a criticar.

Afixado por: Rui Martins em fevereiro 14, 2006 12:37 PM

Pois é isso que me faz desconfiar!

Afixado por: ACarvalho em fevereiro 14, 2006 09:41 PM

eu queria sambe o que e agua

Afixado por: josi em agosto 29, 2008 10:13 PM
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