Fiquei curioso sobre a personalidade de Agustina, depois de a ter ouvido dizer de Manuel Alegre que se trata do "maior dos poetas assim-assim".
A escritora concedeu uma entrevista ao site da Sociedade Portuguesa de Autores. Dela, respigo, com a devida vénia, alguns apontamentos, que talvez ilustrem aspectos interessantes da sua personalidade:
Autores - Dizem que a Agustina é velhaca. Lá no seu fundo, há qualidades?
Agustina Bessa-Luís - Quando me perguntam qual é a minha maior qualidade eu digo que é a paciência...
A - Foi o seu feitio que a levou a dizer que o Manuel Alegre é o melhor dos poetas medíocres?
ABL - Isso foi uma brincadeira. Mas está a citar mal. Eu teria dito que Manuel Alegre é o melhor dos poetas assim-assim. Aos escritores perdoam-se as coisas menos perdoáveis, eu acho que as minhas opiniões não matam ninguém.
...
...vou dizer uma coisa chocante: a sociedade esclavagista era mais afectuosa do que a nossa, os escravos eram mais bem tratados do que os cidadãos de hoje. Neste momentos assistimos a aspectos mais subtis de escravidão. A Comunicação Social mete-nos todos os dias em casa provas do que estou a dizer.
A - Vamos falar da Literatura Portuguesa...
ABL - A Literatura Portuguesa já desapareceu. É verdade que são publicados muitos livros mas que ninguém tenha a ilusão de que a literatura é feita por uma multidão. Do nosso passado literário retenho dois ou três nomes.
A - Só?
ABL - Aponto como figuras tutelares Bernardim Ribeiro e depois dou um grande salto para Camilo Castelo Branco. Esses são grandes em qualquer parte.
A - Camilo vivia muito fechado no seu Portugal provinciano, como pode ser um escritor universal?
ABL - Ainda bem que refere isso. Eu defendo que os grandes escritores e os grandes governantes têm de ser provincianos. Dou o exemplo de Flaubert.
...
A - E a exclusão, o racismo, o desemprego?
ABL - As pessoas que participam nos conflitos em França, por exemplo, vivem em bairros melhores do que os das nossas cidades e são mais bem tratados que os portugueses em Portugal. Portanto, os conflitos dizem respeito aos afectos de toda uma sociedade.
A - Se fosse ministra da Cultura, qual era a sua primeira opção?
ABL - Demitia-me.
A - Fale a sério...
ABL - Instituía de imediato um prémio para os analfabetos. Agora estamos a fazer analfabetos com uma rapidez estonteante. Mal aprendem qualquer coisa vão logo para a internet e nunca mais lêem um livro ou escrevem uma carta aos amigos.
A - O Poder não a fascina?
ABL - Tenho um grande fascínio pela tirania, gostava de ser Catarina da Rússia. O que ela fez só se podia fazer com aquela força, com aquela firmeza. Uma tirania poética...
A - E Salazar?
ABL - Esse não era tirano. Só se apercebeu do poder que tinha quando contactou com os grandes líderes europeus, durante a II Guerra Mundial. Aí sentiu-se superior a eles e deixou de ser o administrador que foi até então. E era um bom administrador...
A - Está a desculpar a ditadura?
ABL - Portugal é um país pequeno, não tem espaço para uma ditadura. O regime de Salazar era autoritário. Até certo ponto teve pessoas notáveis à volta dele, mas depois essas pessoas debandaram e ele cercou-se de medíocres. Mas isso é assim em todos os regimes. Ditador era o Mussolini. O regime de Salazar era autoritário.
A - Recentemente, defendeu que Maria, a mãe de Jesus, era uma mulher rica. Estava a fazer ficção?
ABL - Eu cheguei a essa conclusão depois de ler os Evangelhos Apócrifos e depois de investigações que fiz em Israel. Como católica também fiquei surpeendida. Quando em França me pediram para falar nisso, eu disse que era uma escritora do meio provinciano português, do Porto, era melhor passarmos à frente.
ABL - ...Não há dúvidas de que o orçamento castiga muito quem trabalha.
A - Está a plagiar Jerónimo de Sousa?
ABL - Não, mas as esquerdas são muito importantes, quanto mais não seja para fazerem soar o alarme. Não tenho problema em subscrever o que Jerónimo de Sousa diz do Orçamento de Estado.
Pode ser que seja malvada mas está cheia de viço. Esta mulher ainda não envelheceu. Leiam-na. Eu vou fazer o mesmo. Perdoamos-lhe o desengraçado comentário sobre o Alegre se, no mínimo, for da mesma estatura literária. Apenas (e só) nessa condição.