Depois dos transgénicos, suspeitos de várias mazelas e desvios, na área da saúde, há até quem preveja, para mais tarde, o aparecimento de humanos mutantes, eis que agora temos os transnacionais mutantes, espécies de pessoas meio portuguesas, meio espanholas, paridas pelas mães mas também pela imaginação delirantemente criadora de cabeças (bem) pensantes de responsáveis hospitalares do distrito de Portalegre.
De que estamos a falar? Da possibilidade de os elvenses(?) e portalegrenses(?) passarem a nascer em Badajoz. Portugueses nascidos em Espanha sempre houve, um final de gravidez mal calculado, ou filhos de emigrantes, enfim, excepções que não retiraram aos portugueses a portugalidade, isso nunca constituíu um acrescento ao pecado original, embora seja desconfortável. Mas uma coisa são as excepções, outra coisa é a regra.
Pois os senhores encaram a possibilidade de as mulheres portuguesas daquela comprida faixa do Alentejo oriental que se estende desde a extrema do distrito de Castelo Branco até ao limite superior do distrito de Évora, virem a ter os filhos em Badajoz. No dizer de um dos responsáveis, só temos a ganhar(?!), senão vejamos:
- Poderia encerrar-se a maternidade de Elvas, com todas as vantagens(!!) atinentes;
- As mulheres e os filhos beneficiariam de um serviço de melhor qualidade(?);
E adianta (imagino-o impante) "não se tira nada à população sem lhes dar algo em troca e a hipótese Badajoz é favorável à mulher portuguesa."
Um "lapsus linguae", talvez: para este responsável, é preferível ir parir a Badajoz que melhorar a qualidade das maternidades portuguesas. E, destas palavras, ainda se retira mais: não há remissão para a maternidade de Elvas, com os seus insignificantes 200 partos anuais.
E é aqui que acerta na "mouche": a produção é curta, na linha de montagem elvense. Por isso, vai-se fazer à maternidade da cidade o mesmo que se tem feito às esquadras e escolas, por esse País fora. Racionaliza-se a rede, isto é, fecha-se a loja. Em tempo de globalização por que não convidar os espanhóis a abrir uma maternidade em Elvas? Com os chorudos benefícios fiscais que o generoso Estado português costuma oferecer, eles viriam a correr. Se viessem a encerrar devido a uma pequena carteira de encomendas, sempre poderíamos aproveitar as instalações.
Publicado por ACarvalho em fevereiro 9, 2006 04:18 PM