As intervenções de Sócrates na campanha de Soares são um disparate e é evidente o seu constrangimento. Consciente do erro, ensaia um ar voluntarioso e decidido mas o embaraço é indisfarçável. Só um homem tolhido por não se sabe que peias pode forçar-se a si mesmo (eu ia a escrever «violentar-se», tão claro é o desconforto) a embarcar na aventura Soares minada, à partida, pelo germe do fracasso. Que diabo, estamos a falar do Primeiro-ministro, de alguém a quem se exige o esforço de conviver com o nome que lhe couber na rifa. E, nesta corrida, o cavalo em que aposta não passa de uma pileca sem fôlego (passe a expressão, não quis ofender mas não resisti ao apelo da imagem, foi a que me veio à cabeça). É verdade que, como em todas as apostas fortes, corre sempre o risco (baixíssimo) de ganhar e, nessa eventualidade, sairia desta contenda com ganhos pessoais e políticos elevados. Mas e se (como tudo indica) vier a perder? Quem o põe a salvo de toda a espécie de acusações e insinuações internas e externas, no caso de (muito) prováveis conflitos institucionais com o novo PR, sobretudo se for Cavaco Silva? Não é a atitude de um homem de Estado, esta de Sócrates e está a pôr-se mesmo a jeito no caso de tudo correr o pior possível (do ponto de vista dele, evidentemente). Veremos se não tenho razão.
Publicado por ACarvalho em janeiro 16, 2006 02:15 PM