janeiro 11, 2006

efeito dominó

Existe um efeito dominó no estardalhaço com que se esboroa a sociedade portuguesa e as suas estruturas. Dele faz parte a comunicação social sempre sedenta de atenção, de preferência à custa de medos atávicos, muitos dos quais sempre povoaram os nossos piores pesadelos. De entre todos, o receio de que o nosso défice de identidade se traduza pela perda da soberania. Pior que um português-português só um português-"outra coisa qualquer".

Nos últimos dias, as televisões e os jornais têm dado livre curso à imaginação, coçando as nossas feridas e temperando-as com vinagre, destacando notícias e afirmações que, a consubstanciarem uma realidade próxima, nos mandarão rezar missa por alma, a nós, à Nação. Vejamos, e só pela rama:

- Carlos Monteiro, Procurador-Geral adjunto, afirma, no Expresso, "a Justiça já cega, ficou surda, muda, paralítica e moribunda" adiantando que ela, a justiça é "um equívoco e um desastre".

- Ainda na mesma edição do Expresso, Vítor Veloso, médico, alerta para um mais que previsível "fim do IPO" e declara que "a saúde, em Portugal, continua doente".

- Há dois dias, Teixeira dos Santos, lança o aviso da previsível falência da Segurança Social.

- Hoje, o Correio da Manhã noticia que a PJ vai parar por falta de dinheiro.

Nós à rasca, e eles a prepararem o terreno para futuras ocorrências e decisões. A verdade, essa, esperemos que não seja como o azeite que encontramos por aí, depurado à custa de sulfuretos e benzinas. Se não fosse ridículo, daria graça. Diagnosticam-se os males mas parecem esperar apenas que o céu nos caia na cabeça (na nossa, bem entendido). Enquanto isso não acontece, vão encerrando serviços, vendendo participações e património, fazendo privatizações, vendendo anéis. Em época de saldos, estamos em saldo.

Todos assustam e se assustam. Os agentes económicos, vendo o casco da nau a ceder, apanham os últimos botes e rumam ao oriente.

Até eu vou, não vender, antes encerrar a minha participação no
"EGRÉGIOS AVÓS, INFAMES NETOS"
e vou abrir uma fábrica de loiça das Caldas no Bangladesh.

Um abraço a todos! Até um dia. SATYAMEVA JAYATE!

Publicado por ACarvalho em janeiro 11, 2006 03:48 PM
Comentários

Cuidado com a gripe das aves no bangladesh! Morre-se mais com a gripe humana que com a gripe das aves. Talvez um pouquito de luuça das caldas tivesse aqui efeitos benéficos sobre a comunicação social?
Parabéns pelo blog, vou linká-lo

Afixado por: aissetie em janeiro 12, 2006 10:55 AM

Não me parece que se safasse a fabricar louça das Caldas no Bangla... A malta de lá é um tanto puritana e o mais provável é que acabasse linchado num qualquer pogrom hindu...

Bem aja pelo regresso à postagem!

Afixado por: Rui Martins em janeiro 13, 2006 12:26 AM
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