Na sequência dos comentários do Rui Martins e do Moura Serra ao post que intitulei "Extinguimos ou fundimos?" aqui republico o texto de Setembro:
Ser funcionário público, hoje, encerra uma boa e uma má notícia:
A boa notícia: Ninguém te chateia;
A má notícia: Toda a gente te chateia.
Isto é, os teus chefes não têm poder suficiente para te moer o juizo mas (vox populi) consta que a desorganização generalizada até dá para, como direi, "sornares" um pouco. E isso incomoda-te, és um tipo certinho, até vais cumprindo, as pessoas são injustas, o Mundo é injusto.
Hoje, numa rua de Évora (não digo qual), passei junto à janela de uma repartição pública (também não digo). Deu para ver quatro funcionários e nenhum utente (se havia algum, não coube no meu campo de visão). Três deles falavam animadamente, de pé, junto a uma secretária. O quarto trabalhava.
O grande problema do funcionalismo gira, hoje, em torno de duas grandes questões:
A gestão dos recursos humanos;
A produtividade;
A primeira condiciona, claramente, a segunda. Se numa repartição de 4 funcionários não há trabalho para todos, a produtividade de um é a dividir por quatro. Mas se uma repartição tem funcionários a menos, o serviço acumula-se, atrasa-se, muitas vezes pára, e a produtividade volta a ressentir-se, aqui, com a agravante de atrasar a vida de muitos utentes que dependem do serviço.
Esta pescadinha de rabo na boca tem origem na (má) gestão dos activos humanos, quer no tocante ao desequilíbrio de necessidades de serviços diferentes; quer no que toca à distribuição de tarefas, no mesmo serviço.
Vamos a organizar-nos. Vivemos num país que se diz moderno. E não queremos ser república das bananas (não temos produção suficiente).