Depois de ter feito tábua rasa de uma amizade de muitos anos com Salgado Zenha, vem agora elogiar o velho "amigo". Por ser amigo? Por respeito à sua memória? Não, evidentemente. Mário Soares joga xadrez com os sentimentos e as pessoas, utiliza memórias e nomes de acordo com a estratégia que giza.
O que pretende então, ao evocar Zenha? Apenas atacar Manuel Alegre, por não ter deixado de exercer funções na AR.
Ao fazê-lo, incorre num duplo pecado: faz, de enjôo, revirar Zenha, no túmulo; e catapulta a "amizade" com Alegre ao patamar de "não retorno" que, isto de afectos, não é coisa com que o poeta negoceie.
Hoje, é fácil perceber a amargura de Salgado Zenha. Amanhã, estaremos (todos) em posição de entender a desilusão de Manuel Alegre.
Publicado por ACarvalho em dezembro 5, 2005 07:21 PMBem observado! Tinha-me escapado essa subtileza do discurso da raposa velha... Esperto como sempre... Confesso que a sua ligeireza e manha me estão a espantar, até parece que tem vinte anos, o velho raposão... Mas Soares gosta de evocar Zenha por outra zão... Zenha e Alegre vieram ambos do PS, e ambos a dado momento surgiram como opositores ao candidato oficial do Partido. Soares bateu Zenha e agora gostaria de reeditar a façanha. Veremos se consegue...
Afixado por: Rui Martins em dezembro 5, 2005 08:39 PMSerá preciso um enorme Alegre para bater Soares. Mas é possível.
Afixado por: ACarvalho em dezembro 5, 2005 11:58 PM