janeiro 24, 2006

Crise institucional? Constitucional, isso sim!

Faz hoje dois dias que Cavaco ganhou as eleições. Segundo alguns analistas, faltam apenas cinco meses e vinte e oito dias (no máximo) para ser desencadeada uma crise institucional. Não acredito. Nesta relação, não se queimarão etapas e entre cortejo, sedução e núpcias, decorrerão sempre mais de seis meses. Já para não falar de que os primeiros mandatos são sempre mais para o «soft». A haver crise, ela terá uma tónica menos institucional e mais constitucional. Cavaco Silva depressa constatará não ter vida para poltrona. Mais cedo ou mais tarde, há-de enfastiar-se de inaugurações e dos discursos da ordem, no Natal, no Ano Novo e nas datas a que a formalidade obrigue (Vinte e cinco de Abril, Dez de Junho e Cinco de Outubro). Não me esqueci do Primeiro de Maio, foi de propósito. Depois, confrontado com a degradação social e económica, há-de dizer com os seus botões «tenho de agir, deveria agir, mas estou enredado pelas teias de uma Constituição castradora». Como não é homem que se limite a um encolher de ombros, até lhe há-de faltar o ar. Então, sim, nessa altura, desencantará a sua botija de oxigénio numa revisão da Constituição. Se houver fricções institucionais, elas apenas consubstanciarão uma consequência marginal, um resíduo, um ruído de inércia. Porquê? Porque, na verdade, esbracejando todos com água pelo nariz, ninguém se importará muito de levar com a bóia na cabeça.

Publicado por ACarvalho em janeiro 24, 2006 03:17 PM
Comentários

nunca mais escreva isso.

Afixado por: marta em maio 22, 2009 01:01 PM
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