fevereiro 10, 2006

Outras cotas...

Já aqui falei sobre a cota de música portuguesa obrigatória na rádio nacional a que a nova lei obriga. Mais importante do que a cota é zelar para que ela seja cumprida, vivemos em Portugal, é bom não esquecer, as leis aqui são para cumprir mais ou menos: são uma referência, um indicador que pode ser violado, com uma certa margem de tolerância e no caso da música ela é simplesmente ignorada. Vem isto a propósito de uma música estrangeira que ouvi, hoje da manhã, na Cidade FM. Era tão básica, tão chã que se fosse cantada em português toda a gente a rotularia de pimba e seria proscrita pelas estações de referência intelectualóide, musicalmente falando: RFM, Antena 3, RCP e outras. Acho pimba pôr rótulos de pimba, julgo até que se trata de um costume profundamente... pimba. Descartar Marco Paulo ou Toni Carreira com base em pressupostos preconceituosos é uma coisa que me faz confusão, sobretudo por ver depois esses esquisitos portadores de esgatanhada sensibilidade aceitar cantores estrangeiros que ficam a perder na comparação.

Estou a lembrar-me de uma canção de Eamon que é paradigmática do espírito "é em inglês tem de ser bom" mas que, realmente, traduzida para português daria algo que até Quim Barreiros rejeitaria. Nela, aparece a palavra "fuck" escrita 20 vezes e encontramos 18 linhas de "oh oh, uh huh yeah". Aqui vai a tradução do refrão logo seguida pela versão original, em inglês:

Que se foda o que eu disse, não significa merda nenhuma,
que se fodam os presentes, vou deitá-los fora,
que se fodam os beijos, não me disseram nada,
fode-te tu também, não te quero de volta.

(notável arrincanço poético!)

Whoa oh oh
Ooh hooh
No No No

[Verse 1:]
See, I dont know why I liked you so much
I gave you all, of my trust
I told you, I loved you, now thats all down the drain
Ya put me through pain, I wanna let u know how I feel

[Chorus:]
Fuck what I said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses, they didn't mean jack
Fuck you, you hoe, I dont want you back

Fuck what I said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses they didn't mean jack
Fuck you, you hoe, I dont want you back

[Verse 2:]
You thought, you could
Keep this shit from me, yeah
Ya burnt bitch, I heard the story
Ya played me, ya even gave him head
Now ya askin for me back
Ya just another act, look elsewhere
Cuz ya done with me

Fuck what I said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses they didn't mean jack
Fuck you, you hoe, I dont want you back

Fuck what I said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses they didn't mean jack
Fuck you, you hoe, I dont want you back

Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah

Ya questioned, did I care
You could ask anyone, I even said
Ya were my great one
Now its, over, but I do admit I'm sad.
It hurts real bad, I cant sweat that, cuz I loved a hoe

Fuck what I said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses they didn't mean jack
Fuck you, you hoe, I dont want you back

Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah

Que tal? Percebem o que quero dizer?

Publicado por ACarvalho em fevereiro 10, 2006 02:06 PM
Comentários

Não concordo nada consigo. NO seu raciocínio a música portuguesa má tem a virtude de ser portuguesa. Mas é má da mesma forma, assim como a em inglÊs.
Em segundo lugar filtrar a qualidade é um terreno perigoso: "não passamos esta música por não ter qualidade" jamais teria critérios objectivos de bom e de mau e reflecte o gosto de quem escolhe a playlist da rádio. E o gosto é livre, por enquanto.
Finalmente, por piores implicações que isto tenha ao nível da qualidade das emissões e da música que é passada, se existem emissoras de rádio é porque existem ouvintes e porque há patrocinadores que sabem que aqueles existem. Logo, quem faz a selecção das músicas tem esta restrição de audiência.
Que me diga que deva existir uma rádio pública que tenha como uma das suas missões a divulgação do que se faz por cá, isso é outra cantiga. Mas fixar quotas, acho um tremendo disparate e exagero.

Afixado por: Miguel em fevereiro 10, 2006 09:09 PM

As cotas existem há muito e agora foram incrementadas. Valha a verdade que nunca foram cumpridas.
O que eu acho, sinceramente, é que são as estações de rádio que têm moldado o gosto do público a tudo o que é canção estrangeira. E, como sabe, muita coisa que é passada até à exaustão não tem qualidade. Por outro lado, tem razão quanto à parcela da música portuguesa sem qualidade. A questão é que a de qualidade também é pouco passada. Em Espanha, depois de um escrupuloso programa de cotas, nos anos 70, os espanhóis habituaram-se à sua música. Aqui, não temos possibilidade de nos habituarmos à nossa, mesmo que queiramos.

Afixado por: ACarvalho em fevereiro 10, 2006 09:20 PM
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