A recente greve de magistrados entra directamente para o top 10 das singularidades políticas portuguesas, nos últimos 30 anos. Ivone Silva deu o mote numa célebre rábula de revista: sendo, simultaneamente, patroa e empregada, discutia, consigo mesma, os termos dos próprios aumentos salariais, ameaçando-"se", com greves.
A singularidade é igual: os magistrados, enquanto titulares de um órgão de soberania, são Estado. Enquanto Estado, entram em greve, confrontando o próprio Estado, confrontando-se a si mesmos, como Ivone Silva, na rábula.
Quem será o próximo órgão de soberania a entrar em greve? A minha aposta vai para o novo PR, em protesto contra as limitadas atribuições, exigindo revisão de uma Constituição promovida, ela mesma, a força de bloqueio, gerando um impasse no funcionamento da democracia, coitada, tão engasgada ela tem andado, muito por força dos basbaques que, umas vezes por burrice, outras por ambição, têm crivado o nosso desenvolvimento de "grãozinhos" que impedem o acesso à modernidade.
O Estado amua por causa do Estado e nós apanhamos com este estado de coisas.
Ivone rematava: "O que eles querem é poder! Ai... (suspirando) isso também eu queria!!"
Publicado por ACarvalho em outubro 30, 2005 04:07 PME se surge algum processo judicial no âmbito desta greve? Por exemplo, se o governo decidir processar quem não cumpra serviços minímos, ou se os juízes processarem Sócrates por falsas declarações sobre aquela questão do sistema de saúde? Vamos ver juízes a julgarem juízes? Com que imparcialidade?...
Eis como estas greves prevertem o sistema e a própria Justiça...
Afixado por: Rui Martins em outubro 31, 2005 12:25 AMperversas, absurdas e completamente desprestigiantes. Mil e um cenários se podem colocar, todos eles esbarrando em becos sem saída.
Afixado por: ACarvalho em outubro 31, 2005 12:26 PM