Na véspera de nada
Ninguém me visitou.
Olhei atento a estrada
Durante todo o dia
Mas ninguém vinha ou via,
Ninguém aqui chegou.
Mas talvez não chegar
Queira dizer que há
Outra estrada que achar,
Certa estrada que está,
Como quando da festa
Se esquece quem lá está.
Fernando Pessoa
Intervalo.
O grande poeta alentejano Manuel da Fonseca terá confessado, numa roda de amigos, algum tempo antes de morrer que gostaria de ter, no epitáfio da sua campa, a inscrição que dá o título a este "post": "Aqui jaz um poeta dum cabrão!" Afiança um admirador (não presente) que o que ele disse mesmo foi: "Aqui jaz um poeta dum real cabrão!"
Com "real" ou sem "real", aqui fica este poema:
Romance do Terceiro Oficial de Finanças
Ah! as coisas incríveis que eu te contava
assim misturadas com luas e estrelas
e a voz vagarosa como o andar da noite!
As coisas incríveis que eu te contava
e me deixavam hirto de surpresa
na solidão da vila quieta!...
Que eu vinha alta noite
como quem vem de longe
e sabe os segredos dos grandes silêncios
— os meus braços no jeito de pedir
e os meus olhos pedindo
o corpo que tu mal debruçavas da varanda!...
(As coisas incríveis eu só as contava
depois de as ouvir do teu corpo, da noite
e da estrela, por cima dos teus cabelos.
Aquela estrela que parecia de propósito para enfeitar os teus cabelos
quando eu ia namorar-te...)
Mas tudo isso, que era tudo para nós,
não era nada na vida!...
Da vida é isto que a vida faz.
Ah! sim, isto que a vida faz!
— isto de tu seres a esposa séria e triste
de um terceiro oficial de finanças da Câmara Municipal!...
Não é mesmo um poeta dum raio?
Texto também publicado no forum do site dedicado à artista plástica e poetisa
Maria de Fátima Moura.<---Siga o link
Há dois anos, o "Expresso" comparou 48 cidades portuguesas e concluiu que Évora seria a melhor de todas para viver. Olhei os 15 parâmetros considerados, como se olha para uma estatística, fria nos números, talvez certeira nos resultados. Cidade feita paraíso? Talvez, mas a partir de uma lista de referentes que não contempla esse incómodo pormenor que é a vida económica, calcanhar de aquiles de todo o Alentejo. Um parque industrial que cresceu imenso mas, inexplicavelmente, não se sente aqui o pulsar das cidades que transbordam dessa energia vital que produz riqueza. É, contudo, o único lugar do centro alentejano que tem visto a sua população aumentada, pelo mirrar das vilas e aldeias de 50 quilómetros em redor. Quase de forma surpreendente, a cidade possui uma variada oferta hoteleira, para a sua dimensão, e o último dos seus empreendimentos é o Hotel do Convento do Espinheiro, cinco estrelas de conforto feito luxo, morada do estágio da Selecção Nacional de Futebol, a partir de Maio.
Évora vive, portanto, da oferta turística. Dotada do invejável estatuto de Património da Humanidade, assiste, dia após dia, à chegada de autocarros carregados de estrangeiros, ansiosos por fixar os seus monumentos e as suas vielas antigas. Ei-los, às centenas, sobretudo asiáticos, disparando as objectivas sobre o que os rodeia, com o afã de quem nada quer perder. Vive também dos seus estudantes, os oito mil nómadas que alugam as velhas casas do Centro Histórico, animam a restauração e a noite e têm gerado a multiplicação de bares, cafés e similares. A sua debandada, no fim-de-semana e nas férias, traz às ruas e às praças o jeito medieval que, em meu entender, será um dos seus encantos. Nesses dias, sente-se aqui o travo de uma cidade perdida, estranhamente incólume, mirada por grupos de forasteiros, falando baixo, contagiados pelo silêncio que os rodeia.
Se Évora é uma cidade com uma economia por desabrochar, só à luz de encantos vários poderá ser olhada como a melhor para viver, uma magia qualquer que, quem sabe, terá tocado os repórteres do "Expresso". Como eu os entendo. É que, na realidade, existe uma forma diferente de avaliar a cidade onde vivo, capital do distrito onde nasci. Sinto mais vontade de olhá-la como a olhou Florbela Espanca, aluna no liceu da cidade (...ruas ermas, sob o céu de violetas roxas... só aqui recordo que foi meu, o sonho que sonhei noutras idades...). Um pouco à imagem do sentimento de Eugénio de Andrade, falando não duma cidade, mas do seu (nosso) País (...O meu País sabe às amoras bravas no Verão...). E julgo que, para ser sincero, esta forma, parcial, subjectiva, emocional, exclusiva, de avaliar a terra que consideramos nossa é a que mais me diz.
Vivi em Évora desde os onze anos, cada rua me reconta uma história ou me remete para uma memória. Sempre que percorro as Arcadas, passo no Templo Romano, ou na Rua da Sellaria (mil vezes caminhada por Virgílio Ferreira, em direcção ao liceu), faço uma dupla viagem, no lugar e no tempo.
Évora monumental (da Igreja de S. Francisco, da Capela dos Ossos, do Palácio de D. Manuel, da Sé romano-gótica, da Muralha Medieval, da Porta de Moura, do Convento dos Lóios, da universidade seiscentista, ou da sua bonita ágora, a Praça do Giraldo) será um regalo para os olhos. Mas nenhum turista consegue fixar, na máquina fotográfica, o instantâneo temporal e afectivo que me é permitido, num relance, num olhar.
Vivi 30 anos em Lisboa e sempre ali me senti deslocado, inseguro, provinciano. Por isso, voltei, logo que me foi possível. Foi aqui que me fiz homem, foi aqui que aprendi a amar as pessoas e as coisas. É aqui que me sinto no País que sabe às amoras bravas do Verão, quem sabe… um dia regadas pela água doce do Grande Lago do Alqueva, esperança de um povo ainda preso à magia de uma qualquer moura encantada, saída de uma lenda sarracena.
Peço desculpa por uma apreciação subjectiva, egocêntrica, quase egoísta. Não consigo olhar esta terra com o distanciamento frio que uma avaliação rigorosa requer. Mas é deste modo que a sinto. Visitem-na e… dêem-me razão.

Correia de Campos fala de um novo sistema de financiamento para o Serviço Nacional de Saúde. As reacções mostram o receio de mais más notícias, que a gente desconfia sempre, as cabecinhas dos nossos bravos líderes só fumegam na mira de encaixes, ele é privatizações, ele é IVA, ele é IMI, é tudo e mais um par de botas, às vezes tirando os mais inverosímeis coelhos das mais inusitadas cartolas.
Mas deixem o homem explicar-se com calma, não vá sair outra tirada do tipo "o SNS está de boa saúde", a gente percebe a figura de estilo, mas que raio, "saúde"? O sistema devia produzir saúde (o que não faz) e não limitar-se a estar de boa saúde.
Um desabafo infeliz, ou talvez não, quem sabe, um jogo de palavras, um dichote ligando a função do serviço à performance financeira. Uma chalaça, como diz o outro. Chalacear com um serviço fantasma até está bem visto, nada de dramas, gracejemos, desopilemos, o SNS não existe, como o podemos levar a sério? Os SAP fecham por todo o País ou reduzem o horário; cidades vêem as maternidades fechar; as consultas de especialidade podem atrasar dois anos; o atendimento pelos médicos de família é do tipo “bom dia! Grunf! Adeus”. Como se chama a um serviço que não existe mas está de boa saúde? Um fantasma? Não é pouco apropriado falar da saúde um fantasma? Mais: os fantasmas existem?
Trabalho para os GHOSTBUSTERS! Mas, helas, o Bill Murray está velho e o Dan Aykroyd e a Sigourney Weaver pesam, entre os dois, mais de duzentos quilos!
Recorde o tema ghostbusters AQUI!
O governo prepara um complemento solidário para os idosos com pensões de sobrevivência, com rendimentos inferiores a 4200 euros anuais. Pede-se-lhes que, entre outros requisitos burocráticos, apresentem a declaração de IRS... dos filhos!!!
Heranças do Estado Novo, de um tempo e de uma memória: in illo tempore, não havendo protecção social, os filhos cuidavam dos pais idosos.
Maus ventos se anunciam. E Zéfiro enche as bochechas.
Tá tudo doido!
Pondera-se a hipótese de sobrecarregar o IMI, em imóveis com gastos insignificantes de água e luz!!
E que tal condecorar os dissipadores!
A partir de hoje, deixo uma torneira aberta e a braseira ligada.
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Sei que não gastaste uma gota de água, todo o Verão!
Tá tudo doido!
Auto do Silêncio Prévio
Personagens: Hades (Senhor do Inferno); Minos (Juiz do Inferno); Laquesis (Moira do Destino)
Hades:
É o final dos "EGRÉGIOS".
Quem salva a nau catrineta?
Minos:
Não há nónio nem proveta
Nem musa com seus arpégios.
Hades:
Com tão lustrosos AVÓS,
Descuidaram o Valor.
Minos:
Dissiparam com ardor,
Ouro, espécie, trigo e mós.
Hades:
Final de prosas INFAMES,
Combatendo tristes fados.
Minos:
Mil oráculos evocados
E seus nefastos ditames.
Hades:
De honrada gente NETOS,
As memórias desprezaram.
Minos:
Todo o fôlego derramaram,
Rumando rumos incertos.
Laquesis:
Não há D. Sebastião.
Onde estão os Homens-Bons
Que usando nobres dons
Inventem novo Catão?
As arengas de Marques Mendes sobre o desemprego deixam-me sempre atónito primeiro, e decepcionado, depois. Poderia encolher os ombros e mudar de canal; ou virar a página do jornal; mas ouço ou leio até ao fim e fico a pensar que não há remédio para a política à portuguesa.
Os dados sobre o emprego mostram que a curva descendente se inicia no exacto momento em que o seu partido chega ao poder (2002). Desde aí, não mais parou. Podemos até agitar esses dados e sugerir que a dinâmica criada se iniciou com Barroso, ou seja, com o PSD. Sabemos que não é bem assim e dizemo-lo porque... não temos uma visão sectária das coisas.
Este costume, muito demagógico, de apontar sempre ao antecessor, foi herdado dos bons velhos tempos em que tudo era culpa do fascismo. E não é só Marques Mendes, os socialistas fizeram o mesmo quando, em 2002, deixaram o Poder. Guardo imagens da risota trocista de António Costa e Ferro Rodrigues, na discussão do primeiro orçamento barrosista.
Na primeira das suas Conversas Vadias, Agostinho da Silva confessava a Adelino Gomes a sua estupefacção por ver oficiais do mesmo ofício (os políticos) que era suposto defenderem a mesma bandeira, porem os seus interesses pessoais e partidários a barrar entendimentos. Mas é assim. E está claramente identificada uma das causas do nosso atraso.
Fez ontem anos que se estreou a peça "A Importância de Ser Ernesto". Foi em 1895. Para comemorar, a RTP passará, hoje, não sei se a versão filme ou a peça propriamente dita. Em qualquer dos casos, recomenda-se fortemente.
Mas também se celebra a importância de ter (sido) existido... Oscar Wilde. Enquanto autor, genial. Enquanto homem... simplesmente diferente.
Aqui fica (pela coragem, pelo frentismo) a declaração que fez depois de ter sido julgado e condenado por homossexualidade:
"O amor que não ousa dizer o nome é, neste século, a grande afeição de um homem mais velho por um homem mais jovem como aquela que houve entre Davi e Jonatas, é aquele amor que Platão tornou a base de sua filosofia, é o amor que você pode achar nos sonetos de Michelangelo e Shakespeare. É aquela afeição profunda, espiritual que é tão pura quanto perfeita. Ele dita e preenche grandes obras de arte como as de Shakespeare e Michelangelo, e aquelas minhas duas cartas, tal como são*. Esse amor é mal entendido nesse século, tão mal entendido que pode ser descrito como o `Amor que não ousa dizer o nome' e por causa disso estou onde estou agora. Ele é bonito, é bom, é a mais nobre forma de afeição. Não há nada que não seja natural nele. Ele é intelectual e repetidamente existe entre um homem mais velho e um homem mais novo, quando o mais velho tem o intelecto e o mais jovem tem toda a alegria, a esperança e o brilho da vida à sua frente. Que as coisas deveriam ser assim o mundo não entende. O mundo zomba desse amor e às vezes expõe alguém ao ridículo por causa dele."
*Oscar Wilde terá escrito duas cartas comprometedoras ao jovem lorde Alfred Douglas.
Quanta coragem bem medida será precisa para, no final do séc. XIX, ter escrito estas palavras?!
Os desempregados de Portugal são 612.000. Está ultrapassada, largamente, a psicológica cifra do meio milhão que esteve próxima, mas não atingida, há cerca de 20 anos atrás, lembro-me muito bem, lia os números frequentemente, "já vai em 390.000, logo 400.000, meu Deus, é desta vez que tocamos o meio milhão!"
Não tocámos. Ora, agora que já pulverizámos a marca, vai ser um desleixo, onde vamos nós parar, já vislumbro o milhão, talvez acabemos nos 20%, como os espanhóis há uns anos, nestas coisas nós nunca perdemos com Castela.
Se chegarmos ao milhão talvez consigamos, via Fátima, o milagre: recinto cheio, um milhão de desempregados mais as famílias, nunca tal foi visto naquele santuário. Tenho fé que, perante a visão de dois milhões de deserdados da sorte e do trabalho, a Senhora acabe por se comover e ilumine de preclareza, sabedoria e método, os governantes e empresários deste país, que isto de desenvolvimento e trabalho é mais com eles.
Faz hoje 3 anos que morreu o clone Dolly, uma ovelhita que durou 6 anos marcados pela doença e envelhecimento precoce.
Faz hoje anos (16) que Khomeini lançou uma fatwa condenando Salman Rushdie à morte. Motivo: a publicação dos "Versículos Satânicos", uma novela herética, no entender do Aiatolah.
Para lembrar, nestes dias de agitação.
Todos estudámos, logo nos primeiros anos, o ciclo da água, a dita andava num corropio, de cima para baixo, debaixo para cima, era sempre a mesma água, descontada a que se infiltrava e fazia crescer os lençóis do precioso líquido, no subsolo, até encontrar uma fraqueza, por entre as rochas e reaparecer, fresca e cristalina, numa nascente qualquer.
O governo português ordenou às empresas que passem a reter menores verbas de IRS aos trabalhadores. O motivo? Reduzir, mais tarde, as devoluções aos contribuintes.
O dinheiro não é sempre o mesmo? É. Até parece que o governo revela o receio manifestado por aqueles gastadores compulsivos a quem o dinheiro queima nas mãos, "não me confiem a massa, eu não respondo por mim, tirem-ma da frente, só me atrapalha as contas". Mas isso não é com certeza, a tesouraria das finanças públicas nunca se fez rogada quando em causa estão milhões. A diferença entre a devolução pelo Estado e a retenção do dinheiro no seu habitat natural, que é o bolso do contribuinte, só pode beneficiar este último.
E é aqui que fico desconfiado. O governo permite que milhões de contos passem a residir (provisoriamente, que as contas não estão feitas) não nos seus cofres, mas nas contas do "Zé". Faz-me confusão. Será uma questão psicológica, dado que receber é melhor que devolver? E eu volto a perguntar: o dinheiro não é sempre o mesmo? Ou será que se está a preparar uma "estrangeirinha" qualquer e, como no ciclo da água, uma parte do vil metal acabar a engrossar os lençóis de liquidez de um Estado nunca (por nunca ser) sensível às dificuldades dos contribuintes? Tem de ser qualquer coisa do género porque do Estado, leite, só o de pombo.
Que podemos esperar, num caso desses? Que,à semelhança do precioso líquido, também a colecta rompa numa nascente qualquer? A verdade é que não estamos habituados a rasgos de generosidade e os dinheiros públicos provocam comportamentos esquizofrénicos: ficamos sempre a falar sozinhos, que do dinheiro, só uma lembrança difusa.
Comemora-se hoje o primeiro centenário do nascimento do professor Agostinho da Silva, um dos maiores pensadores portugueses do séc. XX (em 1957 naturalizou-se brasileiro e chegou a integrar o elenco governativo de Jânio Quadros).
Lembro-me de, há muitos anos atrás, me ter sido recomendada a leitura de um dos seus textos pedagógicos, intitulado O Método Montessori. Adquiri-o mas como não era de leitura obrigatória li-o anos mais tarde, numa altura em que concluí que era importante conhecer aquele método, numa perspectiva de cultura pedagógica.
Foi um autor prolífico e dele foram publicados muitos trabalhos. Na área pedagógica, lembro-me de A Vida de Pestalozzi e O Plano Dalton, nomes que rivalizavam, em importância com o de Maria Montessori, na história da pedagogia.
A partir de hoje, entre o Canal 2 e a RTP Memória, podemos assitir à repetição do programa Conversas Vadias, uma série de entrevistas a Agostinho da Silva feitas por diversas personalidades. A não perder, de maneira nenhuma, a entrevista feita por Miguel Esteves Cardoso (Canal 2, na noite de 16 para 17, pela uma da manhã.)
Notícia de ontem dá conta de que os EUA ponderam atacar o Irão. Tenho quase a certeza que, ao longo da (curta) história da revolução religiosa na terra dos Persas, estes tenham também já ponderado atacar os EUA. Apesar de navegarmos numa espécie de Mar da Imponderabilidade, dos sentimentos não nos livramos facilmente. Um ataque iraniano, só no domínio dos sonhos. Portanto, o que é previsível é um ataque americano. Por estar mais fortemente armado? Também, mas não só.
É especialmente por, nos últimos 50 anos, a América ter orientado a sua política externa por marcadores de maior agressividade. Um ataque americano a qualquer país soberano é hoje de uma vulgaridade bocejante. Nos últimos 5 anos, atacou o Afeganistão, o Iraque e ameaça a Coreia do Norte e o Irão.
Este apetite pela guerra não tem a ver com democracia, liberdade e outras desculpas do género; o 11 de Setembro foi o pretexto que Bush precisava para executar a sua política dilecta: vergar quem possua recursos vitais ou se atravesse no caminho que a eles dá acesso. Dir-me-ão que se trata de uma aceitável retaliação pelos ataques sofridos, mas...
O que eu pergunto é por que razão a maior potência do mundo é também a mais odiada. Por ser paladina da democracia, da liberdade, da verdade? Estamos no domínio da opinião subjectiva. Impedir um país de construir uma arma que ela própria já possui: Trata-se de um episódio na interminável luta pela paz? O tratado de não proliferação nuclear impede a construção de armas atómicas? Então por que razão os EUA não desactivam as suas? Atacar um país para lhe mudar o regime: é lutar pela liberdade ou intromissão abusiva? O que diz o direito internacional?
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Imagem retirada da Wikipédia.
Passou ontem o aniversário do nascimento de Thomas Edison, inventor americano, detentor de, imagine-se, 1093 patentes.
Nasceu em 11 de Fevereiro de 1847 e faleceu em 1931, com 84 anos.
Aqui ficam algumas das suas notáveis criações:
O fonógrafo (ou gramofone);
A lâmpada eléctrica;
O ditafone (percursor dos gravadores de som);
O cinetoscópio (percursor do projector de cinema);
O microfone de grânulos de carvão usado no telefone;
Dínamo de alta potência;
Gerador de vácuo;
Díodo termiónico, percussor da válvula do rádio;
etc.
Thomas Edison influenciou, mais do que ninguém, a tecnologia da vida moderna e não se passa um dia sem que qualquer de nós tenha um gesto relacionado com a sua criatividade, desde o simples acto de acender ou apagar a luz, ao de ir ao cinema ou ouvir música.
Muitos anos depois da publicação de "O Desespero Humano", a fé muçulmana exacerbada é a experiência de campo que comprova as teorias de Soren Kierkegaard sobre a superioridade da Fé. E os suicídios terroristas constituem a prova final.
Certos da vida eterna e da entrada no Paraíso, os jovens que alimentam as barbáries dos líderes do terrorismo religioso, entregam-se de boa vontade, em holocausto, na mira do leite, mel e virgens que por eles esperam no Eden, ao lado do Senhor.
O desespero não mora ali, vive no coração dos infiéis. Não acreditando na vida depois da morte do corpo, os ateus não conseguem encontrar um sentido para a vida terrena e, não poucas vezes, suicidam-se, é prática comum no seio de uma elite intelectual que se interroga e não encontra respostas.
Respostas, eis o que não falta aos crentes, capazes de esperar tranquilamente pelo descanso eterno, na certeza de uma vida melhor, junto dos anjos. Para os jovens suicidas, isso constitui uma certeza absoluta. Daí, a preclareza da decisão de morrer e a tranquilidade com que avançam. No fundo, toda a obra de Kierkegaard fala disto, sem falar claramente nisto.
Claro! Muito mais dinamarqueses do que os cartoonistas foram capazes de ser. Os nórdicos não têm culpa de ter compatriotas que, em nome da sacrossanta liberdade de expressão, sejam capazes de ferir o sentimento mais profundo de milhões de pessoas. Dir-me-ão que o António também enfiou um preservativo no nariz do Papa e as ondas de choque nem ao joelho chegaram; mas nós conseguimos sempre um golpe de rins e sabemos relativizar as coisas, afinal temos mais 700 anos de caldo religioso que os muçulmanos, muitos anos depois das fogueiras, da carne assada, dos autos de fé e das câmaras de tortura, somos capazes de planar sobre a blasfémia com o distanciamento calejado das barbáries que, em nome da fé, cometemos.
Pois seja, solidarizemo-nos, mas numa solidariedade de dupla matriz: pelos dinamarqueses e pelos milhões de muçulmanos que acreditam que a vida toda se condensa no escrupuloso cumprimento das leis do Corão, que nunca fizeram mal a ninguém e que se sentiram genuinamente chocados pelo acto livre de uns tipos fundamentalistas do acto de ser livre que, no caso vertente, mostraram falta de jeito para, livremente, se exprimirem.

foto em nobelprize.org
Falo de Pasternak, o aniversariante de hoje. Proscrito na União Soviética depois de ter ganho o Nobel com o seu Doktor Zhivago, o grande escritor saíu para o Ocidente e a obra foi, de imediato, traduzida em 18 línguas. Foi reabilitado em 1987, durante o estertor da União, 27 anos depois do desaparecimento.
Já depois da sua morte, ocorrida em 1960, o livro deu origem a um grande filme, com o mesmo nome e interpretações inesquecíveis de Omar Sharif, Julie Christie, Rod Steiger e Alec Guiness, entre outros.
Parabéns a você.

Liceu de Lisboa, no Maine
Em 2007, reunirão, em Lisboa, representantes de todas as localidades americanas com o mesmo nome da capital portuguesa.
Há Lisboas em 36 Estados Americanos.
Estão referenciadas 37 comunidades.
A maior, no Maine, tem cerca de 10.000 lisboetas.
A mais pequena, no Maryland, terá cerca de 1.000 alfacinhas.
Uma das cidades foi fundada em memória dos mortos do terramoto de 1755; outra, a do Maine, deve o nome à tradição de, naquele Estado, se escolherem, para as cidades emergentes, nomes de cidades europeias; uma outra, apenas pela razão de dois dos seus habitantes terem relações comerciais com a capital portuguesa. Por curiosidade (o que eles descobrem) na Lisboa de Iowa nasceu o avô do Presidente McKinley.
Visite o site de Lisboa, no Maine
Leia todos os pormenores na revista Tempo Livre, n.º 167, editada pelo INATEL, mês de Janeiro.
Já aqui falei sobre a cota de música portuguesa obrigatória na rádio nacional a que a nova lei obriga. Mais importante do que a cota é zelar para que ela seja cumprida, vivemos em Portugal, é bom não esquecer, as leis aqui são para cumprir mais ou menos: são uma referência, um indicador que pode ser violado, com uma certa margem de tolerância e no caso da música ela é simplesmente ignorada. Vem isto a propósito de uma música estrangeira que ouvi, hoje da manhã, na Cidade FM. Era tão básica, tão chã que se fosse cantada em português toda a gente a rotularia de pimba e seria proscrita pelas estações de referência intelectualóide, musicalmente falando: RFM, Antena 3, RCP e outras. Acho pimba pôr rótulos de pimba, julgo até que se trata de um costume profundamente... pimba. Descartar Marco Paulo ou Toni Carreira com base em pressupostos preconceituosos é uma coisa que me faz confusão, sobretudo por ver depois esses esquisitos portadores de esgatanhada sensibilidade aceitar cantores estrangeiros que ficam a perder na comparação.
Estou a lembrar-me de uma canção de Eamon que é paradigmática do espírito "é em inglês tem de ser bom" mas que, realmente, traduzida para português daria algo que até Quim Barreiros rejeitaria. Nela, aparece a palavra "fuck" escrita 20 vezes e encontramos 18 linhas de "oh oh, uh huh yeah". Aqui vai a tradução do refrão logo seguida pela versão original, em inglês:
Que se foda o que eu disse, não significa merda nenhuma,
que se fodam os presentes, vou deitá-los fora,
que se fodam os beijos, não me disseram nada,
fode-te tu também, não te quero de volta.
(notável arrincanço poético!)
Whoa oh oh
Ooh hooh
No No No
[Verse 1:]
See, I dont know why I liked you so much
I gave you all, of my trust
I told you, I loved you, now thats all down the drain
Ya put me through pain, I wanna let u know how I feel
[Chorus:]
Fuck what I said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses, they didn't mean jack
Fuck you, you hoe, I dont want you back
Fuck what I said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses they didn't mean jack
Fuck you, you hoe, I dont want you back
[Verse 2:]
You thought, you could
Keep this shit from me, yeah
Ya burnt bitch, I heard the story
Ya played me, ya even gave him head
Now ya askin for me back
Ya just another act, look elsewhere
Cuz ya done with me
Fuck what I said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses they didn't mean jack
Fuck you, you hoe, I dont want you back
Fuck what I said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses they didn't mean jack
Fuck you, you hoe, I dont want you back
Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah
Ya questioned, did I care
You could ask anyone, I even said
Ya were my great one
Now its, over, but I do admit I'm sad.
It hurts real bad, I cant sweat that, cuz I loved a hoe
Fuck what I said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses they didn't mean jack
Fuck you, you hoe, I dont want you back
Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah
Oh oh
Uh huh yeah
Que tal? Percebem o que quero dizer?

Um trabalho de Ramos Santos
Exposição de pintura naif, desde ontem e até 24 de Fevereiro.
Local: Galeria Municipal
Pintor: António José Ramos Santos
Depois dos transgénicos, suspeitos de várias mazelas e desvios, na área da saúde, há até quem preveja, para mais tarde, o aparecimento de humanos mutantes, eis que agora temos os transnacionais mutantes, espécies de pessoas meio portuguesas, meio espanholas, paridas pelas mães mas também pela imaginação delirantemente criadora de cabeças (bem) pensantes de responsáveis hospitalares do distrito de Portalegre.
De que estamos a falar? Da possibilidade de os elvenses(?) e portalegrenses(?) passarem a nascer em Badajoz. Portugueses nascidos em Espanha sempre houve, um final de gravidez mal calculado, ou filhos de emigrantes, enfim, excepções que não retiraram aos portugueses a portugalidade, isso nunca constituíu um acrescento ao pecado original, embora seja desconfortável. Mas uma coisa são as excepções, outra coisa é a regra.
Pois os senhores encaram a possibilidade de as mulheres portuguesas daquela comprida faixa do Alentejo oriental que se estende desde a extrema do distrito de Castelo Branco até ao limite superior do distrito de Évora, virem a ter os filhos em Badajoz. No dizer de um dos responsáveis, só temos a ganhar(?!), senão vejamos:
- Poderia encerrar-se a maternidade de Elvas, com todas as vantagens(!!) atinentes;
- As mulheres e os filhos beneficiariam de um serviço de melhor qualidade(?);
E adianta (imagino-o impante) "não se tira nada à população sem lhes dar algo em troca e a hipótese Badajoz é favorável à mulher portuguesa."
Um "lapsus linguae", talvez: para este responsável, é preferível ir parir a Badajoz que melhorar a qualidade das maternidades portuguesas. E, destas palavras, ainda se retira mais: não há remissão para a maternidade de Elvas, com os seus insignificantes 200 partos anuais.
E é aqui que acerta na "mouche": a produção é curta, na linha de montagem elvense. Por isso, vai-se fazer à maternidade da cidade o mesmo que se tem feito às esquadras e escolas, por esse País fora. Racionaliza-se a rede, isto é, fecha-se a loja. Em tempo de globalização por que não convidar os espanhóis a abrir uma maternidade em Elvas? Com os chorudos benefícios fiscais que o generoso Estado português costuma oferecer, eles viriam a correr. Se viessem a encerrar devido a uma pequena carteira de encomendas, sempre poderíamos aproveitar as instalações.

(imagem no site Ágora)
Mais de 500 professores estão reunidos, em reflexão e aprendizagem. O último grito de modernidade pedagógica é a utilização de um quadro electrónico e interactivo que, mais cedo que tarde se tornará parte do equipamento "default" de qualquer sala de aula. Motivo de tudo isto: tornar o ensino/aprendizagem mais apelativo.
Lamento informar mas qualquer observador medianamente atento sabe que não é possível tornar as aulas mais apelativas do que já são. Mais, à custa de tanto esforço e investimento no chamado interesse da criança, as salas correm o risco de se transformar num quarto de brinquedos; a bonecada e o excesso de cor deixaram de ter sentido (de equilíbrio, de proporcionalidade) e ameaçam transformar-se em foco de desestabilização e corroer a capacidade de concentração dos alunos, acabando por ter efeitos contrários à ideia que presidiu a este excesso de ornamentação.
Para iniciar a aprendizagem de um novo fonema ou grafema sai uma história, uma pintura, uma dramatização, uma cantiga, uma adivinha, um grafismo alusivo, a montagem de um puzzle e uma resma de papel vegetal, canelado ou cavalinho. No final, as crianças não sabem muito bem o que estiveram a aprender mas não faz mal: em nome da criatividade e da livre expressão, os que apenas aprenderam a história ou a música também tiveram o seu momento de... crescimento e maturação. Se no final do ano, nem os professores tiveram tempo para ensinar nem as crianças para aprender, não tem importância: ali estão as paredes cheias de desenhos e os armários cheios de brinquedos a provar que se trabalhou duro o ano todo.
Se a criança decide que não gosta da professora, arregimenta-se psicólogo e professor de apoio, convoca-se o Conselho Escolar e, se não houver bom senso ou uma voz que chame todos à razão, lá vai o “cachopinho” experimentar nova mestra, até se descobrir que, afinal, o problema não era bem aquele.
Seja como for, repreender o aluno está fora de questão, há que ter cuidado, não vá o infante apanhar trauma. Trauma: o bicho mau que obriga os adultos a engolir tudo para que não se culpe a criança de nada.
E assim vamos deseducando os homens de amanhã.

Vai nascer. O parto parece atrasado. E depois, o que tem um projecto de Frank Gehry? É um valor absoluto? Tão absoluto que mereça fazer parte da encenação promocional? Fariam o mesmo com, por exemplo, Manuel Salgado? Ou o que é português consubstancia sempre uma espécie de pobreza envergonhada, desqualificada, que se usa às vezes porque tem de ser?
Celebra-se hoje o aniversário do nascimento. (08fev1828)
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A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS foi a sua obra-prima.
CINCO SEMANAS EM BALÃO - O primeiro livro que li. Nostalgia.
Como se chama a uma OPA não solicitada? A figura jurídica tem a designação de hostil. Por que razão se empenham as pessoas em dourar a pílula? Nas designações jurídicas, as palavras perdem o valor semântico e o novo signo despe-se de roupagens éticas. Quando um homem como Belmiro de Azevedo se dá ao cuidado de afirmar que a OPA a que se propõe não é hostil, das duas uma: ou está transido de preocupações linguísticas; ou esconde uma intenção semântica vulgar sob a capa da figura jurídica.
Será que, no seu entendimento, uma OPA hostil apresentada com civismo e urbanidade merece rótulo diferente? Por causa desses pruridos, ainda inventam uma terceira designação, a figura da OPA SIMPÁTICA, selada com uma palmada nas costas. As minhas reservas brotam da constatação de, tratando-se de uma OPA hostil, a família Azevedo não assumir, sem complexos, o facto. Não é com falinhas mansas que se colmatam as muitas omissões e falhas de que, na opinião de muitos analistas, esta operação enferma. Não se pode dizer, num negócio desta envergadura, que os pormenores são para cuidar mais tarde. Todas as opacidades são rejeitáveis, sendo que algumas delas deixam, no caso vertente, margem para todas as suposições.
Bill Gates veio a Portugal e estabeleceu uma série de protocolos com o governo. Ninguém pode, com um mínimo de seriedade, criticar a visita ou os acordos. Como não sabia por onde pegar, Marques Mendes tirou da cartola esta pérola:
Segundo ele, mais de metade dos ministros terão estado de uma forma subserviente, quase de boca aberta, a receber, ouvir e aplaudir o senhor Bill Gates. Isso seria ridículo e um acto de um provincianismo enorme.
Ridículo e provinciano é ter de rachar lenha de qualquer modo, à força, inventar, fantasiar qualquer coisa para não ter de deixar uma boa iniciativa sem mácula, meter uma bucha mesmo que seja uma bucha desajeitada e sem graça, de actor de terceira. Provinciano é o mau gosto recorrente de fazer oposição gratuita, ex-libris dos políticos de pacotilha, infelizmente sobrantes no triste panorama da política à portuguesa. Poderia ter tentado encontrar uma fraqueza em qualquer dos protocolos ajustados, mas não, isso daria demasiado trabalho, obrigá-lo-ia a um esforço de estudo e análise. É muito mais fácil desbocar um disparate qualquer.
Se ele (ou qualquer outro, de qualquer partido) se sente obrigado a dizer mal, para poder agradar aos tigres-dente-de-sabre do partido, a dúvida que se põe é: ele existe enquanto líder e em função da própria estratégia ou tem de enfiar, metódica e regularmente, a máscara que o faz passar por um líder que não gostaria de ser? Isto é, ele existe ou é uma alegoria?
Deus nos livre!
Médicos de todo o País, reunidos no Hospital de Santa Maria confessam não saber como lidar com a gripe das aves, se aparecer um caso suspeito. Desconhecem “como confirmar o vírus, quais os procedimentos para o isolamento de um infectado ou qual a calendarização para a toma do oseltamivir”. Eu não sou médico e as preocupações adiantadas são iguais às que eu, leigo, manifestaria, isto é, sobre a matéria em preço, os médicos sabem mais ou menos o mesmo que eu.
Graça Freitas, subdirectora-geral de saúde, descansa o pagode: está tudo sob controle, ainda não divulgámos os procedimentos para não alarmar,se isso acontecer, as determinações percorrerão o caminho certo, no momento exacto. Será que vão dá-las por telefone ao médico de serviço? Faça assim, agora faça assado, percebeu, quer que repita, não se enerve, daqui a 5 minutos telefone outra vez.
Presente na reunião, Graça Freitas, teve de transmitir aos médicos que tudo está equacionado, desde a contingentação aos procedimentos hospitalares. Contudo, o argumento "alarmista" como justificação da ausência de normas parece uma desculpa arranjada à pressa de quem foi apanhada de surpresa e não tem nada preparado. Posso estar enganado mas receio não estar. É que a desculpa não colhe, de maneira nenhuma. Divulgar os procedimentos, depois do aparecimento dos casos é uma ideia mais que peregrina. Alarme? Alarmados ficamos nós ao ouvi-la, Drª Graça Freitas.
Até ao ano passado, manifestação de fortuna era comprar carro por um valor superior a 50.000 euros. A partir deste ano, você compra o carro mais barato do mercado e isso é... manifestação de fortuna. Essa compra evidencia claramente que o meu amigo vive acima das suas possibilidades.
O Estado sabe muito bem que o leitor, ou está desempregado; ou frequenta um estágio não remunerado; ou presta serviço de voluntariado. Em qualquer dos casos, o visitante mais frequente das suas algibeiras é o cotão; logo depois vem o fisco que, com a criatividade do costume, ainda descobre uns trocos que caíram, pelo buraco da sua algibeira rota, nos interstícios do forro dessa coisa a que, com a maior boa vontade, costuma chamar casaco.
Você compra um "chaço" para ir à pesca e, o que é que esperava, isso é manifestação de fortuna, meu amigo! Tenha decência e, vá lá, pague o "pato". Num país como o nosso, como é que ainda se atreve a ir à pesca? Onde arranjou os anzóis? Não serão de importação? Um carro para ir à pesca? olha o finório! Está taxado! Não é para ir à pesca? Está taxado! Em qualquer dos casos, está lixado!
"O Ovo da Serpente" ou "Quem Semeia Ventos Colhe Tempestades" ou de como a claque dos superdragões provou que é como o vinho branco de Cabeção: não conhece o dono. O vinho branco de Cabeção pelos melhores (e mais calorosos) motivos, bem entendido. Nunca, até agora, em tantos anos, ouvi um (UM SÓ) dirigente do FCP condenar um acto menos próprio dos seus meninos de côro. Agora, toma, mordem o criador: His Master´s Voice quer engolir a própria cabeça! Por burrice, não percebem que matando o hospedeiro, morrem também, qualquer vírus em processo iniciático percebe o básico que isso é. PC mordeu o dedo e chupa o sangue: prova do próprio veneno.
Aconteceu tudo muito depressa. Segunda-feira ainda era não. Terça, andou-se entre o nim e o sim. Quarta, já era um claro sim ao Complexo Desportivo do Lusitano. Hoje, "A Bola" anunciava a escolha da cidade de Évora para o estágio da selecção. Havia outros candidatos mas não sei o que lhes aconteceu. Nas cabeças dos dirigentes federativos, havendo infraestruturas, haveria estágio, deve ter sido mais ou menos assim.
Ontem, uma reportagem de TV mostrava um campo de urzes, chaparros e veredas. O locutor de serviço apresentava-nos assim ao futuro Complexo. Ao ver aquilo, comecei a fazer contas de cabeça, estamos em Fevereiro, o estágio é para Maio, se for mesmo para o fim de Maio não chega a quatro meses, se os alentejanos tiverem a coisa pronta nunca mais digam que somos lentos. Se não houver tempo, também não tem problema: quem é que, em quatro meses, consegue fazer aquilo? Será desmontável?
Depois do parecer negativo (ver post anterior), a CCDRA volta com um preciosismo: "do ponto de vista técnico, a localização não é adequada mas não há mecanismo jurídico que impeça o projecto de avançar." Pois... não está certo mas não se pode impedir. Estranho. Se não houvesse problemas de ordenamento, poder-se-ia avançar. Havendo problemas de ordenamento, avance-se. A lógica é uma batata. Não fora a forte contestação e o ovo não era posto. É cá um palpite.
Agora, para a frente, que o tempo urge. O estágio da selecção começa em Maio. Teremos a obra pronta? hum... Beja está à espreita e já tem instalações. Já para não falar em Viseu e Melgaço, com um Maio mais ameno.