Na celebração desta efeméride, recordemos a grande poetisa Soror Violante do Céu, que imortalizou a vitória em dois sonetos.
As tropas portuguesas foram comandadas pelo General André de Ribafria que pertencia a um dos ramos da família Albuquerque, a que também pertenceu Afonso de Albuquerque.
Apesar da vitória das tropas portuguesas, o general morreu durante a refrega. A vitória (por um lado) e a sua morte (por outro) transformaram o general num dos portugueses de maior fama, no séc. XVII.
A poetisa barroca Soror Violante do Céu, nascida durante a governação filipina, imortalizou a gesta do guerreiro de Ribafria, num soneto (que não fui capaz de encontrar nas minhas buscas). Tocada pela exaltação, escreveu também um soneto dedicado a D. João IV:
A el-rei D. João IV
Que logras Portugal? Um rei perfeito.
Quem o constituiu? Sacra piedade.
Que alcançaste com ele? A liberdade.
Que liberdade tens? Ser-lhe sujeito.
Que tens na sujeição? Honra e proveito.
Que é o novo rei? Quase deidade.
Que ostenta nas acções? Felicidade.
E que tem de feliz? Ser por Deus feito.
Que eras antes dele? Um labirinto.
Que te julgas agora? Um firmamento.
Temes alguém? Não temo a mesma Parca.
Sentes alguma pena? Uma só sinto.
Qual é? Não ser um mundo, ou não ser cento
Para ser mais capaz de tal Monarca.
Mas, para que se tenha uma ideia mais cabal da qualidade poética de Soror Violante, leiam este monumento:
Vilhancico à Magdanela [1]
Mote:
Que pode ser, se não é,
Madalena, pois, assim
Brilha senão Serafim.
Sol, Estrela, Rosa ou quê?
Madalena a quem amor
De tal sorte faz arder
Que tem deixado de ser,
Quem era antes deste ardor.
Se não é Sol, nem é flor
Se nela já se não vê
Nada de humana (porque
de humana já degenera),
Deixando de ser quem era,
Que pode ser se não é?
Eu digo que é tanto já
Depois que deixou de ser.
Que é Serafim, pois no arder
Igual com eles está:
E que com razão terá
O lugar de Serafim:
Que, se eles ardem sem fim
No fogo do amor Divino.
Arde também de contino
Madalena, pois, assim.
Pelo que chega a ser tanto
Que, absorta na luz mais pura,
É no ardor e formosura
Serafim que causa espanto.
Os que prodigio tão santo
Admirados, vêm assim
Chamam-lhe Rosa e Jasmim;
Outros Sol, que está brilhando,
mas nada parece, quando
Brilha, senão Serafim.
Com tudo que é Sol, e Estrela
Rosa e Jasmim dizem todos,
Porque por diversos modos
É unicamente bela.
Serafins, que vedes nela
Tudo o que o Mundo não vê,
Para que aplauda o que é
Com a voz e com a pena,
Dizei-me se é, Madalena.
Sol, Estrela, Rosa ou quê?
Um cesto de rosas em vosso regaço deponho, Soror Violante do Céu.
Afixado por: José Chitas em janeiro 18, 2006 11:44 PM