Comemora-se, hoje, o nonagésimo quinto aniversário da implantação da República. A populaça que, faminta, sofrida, descalça, saíu à rua, em cinco de Outubro de 1910, é a mesma que, passados todos estes anos, sai nas manifestações de indignação, que se sucedem a um ritmo de PREC. A diferença está nos sapatos.
O primeiro balanço a fazer, agora que nos aproximamos do Primeiro Centenário, é que o progresso dos países não depende do regime. A bondade dos regimes (MONARQUIA e REPÚBLICA) depende da sua auto-regulação. A República não comporta a capacidade automática de rejeição de excrecências, como um corpo saudável faz, na perfeição. Não é auto-regenerativa, nem auto-imune. Porque nenhum regime o é. O sistema imunológico dos regimes é criado, não inato.
Deste modo, não vejo nenhum motivo para defender o regime, qualquer regime, muito menos para o festejar, porque nenhum é melhor que o outro. As monarquias inglesa ou dinamarquesa não são piores que a república portuguesa. Do mesmo modo, a república francesa não é pior que a monarquia jordana.
Comemorar o quê? Porquê? Deixemo-nos de mistificações. E, já agora, acabem com o feriado.
Publicado por ACarvalho em outubro 5, 2005 08:50 AM | TrackBackConcordo com tudo o que disse, excepto com a última frase:
Comemore-se, sim, o aniversário da indepêndencia do país. Até por que as "superiores" orientações europeias não auguram nada de bom para o futuro da dita independência.