A CCDRA (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo) chumbou o complexo desportivo do Lusitano de Évora por a proposta ser, cito, "inadequada, não possuindo enquadramento nos instrumentos de gestão territorial em vigor". Este português retórico e vazio serve para chumbar esta proposta ou outra qualquer que vise desenvolver, seja em que área for, a região alentejana. Espartilhados por princípios e dogmas, os senhores da CCR, em nome de fundamentalismos ambientalistas e de ordenamento rural, só vão permitir que o Alentejo se desenvolva depois de os primeiros colonos chegarem à Lua. Até o Alqueva é intocável (por isso só é habitado por rãs). O espaço rural alentejano, viveiro de papoilas e estevas, não pode ser profanado. Depois, admiram-se por haver mais alentejanos em Almada do que em todo o Sul do País.
Chamar "de Desenvolvimento" a esta comissão é o supremo gozo dos alentejanos, habituados que estão a toda a espécie de entraves. O Alentejo, desde sempre marchante de duas velocidades (lento e muito lento) "empanou" de vez no malfadado dia em que esta avantesma foi parida. Um dia todos lhe chamarão "Comissão de Coordenação e Despovoamento Regional do Alentejo".
Em post de 24 de Janeiro, fiz eco de uma minha convicção: mais facilmente teremos a visita de uma crise constitucional do que de uma crise institucional. Talvez "crise" seja um termo forte e a revisão acabe por ser consensual, sob certas premissas. Uma dessas premissas poderá ser uma abordagem "soft" de matérias "soft", como a questão do mandato presidencial. Depois, gradualmente, ganhar-se-á balanço e fôlego para mais altos vôos. Para começar, o Professor Marcelo R. Sousa vem dizer que o mandato do presidente deveria ser único e por um período de sete anos. A justificação: libertar o PR da sujeição a sufrágio. Não me parece um motivo suficientemente forte. Por que não sujeitar o presidente a sufrágio? Em que patamar estamos a colocá-lo? Preocupações dessas só se justificariam se de um monarca se tratasse (ou nos preocupássemos em lhe conferir um estatuto semelhante). No meio destes ocasionais pensamentos, vou à net procurar reacções. Nem de propósito, uma delas é exactamente de um portal monárquico a considerar essa proposta como muito positiva. Numa prosa bem concebida, o portal descobre (ainda) alguns buracos no discurso de Marcelo.
Vamos esperar. A Constituição virá à baila muitas vezes nos próximos tempos. Causa: o reduzido espaço de manobra do Presidente da República.
Desde a estreia de Amadeus, o famoso filme de Milos Forman, que não se ouvia falar tanto de Mozart. Na altura, a película serviu para divulgar o seu génio, mais do que a sua vida, um tanto "recriada" naquela película, um pouco à custa do prestígio (e do talento) de um outro grande compositor, António Salieri. Agora, nos 250 anos do seu nascimento, as celebrações por todo o mundo relançá-lo-ão e levá-lo-ão aos que ainda não puderam apreciar a genialidade convertida na melhor música jamais feita. Que me perdoem os admiradores de Wagner e Beethoven, mas nenhum deles compôs algo tão arrebatador como o Requiem do compositor de Salsburgo, em meu entender (modesto entender, de um melómano que se confessa pouco estudioso e, talvez por isso, menos receptivo à densidade de Wagner; ou menos atento a Beethoven) o vértice da perfeição, na História da Música. Nunca ouvi um Requiem que me pusesse na alma uma tão definitiva saudade; ou me fizesse sentir tanto a irreversibilidade da perda (e não só de pessoas).
Passa, hoje, o aniversário do nascimento de "Wolfie". Os seus (magníficos) trabalhos pautarão, todo o dia, o ritmo da casa onde vivo, baixinho, quase em surdina, a perfeição em som de fundo. (O canal Mezzo passará Mozart, durante 24 horas)
Percebo o impulso que levou uma senhora, quando a vitória de Cavaco era dado adquirido, a gritar à varanda, tão alto que se deve ter ouvido em Évora-Monte, «temos de acabar com os comunistas deste país!»
Eu percebo este sentimento que se traduz numa necessidade mccarthysta de revanche nunca saciada, que deixa prenhe de ódio o peito de uma certa clique agrária, no Alentejo. Como tenho a mania da perseguição, fiquei a pensar que o recado era para mim. O problema é que não gosto que me colem rótulos, é uma coisa que me chateia. Mesmo porque, aqui fica a declaração, EU NÃO SOU COMUNISTA (é a segunda declaração anti-comunista que preencho, desde que me conheço: a primeira foi quando me candidatei ao quadro de professores, há muitos anos atrás).
Não estou inscrito, nem nunca estive, em nenhum partido político. Ao longo destes mais de trinta anos, votei nos três maiores partidos portugueses (partido comunista incluído) e quero continuar a fazê-lo liberto de todos os constrangimentos.
O que eu sou, decididamente, é português. Pode ser um mau hábito, mas não há volta a dar-lhe, é de nascença. Tenho orgulho da História que deu corpo à nossa estranha identidade e, à semelhança da maioria dos meus concidadãos, fico amargo, às vezes trauliteiro, pela tristeza de ver os tratos de polé a que têm sujeitado este povo e esta terra.
Reajo como comunista, umas vezes; como socialista, outras; como social-democrata, ainda outras; e até consigo, por vezes, um tom reaccionário, que me desgosta. Mas, de todas as vezes, o que nunca me esquece é a condição de ser português: é do sangue que me corre nas veias.
Um apoiante de Cavaco é cavaquista; um apoiante de Soares é soarista; uma apoiante de Alegre é alegrista? Não, é simplesmente um cidadão atento.
Eu e todos os que apoiaram o poeta mostrámos que não andamos a dormir na forma e (surpresa) ainda somos bastantes. Tantos que se justificaria reunir as hostes e formar mais uma espécie de partido ou movimento para a cidadania? Outra vez não. Manuel Alegre deve voltar ao que sempre foi e continuar a ser um exemplo para todos, uma reserva atenta, um vigilante da democracia.
Se for desafiado para, no congresso, medir forças com Sócrates, com a desculpa de que isso é absolutamente necessário, não deve aceitar. Não pode permitir que sejam terceiros a marcar-lhe os tempos de actuação ou de decisão ou a regular a sua agenda política: foi candidato à liderança no partido mas agora não é. Se um dia resolver voltar a candidatar-se, deve fazê-lo por sua única, inteira e exclusiva vontade.
Fez o que tinha de ser feito, ponto final. Se alguém achar que não pode ficar a falar sozinho, então não fale. É da maneira que tem menos azia.
Faz hoje dois dias que Cavaco ganhou as eleições. Segundo alguns analistas, faltam apenas cinco meses e vinte e oito dias (no máximo) para ser desencadeada uma crise institucional. Não acredito. Nesta relação, não se queimarão etapas e entre cortejo, sedução e núpcias, decorrerão sempre mais de seis meses. Já para não falar de que os primeiros mandatos são sempre mais para o «soft». A haver crise, ela terá uma tónica menos institucional e mais constitucional. Cavaco Silva depressa constatará não ter vida para poltrona. Mais cedo ou mais tarde, há-de enfastiar-se de inaugurações e dos discursos da ordem, no Natal, no Ano Novo e nas datas a que a formalidade obrigue (Vinte e cinco de Abril, Dez de Junho e Cinco de Outubro). Não me esqueci do Primeiro de Maio, foi de propósito. Depois, confrontado com a degradação social e económica, há-de dizer com os seus botões «tenho de agir, deveria agir, mas estou enredado pelas teias de uma Constituição castradora». Como não é homem que se limite a um encolher de ombros, até lhe há-de faltar o ar. Então, sim, nessa altura, desencantará a sua botija de oxigénio numa revisão da Constituição. Se houver fricções institucionais, elas apenas consubstanciarão uma consequência marginal, um resíduo, um ruído de inércia. Porquê? Porque, na verdade, esbracejando todos com água pelo nariz, ninguém se importará muito de levar com a bóia na cabeça.
Não espere nada de bom. Cuide-se! Tem bastas tarefas pela frente, todas mais difíceis que a que acabou de levar a bom termo. Será desafiado, provocado, para que cometa erros. Terá justas aprazadas no congresso (eventualmente antecipado) e levará uns empurrões na direcção da porta da rua. Serenidade, é tudo o que precisa.
Ab inimicis possum mihi ipsi cavere, ab amicis vero non. Cuidado com os amigos pois que, contra os inimigos, precavido está!
O Senhor Dr. Cavaco Silva é o novo presidente de todos os portugueses com, pelo menos, uma excepção: eu. Não é drama nenhum, estou habituado. Há uns bons vinte anos que não tenho presidente. Verdade se diga que os outros portugueses também não tiveram, mas não deram por isso. Ou acreditam que um formalismo vale mais que uma substância. Não acreditam que, substantivamente, desde Eanes que vivemos em monarquia? Pois, vivemos, mas à sombra de uma mentira piedosa: vivemos numa república porque temos um PR. Eu diria que vivemos em monarquia porque não temos PR. E dela colhemos, uns com proveito, outros nem tanto, os vícios que a fizeram cair, em 1910: um monarca; uma nobreza falida cheia de nove horas; uma clique burguesa que detém o poder político e económico e decide quem pôr à mesa; dois partidos que fazem do poder uma partida de ténis, agora "raquetas" tu, logo "raqueto" eu; e uma mole imensa de tolos (entre os quais este humilde escriba) que faz figuração e claque. A barba stulti discit tonsor!
No Olimpo, patamar dos deuses, casa de Zeus, é este o lugar onde julgam viver alguns fazedores de opinião. Autopromovidos ao Poder, umas vezes, e ao contra-poder outras, crêem firmemente ser capazes de mudar o curso dos rios, o lugar das montanhas, decidir os destinos dos povos. Acreditam que o Mundo começa e acaba nas redacções onde congeminam fados; ali flutuam, descrentes da sageza dos mortais.
No último número do Expresso, contudo, os acólitos das vestais mostraram uma incomparável vocação para a burrice, a sua imortalidade ingénua levou duro golpe. Mudar o sentido de voto da área socialista, fabricar um facto político, o resto fluiria como as águas do Aqueronte (já que estamos em maré de mitologia). Nada mais fácil: eles, a bíblia do povo, só teriam de publicar, não uma sondagem, mas uma indicação de voto. Foi o que fizeram.
Perderam! Perderam a aposta e o crédito. E sem crédito, ninguém ousará neles apostar um cêntimo que seja. A começar por mim.

Alguns membros de governo fazem lembrar o famoso miner Willy, escavando fundo, não na mina do doido boneco de Mathew Smith, mas na credibilidade do governo que, o mesmo é dizer, na sua própria credibilidade.
A novela entre Mariano Gago, José Tavares e José Sócrates, a propósito do MIT é daqueles episódios absurdos, quase surrealistas, denunciador, porque não dizê-lo, de alguma falta de coordenação e liderança. Vem o antigo coordenador do Plano Tecnológico acusar Gago de não querer o MIT; pressuroso, o ministro acusa-o de faltar à verdade. Sócrates, sem necessidade, deita sal no lanho, avisando que não é um funcionário público qualquer que decide o que, sobre a matéria, houver para decidir.
Poupem-nos! E párem de dar tiros nos pés.
Os resultados das sondagens não mostram grandes discrepâncias, em relação a 4 dos candidatos: Cavaco, sempre nos limites da eleição à primeira; Jerónimo e Louçã, sempre na disputa de margens próximas, em números que vão de 5 a 7 por cento; Garcia Pereira a mover-se entre meio e um.
Agora, a eurosondagem/expresso mostra-nos números que contradizem todas as amostragens divulgadas, no combate Alegre/Soares. O poeta acusa a empresa de manipulação e fala em milagre das rosas. No domingo, vamos tirar dúvidas. Se os números divulgados no Expresso estiverem mais próximos da verdade, a eurosondagem sairá fortemente credibilizada. Se for a única que se enganou, ninguém os livra de suspeições. As sondagens têm de ser sérias, sob pena de se tornarem motivo, primeiro de descrédito, depois de riso, num processo autofágico que engolirá também o prestígio daqueles que dão a cara por elas. E, nalguns casos, vendo bem, o castigo será (eventualmente) merecido.
Há dias, a propósito das taxas de parqueamento, escrevi um "post" dando conta que, em Elvas, se pagava metade da taxa de Évora. Tentando fazer ironia, acrescentava eu: "apesar de a cidade raiana não ser (por enquanto) Espanha".
Vai-se a ver, talvez já seja. Uma chamada de telemóvel para Évora, a partir de lá, foi-me cobrada em regime de "roaming". Como foi possível não sei, já que não escrevi o indicativo de país. Os elvenses já são espanhóis e ninguém os informou! Eu visitei Castela e ninguém me disse nada. Bem que desconfiei, ao receber uma mensagem que me desejava uma boa estadia em Espanha, mas encolhi os ombros e pensei "a Badajoz não vou, não tenho nada contra a ideia, mas tenho mais que fazer!"
O pavilhão multiusos, em fase de acabamento, à entrada da cidade, é tão magnífico que, lembro-me, ao passar por lá, congeminei, com os meus botões "deve ser influência da proximidade com Espanha, este arzinho de desenvolvimento que se respira em Elvas." Será que os capitais são espanhóis? O apropriamento da cidade é matéria factual? Ou apenas tácita? Os espanhóis são espertos e já perceberam que lucram (muito) mais se continuarmos todos a fingir que Elvas é Portuguesa, que Portugal é Português: fica-lhes mais barato!
Paul Cezanne (pintor),
Edgar Allan Poe (escritor),
Augusto Comte (filósofo),
James Watt (físico),
Robert Lee (estratega militar)
Gente ilustre que teria hoje o seu aniversário.
Entrevistas a 8.000 cidadãos europeus, num inquérito levado a efeito pelo Observador Cetelem (ligado ao Banco Cetelem, de crédito ao consumo) mostram que:
os portugueses são os mais inquietos (65% dos cidadãos, contra uma média europeia de 41%) e mais revoltados (17%), sendo os menos resignados com a situação actual (3%).
Acredito que somos os mais inquietos, alimento algumas dúvidas que sejamos os mais revoltados e não acredito, decididamente, que sejamos os menos resignados. O comportamento dos cidadãos portugueses é abúlico, indiferente e fatalista, parecendo esperar sempre até ao limite do inadmissível, descerrando condescendentemente a pálpebra se o céu lhes cair na cabeça. Não conhece (nem está interessado em conhecer) os seus direitos, nem em fazer valer, ou requisitar, muito menos exigir, o estatuto de cidadão inteiro.
Será que reagiríamos da mesma maneira se um dia, personagens de uma parábola qualquer, nos conduzissem, em consciência, a um precipício sem remissão para nos despenharmos, como "lemmings", num vôo de morte certa?
É minha convicção que sim.
É um grande alívio, desta vez a gasolina não subiu. Contenção nessa língua viperina, sempre pronta a dardejar "gafanhotos" venenosos sobre os esforçados governantes. O que subiu foi o imposto que faz parecer o combustível mais caro. Porque uma coisa é parecer, outra é acontecer. O preço do combustível mantém-se, quieto há mais de 10 dias, numa das suas curtas hibernações. Falar muito nisso é correr o risco de acordar a "besta". Calem-se, pois! Voltem a atenção para os senhores que enfiaram mais uma bucha no imposto, aproveitando o novo ano e a embalagem da carestia, à má fila, metendo a mão no bolso do incauto tuga. Dito assim, parece indolor. Experimentemos de outra maneira:
É a ti, grande parvo, que eles "filam" os últimos cêntimos!!
Hoje, comemora-se o 83.º aniversário do nascimento de Eugénio de Andrade, com o lançamento da antologia definitiva, um volume com 600 páginas, repositório de toda a sua admirável obra. A homenagem e o lançamento são promovidos pela Fundação com o seu nome e decorre, naquela sede, pelas 18.30.
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
A nova lei da rádio já faz esfregar as mãos àqueles (mais incautos e distraídos) que fazem da música um modo de vida (autores, intérpretes, editoras que apostam em português). A quota reservada para a música portuguesa é de 25%. Nada mau, hein? Mas pensem um pouco melhor e deixem de sorrir. A lei anterior nunca foi respeitada. O que é que aconteceu aos prevaricadores?
Bom, faz-se uma nova lei, com coimas desmobilizadoras (até 50.000 euros). Quem a vai fazer respeitar? Estamos todos fartos de saber como se desrespeita a lei, em Portugal: no início, à cautela, haja recato, cuidado, nao vá haver algum maluco, um chico-esperto mais papista que o Papa, armado em salvador do Mundo, que nos "ferre" o dente com os tais 50.000 euros; depois, quando o pó assentar e a guarda do aparelho fiscalizador(?) baixar, entra-se de fininho, tocando no limite mínimo, quebrando-o aqui e ali; finalmente, perante a distracção generalizada das sentinelas, rasga-se o respeito e a lei, entra-se em velocidade de cruzeiro e... não acontece nada, até à próxima lei, com coimas ainda mais desmobilizadoras.
Era uma vez três: dois austríacos e um francês. O francês, um pouco mais audaz, puxa da espada e... zás, trás, pás! Mas não matou! Eu vou contar como tudo se passou: Era uma vez três...
Na celebração desta efeméride, recordemos a grande poetisa Soror Violante do Céu, que imortalizou a vitória em dois sonetos.
As tropas portuguesas foram comandadas pelo General André de Ribafria que pertencia a um dos ramos da família Albuquerque, a que também pertenceu Afonso de Albuquerque.
Apesar da vitória das tropas portuguesas, o general morreu durante a refrega. A vitória (por um lado) e a sua morte (por outro) transformaram o general num dos portugueses de maior fama, no séc. XVII.
A poetisa barroca Soror Violante do Céu, nascida durante a governação filipina, imortalizou a gesta do guerreiro de Ribafria, num soneto (que não fui capaz de encontrar nas minhas buscas). Tocada pela exaltação, escreveu também um soneto dedicado a D. João IV:
A el-rei D. João IV
Que logras Portugal? Um rei perfeito.
Quem o constituiu? Sacra piedade.
Que alcançaste com ele? A liberdade.
Que liberdade tens? Ser-lhe sujeito.
Que tens na sujeição? Honra e proveito.
Que é o novo rei? Quase deidade.
Que ostenta nas acções? Felicidade.
E que tem de feliz? Ser por Deus feito.
Que eras antes dele? Um labirinto.
Que te julgas agora? Um firmamento.
Temes alguém? Não temo a mesma Parca.
Sentes alguma pena? Uma só sinto.
Qual é? Não ser um mundo, ou não ser cento
Para ser mais capaz de tal Monarca.
Mas, para que se tenha uma ideia mais cabal da qualidade poética de Soror Violante, leiam este monumento:
Vilhancico à Magdanela [1]
Mote:
Que pode ser, se não é,
Madalena, pois, assim
Brilha senão Serafim.
Sol, Estrela, Rosa ou quê?
Madalena a quem amor
De tal sorte faz arder
Que tem deixado de ser,
Quem era antes deste ardor.
Se não é Sol, nem é flor
Se nela já se não vê
Nada de humana (porque
de humana já degenera),
Deixando de ser quem era,
Que pode ser se não é?
Eu digo que é tanto já
Depois que deixou de ser.
Que é Serafim, pois no arder
Igual com eles está:
E que com razão terá
O lugar de Serafim:
Que, se eles ardem sem fim
No fogo do amor Divino.
Arde também de contino
Madalena, pois, assim.
Pelo que chega a ser tanto
Que, absorta na luz mais pura,
É no ardor e formosura
Serafim que causa espanto.
Os que prodigio tão santo
Admirados, vêm assim
Chamam-lhe Rosa e Jasmim;
Outros Sol, que está brilhando,
mas nada parece, quando
Brilha, senão Serafim.
Com tudo que é Sol, e Estrela
Rosa e Jasmim dizem todos,
Porque por diversos modos
É unicamente bela.
Serafins, que vedes nela
Tudo o que o Mundo não vê,
Para que aplauda o que é
Com a voz e com a pena,
Dizei-me se é, Madalena.
Sol, Estrela, Rosa ou quê?

Depois de ter sido multado no Centro Histórico de Évora, fiz, aqui, várias considerações sobre o SITEE. Estava irritado e, balanço feito, constatava que a visibilidade da empresa dizia sobretudo respeito à cobrança, fiscalização e coimas. A receita parece ser (é) a grande preocupação. Em matéria de gestão de trânsito, na vertente "melhoria da mobilidade e estacionamento", estamos conversados. Ainda por cima, os autocarros (novos, é verdade) passam de... hora a hora (no meu bairro, pelo menos). Por outro lado, a linha azul não me serve para nada. Ou fico "barrado" pelas limitações de horários... ou vou de carro para a cidade. Vou, pois, de carro para a cidade. Como não tenho direito a cartão de residente (ainda que o meu BI me aponte como morador em Évora), vou pagando estacionamento a 60 cêntimos à hora (120 paus, hein!)
Volto à "vaca fria" porque ontem fui a Elvas e estacionei no centro da cidade. Constatei, agradado, que o estacionamento é, ali, cobrado a metade do preço. Como sei que Elvas não é (ainda) Espanha, não pude deixar de fazer comparações e reflectir. Em Portugal, tudo aumenta, indiscriminadamente, num despudorado aproveitamento da crise. Em Elvas, parece haver pudor e decência; respeito pelo munícipe e pelos visitantes. Manter certos patamares nas fronteiras do decoro, parece ser a política dos autarcas elvenses. Até o estacionamento subterrâneo é barato. Ainda por cima, na base do ticket (tive de esfregar os olhos porque pensava que tinha sido banido do manual de boas maneiras, na sociedade portuguesa), o bom e velho "MUITO OBRIGADO". Belo exemplo, Senhor Presidente. A contenção dos aumentos é difícil mas confere distinção. Feio é... aumentar.
Decente é o acto que não ofende o nosso código de valores. Contudo, na sociedade portuguesa, hoje, a legalidade (ou seja, o que não for ilegal) configura, por vezes, actos indecentes. As pessoas refugiam-se no chavão do cumprimento da lei mas fingem esquecer que isso não chega.
Pode algum orgão de soberania apoiar um candidato a PR? Se sim, esclareçam-me e desculpem a minha ignorância. Curvar-me-ei perante a sabedoria dos sábios e a evidência da preclareza que me foge.
Mário Soares levou um recado de Luís Amado aos trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo: não haverá privatização!
Um recado inocente, feliz, encerrando boas notícias para os trabalhadores. Portador da boa nova: MÁRIO SOARES.
As coisas são como são: o Inverno traz a gripe; a Primavera, as alergias; Manuel Alegre, as cisões; Mário Soares, as boas notícias.
Não é ilegal? Tenho dúvidas. Mas , mesmo que não seja, é indecente!
Gosta de escrever? Tem algum conto infantil por publicar? Então está na hora de mostrar o que vale. Mande os seus originais.
V Concurso literário TROFA _ CONTO INFANTIL
PRÉMIO MATILDE ROSA ARAÚJO
Pode concorrer até 31 de Março 2006
Entregue os originais em mão na CASA DA CULTURA DA TROFA
Por correio -
Carta registada com aviso de recepção para:
Vereador do pelouro da cultura
edifício sede - polo 1
R. das indústrias 393 - apartado 65
4785-624 Trofa
Na sequência dos comentários do Rui Martins e do Moura Serra ao post que intitulei "Extinguimos ou fundimos?" aqui republico o texto de Setembro:
Ser funcionário público, hoje, encerra uma boa e uma má notícia:
A boa notícia: Ninguém te chateia;
A má notícia: Toda a gente te chateia.
Isto é, os teus chefes não têm poder suficiente para te moer o juizo mas (vox populi) consta que a desorganização generalizada até dá para, como direi, "sornares" um pouco. E isso incomoda-te, és um tipo certinho, até vais cumprindo, as pessoas são injustas, o Mundo é injusto.
Hoje, numa rua de Évora (não digo qual), passei junto à janela de uma repartição pública (também não digo). Deu para ver quatro funcionários e nenhum utente (se havia algum, não coube no meu campo de visão). Três deles falavam animadamente, de pé, junto a uma secretária. O quarto trabalhava.
O grande problema do funcionalismo gira, hoje, em torno de duas grandes questões:
A gestão dos recursos humanos;
A produtividade;
A primeira condiciona, claramente, a segunda. Se numa repartição de 4 funcionários não há trabalho para todos, a produtividade de um é a dividir por quatro. Mas se uma repartição tem funcionários a menos, o serviço acumula-se, atrasa-se, muitas vezes pára, e a produtividade volta a ressentir-se, aqui, com a agravante de atrasar a vida de muitos utentes que dependem do serviço.
Esta pescadinha de rabo na boca tem origem na (má) gestão dos activos humanos, quer no tocante ao desequilíbrio de necessidades de serviços diferentes; quer no que toca à distribuição de tarefas, no mesmo serviço.
Vamos a organizar-nos. Vivemos num país que se diz moderno. E não queremos ser república das bananas (não temos produção suficiente).
O Diário Digital cita o ministro das finanças revelando que dezenas de organismos podem ser extintos ou fundidos no âmbito do PRACE (um programa de reestruturação da administração central). Claro, claro, eu sei, trata-se de salvar a Pátria. Salvá-la de quem? Isso agora não interessa nada. Com esta fúria racionalizadora, não são só serviços que estão à beira de extinção em Portugal, os próprios portugueses correm esses risco mas (pior que tudo) fechando tanto serviço, organismo e departamento, um dia destes, Portugal inteiro corre o risco de extinção. Extintos e... fundidos, triste sina a nossa!
Todos os safanões até hoje aplicados, à laia de grandes remédios para grandes males, na democracia portuguesa, prescrevem sempre a mesma receita aos suspeitos do costume: dieta e apertão no cinto. Este desconcertante desvelo ainda nos trará a benção de... morrer da cura. Bem haja, senhor ministro!
As intervenções de Sócrates na campanha de Soares são um disparate e é evidente o seu constrangimento. Consciente do erro, ensaia um ar voluntarioso e decidido mas o embaraço é indisfarçável. Só um homem tolhido por não se sabe que peias pode forçar-se a si mesmo (eu ia a escrever «violentar-se», tão claro é o desconforto) a embarcar na aventura Soares minada, à partida, pelo germe do fracasso. Que diabo, estamos a falar do Primeiro-ministro, de alguém a quem se exige o esforço de conviver com o nome que lhe couber na rifa. E, nesta corrida, o cavalo em que aposta não passa de uma pileca sem fôlego (passe a expressão, não quis ofender mas não resisti ao apelo da imagem, foi a que me veio à cabeça). É verdade que, como em todas as apostas fortes, corre sempre o risco (baixíssimo) de ganhar e, nessa eventualidade, sairia desta contenda com ganhos pessoais e políticos elevados. Mas e se (como tudo indica) vier a perder? Quem o põe a salvo de toda a espécie de acusações e insinuações internas e externas, no caso de (muito) prováveis conflitos institucionais com o novo PR, sobretudo se for Cavaco Silva? Não é a atitude de um homem de Estado, esta de Sócrates e está a pôr-se mesmo a jeito no caso de tudo correr o pior possível (do ponto de vista dele, evidentemente). Veremos se não tenho razão.
Fiquei curioso sobre a personalidade de Agustina, depois de a ter ouvido dizer de Manuel Alegre que se trata do "maior dos poetas assim-assim".
A escritora concedeu uma entrevista ao site da Sociedade Portuguesa de Autores. Dela, respigo, com a devida vénia, alguns apontamentos, que talvez ilustrem aspectos interessantes da sua personalidade:
Autores - Dizem que a Agustina é velhaca. Lá no seu fundo, há qualidades?
Agustina Bessa-Luís - Quando me perguntam qual é a minha maior qualidade eu digo que é a paciência...
A - Foi o seu feitio que a levou a dizer que o Manuel Alegre é o melhor dos poetas medíocres?
ABL - Isso foi uma brincadeira. Mas está a citar mal. Eu teria dito que Manuel Alegre é o melhor dos poetas assim-assim. Aos escritores perdoam-se as coisas menos perdoáveis, eu acho que as minhas opiniões não matam ninguém.
...
...vou dizer uma coisa chocante: a sociedade esclavagista era mais afectuosa do que a nossa, os escravos eram mais bem tratados do que os cidadãos de hoje. Neste momentos assistimos a aspectos mais subtis de escravidão. A Comunicação Social mete-nos todos os dias em casa provas do que estou a dizer.
A - Vamos falar da Literatura Portuguesa...
ABL - A Literatura Portuguesa já desapareceu. É verdade que são publicados muitos livros mas que ninguém tenha a ilusão de que a literatura é feita por uma multidão. Do nosso passado literário retenho dois ou três nomes.
A - Só?
ABL - Aponto como figuras tutelares Bernardim Ribeiro e depois dou um grande salto para Camilo Castelo Branco. Esses são grandes em qualquer parte.
A - Camilo vivia muito fechado no seu Portugal provinciano, como pode ser um escritor universal?
ABL - Ainda bem que refere isso. Eu defendo que os grandes escritores e os grandes governantes têm de ser provincianos. Dou o exemplo de Flaubert.
...
A - E a exclusão, o racismo, o desemprego?
ABL - As pessoas que participam nos conflitos em França, por exemplo, vivem em bairros melhores do que os das nossas cidades e são mais bem tratados que os portugueses em Portugal. Portanto, os conflitos dizem respeito aos afectos de toda uma sociedade.
A - Se fosse ministra da Cultura, qual era a sua primeira opção?
ABL - Demitia-me.
A - Fale a sério...
ABL - Instituía de imediato um prémio para os analfabetos. Agora estamos a fazer analfabetos com uma rapidez estonteante. Mal aprendem qualquer coisa vão logo para a internet e nunca mais lêem um livro ou escrevem uma carta aos amigos.
A - O Poder não a fascina?
ABL - Tenho um grande fascínio pela tirania, gostava de ser Catarina da Rússia. O que ela fez só se podia fazer com aquela força, com aquela firmeza. Uma tirania poética...
A - E Salazar?
ABL - Esse não era tirano. Só se apercebeu do poder que tinha quando contactou com os grandes líderes europeus, durante a II Guerra Mundial. Aí sentiu-se superior a eles e deixou de ser o administrador que foi até então. E era um bom administrador...
A - Está a desculpar a ditadura?
ABL - Portugal é um país pequeno, não tem espaço para uma ditadura. O regime de Salazar era autoritário. Até certo ponto teve pessoas notáveis à volta dele, mas depois essas pessoas debandaram e ele cercou-se de medíocres. Mas isso é assim em todos os regimes. Ditador era o Mussolini. O regime de Salazar era autoritário.
A - Recentemente, defendeu que Maria, a mãe de Jesus, era uma mulher rica. Estava a fazer ficção?
ABL - Eu cheguei a essa conclusão depois de ler os Evangelhos Apócrifos e depois de investigações que fiz em Israel. Como católica também fiquei surpeendida. Quando em França me pediram para falar nisso, eu disse que era uma escritora do meio provinciano português, do Porto, era melhor passarmos à frente.
ABL - ...Não há dúvidas de que o orçamento castiga muito quem trabalha.
A - Está a plagiar Jerónimo de Sousa?
ABL - Não, mas as esquerdas são muito importantes, quanto mais não seja para fazerem soar o alarme. Não tenho problema em subscrever o que Jerónimo de Sousa diz do Orçamento de Estado.
Pode ser que seja malvada mas está cheia de viço. Esta mulher ainda não envelheceu. Leiam-na. Eu vou fazer o mesmo. Perdoamos-lhe o desengraçado comentário sobre o Alegre se, no mínimo, for da mesma estatura literária. Apenas (e só) nessa condição.
Estou, neste momento, no Teatro Garcia de Resende. O candidato está atrasado. Na penumbra, vultos distribuem-se pela plateia e camarotes. Um sussurro percorre a sala, algumas pessoas cumprimentam-se, agradadas, às vezes surpreendidas, pela descoberta desta afinidade mútua de tentar eleger Manuel Alegre, cumplicidade desconhecida, agora revelada. Depois de anos de cumprimentos distantes, quem sabe, não poderão alguns dos presentes iniciar uma relação de maior proximidade, com base nesta súbita causa partilhada. Pela minha parte, já troquei saudações calorosas com 3 pessoas que costumo cumprimentar de forma um tanto fria, e com outras cuja opção já conhecia, é assim, coisas de meios pequenos.
Entretanto, no palco, afina-se o som, a iluminação, as distâncias, arrumam-se os fios, colocam-se os microfones, às vezes ouvem-se uns guinchos debitados pelas poderosas colunas, protestando, em linguagem «feedback», pelo mau trato do técnico.
Alguém, perto de mim, grita para o camarote «já chegou a Évora», olho o relógio do PDA em que escrevo, são cinco e vinte. A minha mulher, vinda da casa de banho, acrescenta que a caravana já está na Praça do Giraldo.
Então, começam a ouvir-se cânticos e vivas, na rua. De repente, um mar de gente, uma onda de esperança e energia leva Alegre até à entrada e, num ápice, o teatro enche: toda a plateia e três filas de camarotes. Agitam-se os corpos, as vozes e as bandeiras.

Pletóricos de energia, emoção a vir aos olhos, os peitos incham, as vozes enrouquecem. A esperança é possível. O teatro encheu!! Viva Manuel Alegre Presidente!

Quem terá sido o iluminado que, há mais de 100 anos, antecipou o dia 22 de Janeiro de 2006, dando a esta artéria eborense o nome de Cavaco? Um visionário? Um profeta? Uma antecipação de Chot Chelpan? Uma nova versão de Bandarra? Seja o que for, ou quem for, ou por que terá sido, descobri que, também numa freguesia da Maia, existe uma viela com o mesmo nome. Alguém andou a semear por aí uma tendência.
Mau Maria!
A Lisboa, onde vivi 30 anos mas onde sempre me senti um labrego inteiro. Não sou como o primo Elias que, mal entra na Ponte, lhe vem a enxaqueca, não chego a tanto, mas falta-me algum jogo de cintura para me sentir ali bem. Foi por isso que regressei às origens. Aqui, continuo a sentir-me um labrego, com uma vantagem: todos os que me rodeiam são como eu.
Vou hoje e regresso hoje. Mesmo porque amanhã tenho cá o Senhor Presidente Manuel Alegre de Melo Duarte, às 16 horas, no Teatro Garcia de Resende, uma das salas mais bonitas de Portugal, a moldura certa para o nosso PR. Só falta mesmo é que a outra moldura, a humana, seja a condizer. Nesta fase da campanha, o número de apoiantes que aparece constitui um barómetro importante que não podemos desprezar. E nem vale a pena estar a fazer apêlos, estas coisas são como são: vem muita gente? Ainda bem! Vem pouca gente? Mau prenúncio! Não será, contudo, por falta minha: levo a mulher, os filhos e a sogra. Até o canário levava, se o tivesse. Não vão contrariados, bem entendido, vamos todos porque... nós podemos ser labregos, mas não somos parvos.
Existe um efeito dominó no estardalhaço com que se esboroa a sociedade portuguesa e as suas estruturas. Dele faz parte a comunicação social sempre sedenta de atenção, de preferência à custa de medos atávicos, muitos dos quais sempre povoaram os nossos piores pesadelos. De entre todos, o receio de que o nosso défice de identidade se traduza pela perda da soberania. Pior que um português-português só um português-"outra coisa qualquer".
Nos últimos dias, as televisões e os jornais têm dado livre curso à imaginação, coçando as nossas feridas e temperando-as com vinagre, destacando notícias e afirmações que, a consubstanciarem uma realidade próxima, nos mandarão rezar missa por alma, a nós, à Nação. Vejamos, e só pela rama:
- Carlos Monteiro, Procurador-Geral adjunto, afirma, no Expresso, "a Justiça já cega, ficou surda, muda, paralítica e moribunda" adiantando que ela, a justiça é "um equívoco e um desastre".
- Ainda na mesma edição do Expresso, Vítor Veloso, médico, alerta para um mais que previsível "fim do IPO" e declara que "a saúde, em Portugal, continua doente".
- Há dois dias, Teixeira dos Santos, lança o aviso da previsível falência da Segurança Social.
- Hoje, o Correio da Manhã noticia que a PJ vai parar por falta de dinheiro.
Nós à rasca, e eles a prepararem o terreno para futuras ocorrências e decisões. A verdade, essa, esperemos que não seja como o azeite que encontramos por aí, depurado à custa de sulfuretos e benzinas. Se não fosse ridículo, daria graça. Diagnosticam-se os males mas parecem esperar apenas que o céu nos caia na cabeça (na nossa, bem entendido). Enquanto isso não acontece, vão encerrando serviços, vendendo participações e património, fazendo privatizações, vendendo anéis. Em época de saldos, estamos em saldo.
Todos assustam e se assustam. Os agentes económicos, vendo o casco da nau a ceder, apanham os últimos botes e rumam ao oriente.
Até eu vou, não vender, antes encerrar a minha participação no
"EGRÉGIOS AVÓS, INFAMES NETOS"
e vou abrir uma fábrica de loiça das Caldas no Bangladesh.
Um abraço a todos! Até um dia. SATYAMEVA JAYATE!