outubro 25, 2005

Uma mão cheia de nada

Houve tempos em que pensava para comigo "O País anda mal, apenas na justiça podemos confiar" mas, nos últimos anos, não posso, nem eu nem ninguém, em consciência, emitir semelhante juizo, tantas têm sido as perplexidades geradas por decisões judiciais. A decisão da Relação de anular, no âmbito do caso Felgueiras, as escutas telefónicas e os depoimentos de denúncia deixam esta caso praticamente vazio, ameaçam transformá-lo num processo ôco, sem substância, sem crime, sem réus, isto é, numa mão cheia de nada. Se a justiça, também ela, deixou de ser o refúgio dos portugueses, onde poderemos encontrar pessoa, instituição ou órgão em quem confiar? Para a (provável) maioria dos portugueses a resposta é CAVACO SILVA, porque se não há instituições fortes, procura-se um homem forte, se não há Estado, procura-se um homem de Estado, se não encontramos, na Pátria, a vertente protectora, o lado "Mãe", procura-se um Pai. Às vezes, resulta. Conjunturalmente? Deixemo-nos de pruridos: nunca, em Portugal, se viveu senão da conjuntura, daí que, se às vezes parecemos desconjuntados... é porque estamos.

Publicado por ACarvalho em outubro 25, 2005 09:08 AM
Comentários

A clássica divisão tripartida do Estado Moderno deixou a Justiça isenta das responsabilidades sobre as dificuldades crescentes do país. Mas a história imensamente impopular das greves judiciais, dos 2 meses de férias, da crescente lentidão e da inépcia demonstrada pelos juizes que conduzem o caso Felgueiras e muitos outros arruinou o prestígio (que havia) do último elemento dessa tríade.

Agora descremos de toda a gente... Desde o Executivo (Governos sucessivamente incompetentes), o Legislativa (com os deputados batman e sonófilos) e agora até o Judicial...


Afixado por: Rui Martins em outubro 25, 2005 12:16 PM

Sonófilos?! Não conhecia essa!!
Pobre país, não é Rui?

Afixado por: ACarvalho em outubro 25, 2005 05:32 PM
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