Pacheco Pereira descreve as intervenções públicas de Cavaco e Soares como bastantes pobres. Um fala muito e... não diz nada; outro fala pouco e ... nada diz. O que eu acho é que se trata de um problema de regime. Um candidato a PR não pode ter um programa, o seu papel na democracia é residual e de representação. Todos os candidatos são iguais, se não forem loucos. A Constituição da República cerceia-lhes veleidades, ou a possibilidade de marcar diferenças.
Se não, leiam os art.º 133.º e o 134.º da Constituição
Artigo 133º
(Competência quanto a outros órgãos)
Compete ao Presidente da República, relativamente a outros órgãos:
a) Presidir ao Conselho de Estado;
b) Marcar, de harmonia com a lei eleitoral, o dia das eleições do Presidente da República, dos Deputados à Assembleia da República, dos Deputados ao Parlamento Europeu e dos deputados às Assembleias Legislativas das regiões autónomas;
c) Convocar extraordinariamente a Assembleia da República;
d) Dirigir mensagens à Assembleia da República e às Assembleias Legislativas das regiões autónomas;
e) Dissolver a Assembleia da República, observado o disposto no artigo 172.º, ouvidos os partidos nela representados e o Conselho de Estado;
f) Nomear o Primeiro-Ministro, nos termos do n.º 1 do artigo 187.º;
g) Demitir o Governo, nos termos do n.º 2 do artigo 195.º, e exonerar o Primeiro-Ministro, nos termos do n.º 4 do artigo 186.º;
h) Nomear e exonerar os membros do Governo, sob proposta do Primeiro-Ministro;
i) Presidir ao Conselho de Ministros, quando o Primeiro-Ministro lho solicitar;
j) Dissolver as Assembleias Legislativas das regiões autónomas, ouvidos o Conselho de Estado e os partidos nelas representados, observado o disposto no artigo 172.º, com as necessárias adaptações;
l) Nomear e exonerar, ouvido o Governo, os Representantes da República para as regiões autónomas;
m) Nomear e exonerar, sob proposta do Governo, o presidente do Tribunal de Contas e o Procurador-Geral da República;
n) Nomear cinco membros do Conselho de Estado e dois vogais do Conselho Superior da Magistratura;
o) Presidir ao Conselho Superior de Defesa Nacional;
p) Nomear e exonerar, sob proposta do Governo, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, quando exista, e os Chefes de Estado-Maior dos três ramos das Forças Armadas, ouvido, nestes dois últimos casos, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.
Artigo 134.º
(Competência para prática de actos próprios)
Compete ao Presidente da República, na prática de actos próprios:
a) Exercer as funções de Comandante Supremo das Forças Armadas;
b) Promulgar e mandar publicar as leis, os decretos-leis e os decretos regulamentares, assinar as resoluções da Assembleia da República que aprovem acordos internacionais e os restantes decretos do Governo;
c) Submeter a referendo questões de relevante interesse nacional, nos termos do artigo 115.º, e as referidas no n.º 2 do artigo 232.º e no n.º 3 do artigo 256.º;
d) Declarar o estado de sítio ou o estado de emergência, observado o disposto nos artigos 19.º e 138.º;
e) Pronunciar-se sobre todas as emergências graves para a vida da República;
f) Indultar e comutar penas, ouvido o Governo;
g) Requerer ao Tribunal Constitucional a apreciação preventiva da constitucionalidade de normas constantes de leis, decretos-leis e convenções internacionais;
h) Requerer ao Tribunal Constitucional a declaração de inconstitucionalidade de normas jurídicas, bem como a verificação de inconstitucionalidade por omissão;
i) Conferir condecorações, nos termos da lei, e exercer a função de grão-mestre das ordens honoríficas portuguesas.
Os artigos a negrito são, digamos, os principais instrumentos de que dispõe. O problema é que se trata de ferramentas de impacto tal que acabam, por vezes, de se constituir como contraproducentes.
Publicado por ACarvalho em outubro 27, 2005 12:25 PMNa verdade, creio que os poderes presidenciais são tão reduzidos que a função se tornar quase inútil... Das duas, uma:
a) Ou se aumenta os ridiculamente pequenos poderes presidenciais
b) Ou se suprime o cargo
cem por cento de acordo
Afixado por: ACarvalho em outubro 27, 2005 06:25 PM
Assim sendo, não percebo porque acha o actual Presidente da Republica, lírico. Se não pode fazer mais....
Abraço
Afixado por: Luis Moura Serra em outubro 28, 2005 12:53 AMLírico por pensar que pode falar, abertamente, com Chavez; por pensar que este não retirará o aproveitamento que puder da sua aproximação (como tirou); por julgar que Chavez poderia tentar resolver um problema que não lhe compete resolver; lírico por pensar que numa república de bananas o presidente pode tudo. Lírico e insensato porque esse tipo de aproximação consubstancia a passagem a Chavez de um atestado de "poder oligárquico" que, mesmo que possua, é desajeitado sugerir.
Lírico também porque não é apelando ao espírito de missão que resolverá o problema do insucesso escolar.
Um abraço