Hoje será o final de um tabu que nunca o foi, a não ser que, num golpe de teatro, Cavaco anunciasse a renúncia à candidatura. Como não é isso que se espera, o seu nome alinhar-se-á ao lado dos de Mário Soares, Manuel Alegre, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã. Uma eventual candidatura de Portas, não passa, por enquanto, de ficção. E fica completo o elenco dos artistas principais, as primeiras figuras de um "cast" no qual, Soares faz figura decorativa, o "bibelot" do saudosismo requentado de uns quantos dinossauros nostálgicos, legitimados pelo estatuto de "barões" tesos, impondo ao partido e a Sócrates, um arquétipo aramado. Gostaria (eu e muitos portugueses) de não ter de assistir a este espectáculo reumatismal, ao desmontar penoso de uma figura da democracia que já não tem discernimento para perceber que está ser usado como bandeira (esfarrapada) do crescimento... cavaquista. Soares não foi figura dos anos 80, foi-o dos anos 70, na defesa da democracia. Os anos 80 são de Cavaco (Como PM, Soares foi apenas mais um) e a entrada na UE aconteceria sempre.
Atrapalhar as contas de Manuel Alegre é o máximo que podemos esperar desta espécie de Associação Nacional de Portadores de Gôta.
Publicado por ACarvalho em outubro 20, 2005 10:14 AM