outubro 24, 2005

"Brainstorming" de tiques

Metade dos portugueses vai votar Cavaco. A decisão estriba-se em meia dúzia de "mitos" caídos da sua governação, uma espécie de mais-valia que ficou de (ainda) piores governos. Na arrastada tempestade de ideia-feitas, diz-se, de Cavaco, que tem seriedade, competência, firmeza e liderança, qualidades que o próprio Cavaco sintetizou no célebre "nunca tenho dúvidas e raramente me engano", proposições das quais, a coordenada sindética é falsa como Judas.

Quando do Tratado da União (Maastricht, 92) mais os célebres fundos de coesão dos quais beneficiámos(?) nós, a Espanha, a Irlanda e a Grécia, Cavaco é responsável por não ter disciplinado a sua utilização e, pior, não ter garantido a correcta aplicação, ao contrário dos países mencionados que, como se sabe, conseguiram ultrapassar as endémicas limitações e modernizar a economia. A ausência de uma rede eficaz de filtros e uma fiscalização esburacada estão na base do (irreversível) insucesso.

Quando das reformas da PAC, nos anos 90, que visavam terminar com a super-produção agrícola, fomos nós que ficámos mal na fotografia, como se fôssemos o que nunca fomos, um grande país produtor, reduzindo a exploração, a qualquer preço, a trôco de dinheiro vivo e fresco, directamente encaminhado para projectos inconsistentes e bolsos pouco disponíveis para a modernidade ( a não ser dos "mercedes" e jipes). Dos resultados dessas negociações falam, claramente, as bancas dos supermercados. Mais uma vez, alguém falhou: Quem terá sido?

E que dizer do défice? Ainda não há muito, Cavaco foi nomeado por um dos nomes emblemáticos da sua governação como o pai do dito.

Como se vê, apenas mitos. Já nem falo da apregoada seriedade, em nome dela já tivemos os nosso maus momentos, demorados momentos, o penúltimo dos quais durou quase meio século, nem quero imaginar como vai terminar o último.

Publicado por ACarvalho em outubro 24, 2005 01:12 PM
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