José António Lima, no Expresso, (rubrica "O que eles dizem"), não vê razões para Sampaio se indignar por uma decisão doTribunal Constitucional sobre o aborto, chegar primeiro às redacções que a Belém. Escreve ele, cito, "... Sampaio já tem os anos de vida política e a experiência acumulada suficientes para saber que uma votação, ainda por cima com consequências relevantes, de uma estrutura com 13 pessoas (mais acessores e serviços administrativos) só por um acaso pouco verificado não chega rapidamente ao conhecimento público. Se reagiu por isso reagiu mal. E com ingenuidade." É verdade que reagiu com ingenuidade. Mas não reagiu mal, reagiu bem. Tem todo o direito de o fazer. É suposto essa decisão chegar primeiro ao conhecimento do PR. E não chegou. José António Lima está do outro lado, do lado que rebenta todas as blindagens, mesmo que seladas de confidencial. As ligações dos jornais a fontes geralmente bem informadas têm sido, ao longo destes 30 anos, um factor de permanente instabilidade. Grave, é a perplexidade de José António Lima, ao ponto de clamar por uma reacção mais calma de Sampaio. Não diz, mas é como se dissesse "Senhor Presidente, então, sabe muito bem que é a ordem natural das coisas, o que é isso agora? Quer pôr em causa o direito dos jornalistas em aceder aos adjuntos, acessores e administrativos? Daqui a pouco vai exigir saber o nome deles. Sente-se e acalme-se." Se calhar nem por um segundo se detém na possibilidade de os jornalistas guardarem a notícia até que a decisão chegue ao conhecimento daquele a quem é dirigida. Acha que tem direito ao conhecimento das decisões, em primeira mão. E admira-se com a reacção de quem, por isso, tem direito a toda a indignação do Mundo.
Publicado por ACarvalho em outubro 26, 2005 04:52 PMOlá,
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Afixado por: MARIA em novembro 14, 2009 01:47 PM