
Foi o próprio Procurador Geral da República que o disse. Em Portugal, neste momento, há "apenas" 8000 pessoas sob escuta, no âmbito de investigações várias. VOCÊ, EU, ou outra qualquer boa e desprevenida alma, podemos estar incluídos nesse número.
Na Praia Lusitana, escuta-se. No seu ZAPPING (Expresso de sábado), Pedro da Anunciação insinua, claramente, a necessidade de investigar mais e escutar menos. Investigar dá trabalho, a escuta é a investigação "soneca", uma espécie de pesca à linha pouco refinada: ao recurso repetitivo do isco, responde o suspeito com a astúcia do peixe velho, cheira mas não "come".
De tão estafada, a táctica da escuta vai dar origem a uma nova linguagem telefónica, feita de parábolas e outras imagens, no meio de uns quantos monossílabos.
- Então, vamos à "pesca"?
- Sim, já tenho as "canas".
- Arranjas o "barco"?
- Ya, um "bote" à maneira!
- O que fazemos depois de levantar massa no Multibanco?
- Vamos à gasolina.
Esta proto-linguagem, profusamente decorada de alegorias, eufemismos, prosopopeias e metonímias, faria corar, de inveja, os mais retóricos políticos da nossa praça e abrir a boca, de espanto, ao próprio Vieira, mestre da oratória. Estou com Anunciação: Acabem com a devassa da vida das pessoas e façam o bom, velho e prosaico trabalho de sapa, pai de todos os êxitos. Suem a camisola.
Publicado por ACarvalho em dezembro 13, 2005 05:31 PM