novembro 29, 2005

Contenção ou pesporrência, cada um toma a que quer

Na sua rubrica do Expresso, José António Saraiva escreve que o eleitor está farto da agitação demagógica, de picaretas falantes e da pesporrência incontinente. Claro que está. Mesmo porque a verborreia imoderada, a retórica de embalar, tem o efeito de um punhado de areia atirado aos olhos do pagode.

Admira-se JAS por Soares, conhecedor do enjôo da populaça, não ter tento na língua e soltar o verbo.

Há uma diferença substancial que parece escapar a Saraiva: Mário Soares não usa as palavras como vil arola, usa-as como espelho onde, vaidosamente, se mira e remira, num tom narcisístico mas espontâneo, daí o sucesso das campanhas eleitorais em que se envolve. E não se contém, é da sua natureza, como na história do escorpião. Mesmo que, um dia (há sempre um dia) o verbo o faça morder a língua, não deixará de o usar.

Publicado por ACarvalho em novembro 29, 2005 04:53 PM
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