fevereiro 13, 2006

Ponderando o imponderável

Notícia de ontem dá conta de que os EUA ponderam atacar o Irão. Tenho quase a certeza que, ao longo da (curta) história da revolução religiosa na terra dos Persas, estes tenham também já ponderado atacar os EUA. Apesar de navegarmos numa espécie de Mar da Imponderabilidade, dos sentimentos não nos livramos facilmente. Um ataque iraniano, só no domínio dos sonhos. Portanto, o que é previsível é um ataque americano. Por estar mais fortemente armado? Também, mas não só.

É especialmente por, nos últimos 50 anos, a América ter orientado a sua política externa por marcadores de maior agressividade. Um ataque americano a qualquer país soberano é hoje de uma vulgaridade bocejante. Nos últimos 5 anos, atacou o Afeganistão, o Iraque e ameaça a Coreia do Norte e o Irão.

Este apetite pela guerra não tem a ver com democracia, liberdade e outras desculpas do género; o 11 de Setembro foi o pretexto que Bush precisava para executar a sua política dilecta: vergar quem possua recursos vitais ou se atravesse no caminho que a eles dá acesso. Dir-me-ão que se trata de uma aceitável retaliação pelos ataques sofridos, mas...

O que eu pergunto é por que razão a maior potência do mundo é também a mais odiada. Por ser paladina da democracia, da liberdade, da verdade? Estamos no domínio da opinião subjectiva. Impedir um país de construir uma arma que ela própria já possui: Trata-se de um episódio na interminável luta pela paz? O tratado de não proliferação nuclear impede a construção de armas atómicas? Então por que razão os EUA não desactivam as suas? Atacar um país para lhe mudar o regime: é lutar pela liberdade ou intromissão abusiva? O que diz o direito internacional?

Publicado por ACarvalho em fevereiro 13, 2006 01:59 PM
Comentários
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?