dezembro 18, 2005

Esta chamada pode estar sob escuta

O New York Times, em editorial de hoje, com o título epigrafado, tece considerações interessantes sobre as escutas telefónicas, depois de ter sido tornado público que, em nome da segurança interna, o Presidente Bush pôs, secretamente, sob escuta, um incontável número de cidadãos americanos. Para o articulista, tratou-se de uma violação da lei.

Numa altura em que o nosso PGR divulgou números sobre as escutas em Portugal, apontando para cerca de 8.000 portugueses alvo da técnica "soneca" de investigação, este editorial chama a atenção para uma questão importante: Onde acaba a liberdade individual e começa a segurança do Estado? Quem decide escutar o quê e quem?

Uma coisa todos sabemos: enquanto houver decisões unilaterais de escuta rodeadas do secretismo que sonega o conhecimento da operação a quem de direito há, em concomitância, atropelo à liberdade. É uma escuta pirata. Acabar com a opacidade legal é a exigência dos cidadãos, os principais interessados. Enquanto não houver um debate público sério e esclarecedor, não há maneira de se encontrar uma saída. Uma saída que passe pela clareza, pela legalidade e por uma regulação apertada dos mecanismos utilizados. Uma base legal sólida nao deixa margem para interpretações dúbias.

O sistema não pode, contudo, ser tão aberto que, no limite, permita ao investigado ter conhecimento antecipado da operação que se prepara. Aí funcionará o equilíbrio e a sensatez do legislador. A matéria é sensível, delicada, mas não pode deixar-se que situações como as relatadas na América possam ocorrer. Ou que se abuse do processo, como parece ser o caso português.

Publicado por ACarvalho em dezembro 18, 2005 04:56 PM
Comentários

No caso português é algo de menos grave, porque se deve a erros e abusos de interpretação de um quadro legal existente. No caso americano o caso é infinitamente mais grave... Porque o próprio Bush assinou ordens para escutas sem qualquer fundamento legal! Isto é um abuso bastante para justiticar um Impeshment... Mas com o partido democrático como está...

Afixado por: Rui Martins em dezembro 19, 2005 12:22 PM

É verdade, estamos a falar de situações de gravidade diferente: num caso, o comportamento subversivo do Presidente de um Estado; do outro comportamentos meio abusivos meio "facilitistas" de outro Estado. Os cidadãos portugueses escutados agradecerão a diferença? Não me parece que lhes possa servir de consolo.

Afixado por: ACarvalho em dezembro 20, 2005 06:40 PM

http://www.petitiononline.com/WarCrime/petition.html

Afixado por: cris em dezembro 22, 2005 01:22 AM
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