No debate de ontem, Soares aparentava claro desgaste. Cansaço? Incómodo por se tratar de Manuel Alegre? Não usou de vivacidade. Talvez o seu antónimo, se é que existe. Ainda por cima, debitou alguns lugares comuns, usou um discurso pouco criativo, uns chavões pouco convincentes, enfim, uma falta de entusiasmo que não tem nada dele. Se a forma física ceder, vai ser duro, estamos ainda longe das eleições e aquela insistência recorrente na experiência não representa um bom sinal, não por culpa da importância da experiência, um valor seguro, mas por não ter intuído a, mais que previsível (e potencialmente determinante) resposta de Alegre, encerrando uma ideia arrasadora: Se apenas a experiência colhe crédito, como pode cada um de nós dela beber? Em nome desse duvidoso princípio (muitas vezes utilizado para justificar escolhas corporativas), há por aí muito boa gente sem trabalho, muito escritor sem editora, e toda uma elite qualificada a percorrer a via sacra do biscate desqualificado ou labutando em POCs, estágios e serviço voluntário. E, pelos vistos, muitos jovens políticos "encalhados". Alegre não lhas "cantou" todas, o directo tem destas coisas, mas um contra-ataque bem delineado teria decidido, logo ali, o resultado do debate.
Publicado por ACarvalho em dezembro 15, 2005 04:43 PM