novembro 30, 2005

O bizarro Pizarro

Quem é este Manuel Pizarro, figura cinzenta e secundária, dirigente mortiço, apagado, sem história? Quer Alegre fora do Parlamento. É verdade que, toda a vida, o Poeta foi um incómodo para muita gente, mas este recado, só pode ser um recado, dada a "inexistência" de Manuel Pizarro, é de baixa política. O PS decidiu transformar Manuel Alegre no alvo principal, imagine-se! Manuel Pizarro? Com este nome só conheço o inesquecível instrumentista e compositor argentino que divulgou o tango por toda a Europa mas já desapareceu há mais de 20 anos. Estas aspas falantes não sabem o tango mas dão-nos uma "tanga" de bradar aos céus. Vergonhoso!

Publicado por ACarvalho em 01:32 PM | Comentários (0) | TrackBack

Logo, no São Luiz.

Logo, depois de almoço, vá tomar café à Brasileira, depois dirija-se, calmamente, ao São Luiz, e ouça, "pessoas dizem PESSOA"

Logo a seguir, veja (ou melhor, ouça, mas não só) "É a cultura, estúpido!". Convidados: Fernando Cabral Martins, José Afonso Furtado, Manuela Parreira da Silva e Richard Zenith.

Publicado por ACarvalho em 12:38 PM | Comentários (0) | TrackBack

Nos 70 anos da morte de Pessoa

Mar português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


O MOSTRENGO
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«EI-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«EI-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»


Teus olhos entristecem

Teus olhos entristecem.
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.

Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.

Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.

Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.

Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.

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novembro 29, 2005

Faltas? Só justificadas.

Valter Lemos, secretário de estado da educação, ferveroso combatente do vício absentista, clamou, urbi et orbi, no forum da SIC Notícias, contra a mole imensa de professores "faltistas", pais e mães de todos os males da educação.

Agora acusam-no de, em tempos, ele próprio ter perdido o mandato de vereador da CM Penamacor, por acumulação de faltas... injustificadas. Até há certidões de actas.

Grande coisa! O que é que tem? Se o homem faltava muito e perdeu o lugar, então, acumulou a experiência certa, no tempo certo. Está à vontade para falar. Está bem colocado para perceber, melhor que ninguém, os nefastos efeitos do absentismo reincidente. Fala com conhecimento de causa.

Quem teve "bexigas doidas" sabe tudo sobre a doença.

Publicado por ACarvalho em 07:31 PM | Comentários (0) | TrackBack

Contenção ou pesporrência, cada um toma a que quer

Na sua rubrica do Expresso, José António Saraiva escreve que o eleitor está farto da agitação demagógica, de picaretas falantes e da pesporrência incontinente. Claro que está. Mesmo porque a verborreia imoderada, a retórica de embalar, tem o efeito de um punhado de areia atirado aos olhos do pagode.

Admira-se JAS por Soares, conhecedor do enjôo da populaça, não ter tento na língua e soltar o verbo.

Há uma diferença substancial que parece escapar a Saraiva: Mário Soares não usa as palavras como vil arola, usa-as como espelho onde, vaidosamente, se mira e remira, num tom narcisístico mas espontâneo, daí o sucesso das campanhas eleitorais em que se envolve. E não se contém, é da sua natureza, como na história do escorpião. Mesmo que, um dia (há sempre um dia) o verbo o faça morder a língua, não deixará de o usar.

Publicado por ACarvalho em 04:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

Queremos um Alegre desassossegado

O candidato que eu apoio tem de se demarcar da sensaboria de Cavaco, do frentismo de Louçã, da cassete de Jerónimo, do pesadelo da ressureição do velho arquétipo de uma certa clique imobilista, encarnada por Soares.

Porque chato, chato, é ver a velha e inquieta raposa descartar o BI, despir o arquétipo e apropriar-se do desassossego que, legitimamente, competiria a Manuel Alegre despertar nas gentes. Queria ver no poeta a encarnação de uma onda irresístivel, galvanizante, e com ela, e nela, nos transportar a todos na salutar vassourada ao fatalismo, à inacção. Não deixemos que o céu nos caia na cabeça! Por tutatis!

Quero um Alegre com verve, genica, um poeta agitado, inconveniente, no limiar da dissensão. No limite, um candidato verrinoso, chato, incorrecto, porque não? Feio é fumar!

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novembro 28, 2005

Escreveram ao Alegre

À semelhança de todos os militantes, Manuel Alegre recebeu uma carta do PS recomendando o voto em Soares.

Nem sei o que mais me surpreende, se a desfaçatez (falo da imensa lata mas também do gozo que a distracção informática deve ter dado), se o abuso (agora, é a utilização da estrutura partidária para apoiar um candidato). A constituição, zelosa, garante a sobrevivência dos partidos, à custa dos contribuintes; eu, contribuinte, sustento o partido socialista; o partido socialista sustenta a campanha de um candidato em que não voto! E recomenda ao condidato em que voto que vote no candidato em que nem ele nem eu votamos. Às tantas, baralhados, confusos, já não sabemos em quem votar. Percebeu? Pudera, eu também não! E sou Napoleão! Onde está o meu funil?

Publicado por ACarvalho em 08:56 PM | Comentários (2) | TrackBack

O NY Times sabe. E você?

O NY Times sabe que faz hoje 485 anos que Fernão de Magalhães entrou no Pacífico depois de passar o estreito a que, depois, foi dado o seu nome.

E celebra essa data, em letra de forma, na edição de hoje.

Você, português de Portugal, nado e criado aqui no Sol-Posto, sabia? Pois é bom que, a par da "cachaporrada" do costume, saibamos também levantar o moral às hostes. Sigamos o exemplo do NY Times e lembremo-nos daqueles que, ao longo da nossa história, deram lustro ao nosso (esfarrapado) ego.

Publicado por ACarvalho em 07:44 PM | Comentários (0) | TrackBack

A frase da semana

"Cavaco é como um eucalipto. Provoca aridez à sua volta."

Miguel Cadilhe

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O rapaz promete

Paulo Rodrigues, recém-eleito presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia já prometeu que, cito, "Não iremos ser pacíficos!"

Ainda bem, o combate pela lei e pela ordem agradece tal energia e belicismo. Certamente que sim. A malandragem que se precate: chegou o superman Rodriguez e sus muchachos!

Deixem-me! Não me segredem aos ouvidos. Não me puxem a manga. O quê? Fala um pouco mais alto! Hein? Não é isso? Oops!

Publicado por ACarvalho em 04:41 PM | Comentários (0) | TrackBack

Frases

Sócrates, citado na rúbrica FRASES, no "Expresso":

"Todas as palavras para salvar o futuro do País estão ditas, resta executar."

Se as palavras salvassem o futuro do País, já há muito teríamos garantido cem anos de gloriosa expansão. Contudo, palavras são palavras, receio cem anos da habitual aflição. Rezo que não se transformem em cem anos de solidão. Já fomos solitários por 48 anos. Lembram-se a que preço?

Palavras leva-as o vento,
Soltas, no ar, sem um rumo.
Desvanecem-se como fumo,
Sopradas desde S. Bento.

Publicado por ACarvalho em 04:15 PM | Comentários (0) | TrackBack

Corporativismo? Claro. Tudo normal.

Durão barroso declarou que apoia Cavaco Silva na sua gesta pela mais alta magistratura da nação. Tudo normal. Anormal é que nos atire que não participa na campanha e, ao dizê-lo, nela efectivamente participe. "Não participo na campanha mas apoio Cavaco". Se isto não é participar na campanha, nunca mais como torresmos. Ora, eu sou doido por torresmos e quero continuar a comê-los qinda que, hellas, eles me entupam as artérias. Receio, contudo, que mais depressa se me entupam os neurónios, se continuarem a fazer de mim parvo!

Publicado por ACarvalho em 03:38 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 25, 2005

George Best

Morreu George Best. Leia, no Troll Urbano, a homenagem de Daniel Arruda, escrita hoje de manhã, quando a partida de George estava presa por pequenos detalhes médico/paliativos.

Publicado por ACarvalho em 04:14 PM | Comentários (0) | TrackBack

Elvas: património mundial

Está constituída a Comissão Técnica e Científica que desenvolverá o processo que visa a elevação das fortificações de Elvas a Património Mundial da UNESCO.

Hoje, soubemos que a candidatura da Tradição Oral Galaico-Minhota não foi aceite, talvez devido a um processo excessivamente ambicioso.

Esperemos que não se repita com a cidade alentejana. Boa sorte! Mas haja sobretudo, trabalho, muito trabalho rigoroso!

Publicado por ACarvalho em 03:29 PM | Comentários (0) | TrackBack

Feira de stocks em Évora

26 e 27 de Novembro.
Não tinha intenção de divulgar esta iniciativa mas um comunicado da Associação Comercial do Distrito de Évora, condenando a ideia, despertou em mim a vontade de o fazer. Os comerciantes condenam a iniciativa por temerem significativas quebras nos negócios. Uma feira que, tanto quanto eu sei, é levada a efeito pela primeira vez, desencadeia esta reacção. Onde estamos? Vivemos numa quinta? Os eborenses nunca tiveram a dita de um mercado verdadeiramente concorrencial, os comerciantes quase funcionam em cartel, os preços são dos mais altos do país. Esta feira é um magnífico reagente. Daí a reacção. Estão mal habituados os almocreves da nossa praça.

O que acontecerá quando o anunciado "Forum Évora" aqui for instalado, esse sim, com efeitos sociológicos e económicos demolidores para a cidade? Se calhar, ficam calados e todos compram o seu "espacito".

Publicado por ACarvalho em 10:44 AM | Comentários (0) | TrackBack

Darwin

Faz 146 anos que o naturalista britânico Charles Darwin publicou o seu "A ORIGEM DAS ESPÉCIES".

A esta distância, não nos é difícil lidar com a ideia. Mas imagine um pai de família do séc. XIX, lendo o jornal, no sofá, numa fria noite de Novembro e confrontar-se com a violência da revelação.

Não passamos de macacos pelados? Um gajo diz que não somos filhos de Eva? Maria vem cá ler isto, um filho-da-mãe qualquer chama macaco ao Adão.

Não deve ter sido fácil, hein! Honremos a memória do Charles. E a dos desenganados filhos do macaco, herdeiros dos degredados filhos de Eva.

Publicado por ACarvalho em 12:59 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 24, 2005

Maria de Fátima Moura

mariadefatimamoura.org

Sem um adeus

Nem sequer quando partiste
Pude ver os olhos teus
Diz meu coração, tão triste
- Partiste, sem um adeus

Porque será tão cruel
A vida para mim, meu Deus
Porque lhe permitiste
Que fosse, sem um adeus?!

O destino assim quis
Que chorassem olhos meus
E grito com desespero
- Partiste, sem um adeus.

Publicado por ACarvalho em 11:35 PM | Comentários (0) | TrackBack

Os "lambões" do SITEE

ESTACIONE, PAGUE E SEJA COIMADO!

O SITEE - Sistema Integrado de Transportes e Estacionamento de Évora foi criado para fazer a gestão do trânsito e dos espaços de estacionamento. Até hoje, o benefício de maior visibilidade consubstancia-se no pagamento de tarifas de estacionamento, de início circunscritas ao Centro Histórico. Agora, galgou as muralhas e já se estende a parques periféricos. Um dia destes, quem sabe, exigirá taxas até aos confins do concelho.

Cioso cumpridor, nunca tinha, até agora, sido apanhado pelos PDAs ambulantes (o negócio é rentável e dá para atribuir, a cada um dos fiscais, um terminal de computador e uma impressora portátil). Hoje, foi a minha vez. Sou tão cumpridor que, julgo, faltava só eu. Acabou-se a inocência.

Uma consulta médica, o discípulo de Esculápio que nunca mais chegava, os ponteiros do relógio, tic tac, "tiquetaqueando" inexoráveis, vou tirar mais um tiquê, é melhor não e, dividido pela dúvida, eis que chega o nosso "João Semana". Sou o primeiro a ser atendido, largo direito à Sé, pimba, já está, 9.35 euros. "Rásios parta", diria o meu avô.

Senhores do SITEE, agora que já não há eborenses por multar, usem com imaginação o dinheiro das coimas, façam uma gestão que não se limite a tarifas e penalizações, facilitem a vida aos cidadãos. Sejam criativos, porra!

Publicado por ACarvalho em 01:25 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 23, 2005

Choque ideológico

Hoje, no programa da RTP-N, Choque Ideológico, a cujos cinco minutos finais assisti, um dos convidados, na intervenção que fechou o programa, passou a seguinte mensagem (cito de cor):

A afectada reserva moral e a já pouca autoridade dos professores são, diariamente, devastadas pelas palavras dos governantes. Isto terá consequências gravíssimas!

Parece que não estou a falar sozinho. A constatação que, surpreendidos, fazemos, assinalando a incapacidade da ministra, secretário de estado e representante da CONFAP para perceberem isto, arrasa a presunção de que, nestes patamares de responsabilidade política, os líderes são, geralmente, pessoas intelectualmente dotadas.

Publicado por ACarvalho em 11:28 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 22, 2005

Ao ouvir, ontem, na RTP, o debate sobre o sistema educativo, apenas pude comprovar aquilo que, há muito, sabia. A educação está doente e parte dos seus agentes insiste em culpar os professores de todos os males. E se, entre esses agentes, estiverem a ministra e o líder da confederação de pais, então, qualquer consenso parece, à partida, impraticável.

Por que insiste a ministra em culpabilizar os professores? Por que insiste o representante da CONFAP em apontar o dedo aos professores? O que pretendem? Substituir todos os professores? Todos são parte do sistema, não o podem olhar de fora para dentro, como se tudo o que está mal não lhes dissesse também respeito. A agressividade é, não só latente, como palpável, quase se pode respirar, quase engrossa o ar.

A intervenção inicial da CONFAP é acintosa, rebarbativa, no limiar do confronto; uma das respostas da ministra, ousando uma lição de linguística à professora presente, é de uma indelicadeza roçando o grosseiro, talvez não conheça tão bem como pensa o vocábulo em questão (recambiar). Bem fez a professora em não devolver a grosseria, a ministra foi muito bem tratada, ninguém lhe recordou os dotes pidescos revelados no último Verão. E, para dizer a verdade, merecia que alguém lho tivesse lembrado!

Publicado por ACarvalho em 10:03 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 21, 2005

Empertigado?

Um vaidosão, este Soares. A rebentar de si, afirma que mais importante que ser PR, PM ou deputado é ser ele mesmo, Mário Soares. O verdadeiro artista, manipulador de sentimentos, vendedor de emoções, galavanizador das gentes e prestidigitador dos "média", um patamar acima de Zeus, nada menos. Mas empertigado... isso não, tudo menos isso.

Mesmo que quisesse... a idade não permite levantar muito a grimpa, apesar da escoliose invertida. Eu também não quero ser empertigado aos 80 anos. Queria apenas estar vivo.

Publicado por ACarvalho em 08:07 PM | Comentários (0) | TrackBack

Ministros e ministros.

David Justino e Maria do Carmo Seabra, os titulares da pasta da educação que antecederam a actual ministra, tiveram penosos mandatos à custa do malfadado processo de colocação de professores.

Porque eram ministros, tiveram de aceitar o ónus do desastre.

Para ser justo, devo dizer que nem um nem outro pareceu, alguma vez, em posição de alterar o que quer que fosse. Eram tais e tantos os buracos e as goteiras que não era possível corrigir as coisas carregando num botão. O processo não era susceptível de controlo, depois de posto em marcha. Foi uma avalanche que sufocou todos as pessoas que a ela estiveram associadas, a maior parte delas, vítimas do "monstro" criado.

Diria que os ministros tiveram azar. E não tiveram, à sua volta, pessoas competentes.

A actual ministra teve mais sorte com os concursos. Depois de dois anos maus, corrigidos os erros, o processo de colocações correu bem. Mas foi melhor ministra que os seus antecessores? Definitivamente, não! Todos prejudicaram os professores, com uma "pequena" diferença: os dois primeiros, quando procuravam melhorar o sistema; a última, deliberadamente, com a intenção inequívoca de... prejudicar. Se não foi... pareceu.

Depois da actuação de Maria de Lurdes Rodrigues, nas duas últimas greves, a imagem dos professores chegou ao vão de escada:

Na primeira das greves, ordenando aos presidentes dos conselhos directivos a elaboração de listas com os nome dos grevistas, teve uma actuação pidesca, absolutamente inaceitável, e os números finais da adesão à greve ressentiram-se. Os grevistas foram sempre tratados como foras-da-lei.

Na segunda, a divulgação das faltas, no dia da greve, teve o efeito de um nocivo "malware" numa rede computadores, desprestigiando a classe que era suposto proteger, contribuindo, de má fé, para denegrir a imagem dos professores, não medindo as consequências.

Sem professores prestigiados e defendidos, nenhuma reforma, nenhum dinheiro, colocará a educação no bom caminho. Enquanto os Pais dos alunos olharem para os professores como cidadãos de que é preciso desconfiar, "desenfiados", relapsos ao trabalho e campeões do absentismo, não haverá "saúde" na educação. E o Estado é responsável pela manutenção de uma imagem desacreditada enquanto tiver na educação ministros que se comportem desta maneira.

Quanto aos sindicatos, deverão guardar sempre, no seio de todas as estratégias, a defesa intransigente do prestígio dos professores, mais importante do que todos os (justos) aumentos salariais.

Publicado por ACarvalho em 12:42 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 18, 2005

É tudo?

Um jovem mancebo, testemunha no caso Casa Pia, apresentou-se em tribunal, em claro desrespeito pelo local e pela juíza. Perante a justa censura desta, riposta, desafiador, "a senhora não fala assim comigo!". Foi expulso da sala. A pergunta que fica é: FICAMOS POR AQUI?

Como pode alguém, mesmo que seja um "coitadinho", um "pobre-diabo", uma vítima, um deserdado da sorte, o que quer que seja, falar assim? Nestes casos, por princípio, uma ordem de prisão é o mínimo que podemos esperar.

Já para não falar que atitudes destas, por parte de uma testemunha/vítima, pode inquinar o processo e gerar uma tendência pouco favorável a um grupo de miúdos que, diz-se, comeram o pão que o diabo amassou, mas não são as pessoas mais credíveis do planeta. É que no meio em que, alegadamente, se movimentam, nos meandros da droga e da prostituição, a ausência de princípios, a degradação, o desregramento e o défice de valores são o código por que todos se regem, no salve-se quem puder da luta pelo sacralizado pó. Isso mesmo, sacralizado, por ser o único bem que conta. Mais que água no deserto, pela qual não alienariam um grama de pura coca.

O Estado deve fazer-se respeitar. Já que não perde a oportunidade de nos levar coiro e cabelo, que, ao menos, nos dispense de atitudes pusilânimes: é que, em cada gesto de laxismo de um tribunal, de um governo, ou qualquer orgão de soberania, nos é servida uma posologia com, pouco inocentes, efeitos secundários. Depois queixam-se que ninguém respeita ninguém.

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novembro 17, 2005

Soares aquece os motores

Mário Soares deve ter ganho, hoje, o dia, durante o debate com alunos do Politécnico de Leiria. Certeiro, nas intervenções; pedagógico, na forma de comunicar, Soares aproveitou a sumarenta jornada, somando para si e subtraindo aos adversários, uns quantos centos de intenções de voto. Com ar casual, explicou, com clareza, como foram feitos os pés de barro de Cavaco: muito dinheiro e maior défice, num período decisivo da caminhada lusa na Europa; com os resultados que conhecemos. Manuel Alegre, esse, recebeu o tratamento que se guarda para os momentos de distensão psicológica: não conta, não tem apoios, não vai ter votos, vide os casos de Galvão, Pintasilgo e Pinheiro de Azevedo. Isto, dito de uma forma, ora sobranceira, ora didáctica, com nuances de condescendência, umas vezes, e golpes de convicta oração, outras.
Na batalha estratégica que trava com o principal adversário da primeira volta, Manuel Alegre, ou o poeta se precata ( e se prepara), ou é ultrapassado.
Soares está em forma, uma forma em crescendo, como é apanágio das campanhas a que se entrega por inteiro. Quando puser o casaco ao ombro e desapertar a gravata, segurem o homem: ou cai para o lado, ou ganha as eleições.

Publicado por ACarvalho em 07:18 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 16, 2005

O homem invisível

Há cinco candidatos ao cargo de PR. Um deles, Manuel Alegre, é claramente ignorado pela comunicação social. A mesma comunicação social que, não poucas vezes, se queixa da ditadura corporativista e blindada dos partidos, põe de lado, como se não existisse, o único candidato que não tem um apoio partidário expresso. E que, por acaso (ou talvez não), está no 2.º lugar da maioria das sondagens realizadas.
Aí temos, por uma vez, uma comunicação social bem comportada, disciplinada e conforme. Contra todas as regras da "fabricação" da notícia, ignora-se, olímpica e alinhadamente, o "desalinhado". Os mesmos escribas que transformam um espirro numa pandemia; que caligrafam agravos na primeira página e desagravos na última; parecem, agora, "zombies" da terceira geração, certinhos como os recrutas da Primeira Companhia, ciosos das famigeradas "fontes", reféns sabe-se lá de que interesses.
Por uma vez, não respeitam a regra do homem que mordeu o cão, não são capazes de um vislumbre, de um rasgo, de uma aposta no candidato que ousou, legitimamente, desafiar o maior partido de Portugal, e se tornou num candidato marginal. Manuel Alegre não existe? Ele é, potencialmente, A NOTÍCIA. Como é que, estranhamente, se tornou no homem invisível?

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novembro 14, 2005

Milagre?!

Li algures que só um milagre maior que o da Marinha Grande poderia voltar a pôr Soares no caminho da vitória.

Qual o significado deste raciocínio?

No milagre da Marinha Grande, um operário deu uma cacetada em Soares. Nem quero imaginar como ficaria o homem, num milagre de maior envergadura. É, claramente, um comentário insidioso, com duplo sentido. É isso que realmente desejam? Tenham dó, estamos a falar de um octogenário.

Publicado por ACarvalho em 07:36 PM | Comentários (0) | TrackBack

Na revista "Única" (Expresso desta semana)

É PRECISO QUE A VIDA
AUTÁRQUICA DEIXE
DE PARECER
UMA ESPÉCIE
DE COMBINAÇÃO
ENTRE AMIGALHAÇOS

Eu diria ainda mais:

É PRECISO QUE A VIDA
AUTÁRQUICA DEIXE (em muuuitos casos)
DE SER
UMA ESPÉCIE
DE COMBINAÇÃO
ENTRE AMIGALHAÇOS

Porque entre o SER e o PARECER existe um mundo de subtilezas e nuances cuja caracterização necessitaria um tratado de hermenêutica. E não há pachorra.

Publicado por ACarvalho em 07:19 PM | Comentários (1) | TrackBack

Adivinha

Adivinha: Qual destas praças, A ou B, pertence a Blanc-Mesnil, bairro problemático dos arredores de Paris?

A


B


Ajuda: uma das fotos representa uma praça de um bairro de Évora habitado, maioritariamente, por pessoas da classe média e média-alta.

É fácil, não é?

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novembro 08, 2005

Os contornos da silhueta

Aldino aconchega-se sob os cartões, no beco do costume. Os ruídos e as conversas da noite perdem-se num eco longínquo. Uma chuva miudinha e fria baila sob a luz fraca que cresce por detrás da esquina do bar. Sombras disformes de contornos penumbrosos projectam-se na parede, num esbatido contraste com o branco-sujo. E movem-se. Aldino comprime um pouco mais o seu metro e meio, cobre a cabeça e olha as sombras através de uma abertura no cartão, como num filme. Sente frio e medo. Encolhe as pernas até ao queixo, como um feto, e reza para que o sono chegue. E jura a si mesmo voltar, no dia seguinte, à escola. Para se aquecer. Sabe bem estar na sala de aula enquanto chove lá fora, sabe bem o almoço quente na cantina, sabe bem o sorriso da professora. Sabe mal é voltar para casa, está farto de pancada. Aquelas sombras metem medo, parecem monstros do tamanho do muro em que se movem. Há conversas indistintas a seguir ao gaveto, junto à porta do bar. Aldino não vê as pessoas e interroga-se se serão delas as sombras grandes e disformes. Ganha coragem, afasta o cobertor de papelão e desliza, sorrateiro, até à esquina. E espreita. "É mesmo" - suspira de alívio. E sorri, já sem medo. Os senhores que projectam, no muro alto, sombras de contornos pouco claros, falam baixo, num murmúrio sussurado, talvez congeminando negócios de contornos pouco claros. Aldino volta para o aconchego do cartão e cai num sono frio mas tranquilo. E sonha, num sonho de contornos pouco claros, que está na escola, a aquecer-se.

A. Corte-Real

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A poliomielite está de volta

Até Novembro, foram contabilizados, em todo o mundo, 1469 casos de polio. Todos, em países em vias de desenvolvimento - nalguns a doença é endémica. Numa altura em que a prioridade é a irradicação total da doença, eis que algo impensável acontece: numa comunidade Amish do Minnesotta, são detectados cinco casos. Os Amish são, tradicionalmente, avessos à tecnologia e à modernidade. Desconheço se vacinam os filhos. Se não o fazem, por muito que lhes custe, e dado risco que outras comunidades correm, devem ser forçados à vacinação; ou renunciar, de vez, à convivência intercultural e social com outras comunidades. Um desafio para eles? Um exercício de autismo? Como vai ser?

Publicado por ACarvalho em 07:19 PM | Comentários (2) | TrackBack

Censure-se

(Ver post anterior)

Censuremos o presidente do CE da Escola de Gaia. A um homem com o seu estatuto e responsabilidade é interdito o disparate boçal. Dizer, a meses de distância, que duas alunas vão "chumbar", é lamentável. Podem ter más notas e abusar do absentismo; mas ninguém é reprovado antes de o ser. Num presidente de CE, estas palavras não são só precipitadas, são de uma inconsciência atroz, são incompetentes; e inquinadas de uma tendência feita desejo. O aluno que se espera que "chumbe" tem tendência a "chumbar". É dos livros. Se as alunas tiverem de reprovar pois que reprovem a expensas próprias, não lhes encomende as almas, Senhor Presidente. E, já agora, demita-se.

Publicado por ACarvalho em 06:38 PM | Comentários (2) | TrackBack

Um inquérito sério, por favor

Duas alunas dizem-se alvo de atitudes homofóbicas por parte de uma funcionária e do Conselho Executivo da escola que frequentam. O presidente do CE declara que não se trata de homofobia mas sim de decência.

Um inquérito, já. Apure-se a verdade, à luz do preceituado pelo Regulamento Interno da escola. Não queremos uma escola homofóbica mas também não queremos acusações infundadas.

Há dois meses, um casal de professores foi, diz-se, surpreendido pelos alunos numa cena de sexo e isso é condenável. Se for um casal de alunos, também é condenável, sejam eles homo ou heterossexuais. Não podemos transformar um problema de decência numa acusação de homofobia. O que acontece, porém, é que não sabemos o que, realmente, se passou. Por isso, averigue-se.

Mas trata-se de acontecimentos, alegadamente, ocorridos. Como tal, quem sabe, talvez não tenham ocorrido; ou ocorreram se se provar que ocorreram; ou ocorreram mas... (helas) não ocorreram. Não há que fiar nos sentidos, muito dados a erros. Alucinação da empregada? Porque não? Ainda por cima, uma alucinação de um só alucinado, se fosse alucinação colectiva era mais fiável. Mas cuidado, por causa das alucinações já houve muita gente levada à fogueira, acusada de bruxaria. Nova caça às bruxas?

Publicado por ACarvalho em 04:05 PM | Comentários (5) | TrackBack

novembro 07, 2005

Não é geral

Quando chove, não chove em todo o lado, não é geral. Os cortes do governo também não tocam a todos, enfim, não se corta a direito, ou melhor, corta-se sempre do mesmo lado, resta pouco onde cortar. Contudo, seis ministérios viram os orçamento aumentados, num total de 12.3%. De entre eles, há um cujo aumento não entendo, falo do ministério da defesa, que ideia a deles. Em que percentagem será incrementada a segurança da Pátria? Dá para resistir a um leve sopro de Zéfiro? Que política para a nossa defesa? Vejamos: Descurámos a defesa desde 1974; nem no melhor período de todos estes anos pensámos em tal, vai ser agora, caídos na caixa do elevador, que nos dá "pancada" de rico? Dezassete milhões de euros mal dá para comprar umas pistolas no Rossio. É só para pessoal? Dez por cento de aumento só para o Instituto de Defesa Nacional e o Instituto de Estudos Superiores? Não é demais?

Publicado por ACarvalho em 10:27 PM | Comentários (0) | TrackBack

Kerensky desce do comboio!

Alexander Kerensky foi derrubado por Lenine e, daí para cá, a sua imagem é a de um revolucionário que cedeu ao medo, no preciso momento em que a revolução exigia tudo, vidas que fosse. Todas as revoluções que tiveram lugar, depois, por esse mundo fora, tiveram o seu Kerensky. Em Portugal, tentaram associá-lo a Spínola que tomou o comboio revolucionário na estação de Abril e desceu no apeadeiro de Março.

Para o bem e para o mal, Kerensky nunca mais perdeu esse estigma, ao contrário do nosso General.

Faz hoje 88 anos que perdeu o comboio de Lenine. Curiosamente, no dia de aniversário de Trotski.

Publicado por ACarvalho em 07:37 PM | Comentários (0) | TrackBack

Citemos o jovem

Um jovem magrebino de 22 anos, Moussa Diallo, afirmou, cito, "Isto é apenas o princípio e só terminará quando dois polícias tombarem mortos". (in NY Times)

Se morreram dois dos nossos também têm de morrer dois polícias, é o que o jovem quer dizer, do alto do poder que, de repente, descobriu possuir, qual Napoleão, do cimo da pirâmide. Não cabe em si, de ufano: encantado pelo mediatismo, pela atenção, pela importância que, inopinadamente, lhe é conferida, fala com um guerrilheiro em conferência de imprensa, sob uma chuva de flashes. Responsabilizá-lo-ão? Não, evidentemente.

Publicado por ACarvalho em 06:38 PM | Comentários (0) | TrackBack

Será que foi fixe?

Soares nunca teve Sócrates em grande apreço. Se dúvidas houvesse, as últimas declarações do próprio Soares, em entrevista à TVI, são bem explícitas: julgava-o igual a Guterres (bela cacetada: dois coelhos, num só golpe).

Tem direito à sua opinião, ninguém tem nada a ver com isso. O que não pode é vir agora dizer que, afinal, se tinha enganado. A mudança deve-se ao apoio de Sócrates mas, qual mudança? Pensará, como diz, que o secretário-geral é corajoso? Não, está apenas a agradecer-lhe o apoio. Isto é, o rótulo que Mário Soares apõe às pessoas liga-se directamente a pequenos (ou grandes) favores que delas recebe. Aquilo que ele pensa delas, na realidade, não muda. Mas, gesto gracioso, troca "une grande gentillesse par une petite bonté", o maroto.

O que Soares não pensou é que a tirada pode ter uma interpretação censurável que o fere, a ele e a Sócrates. "É realmente preciso ter muita coragem para apoiar um candidato tão velho", comentaria Soares, do fundo do sofá, se o velho fosse outro. Comentaria Soares e comentamos nós, quando o velho é ele. Não é desonra ser velho, mas falta-nos a paciência para velhos que não sabem envelhecer. Como nos falta a paciência para Sócrates que, dando razão a Soares, não foi, por uma vez, um homem de coragem.

Publicado por ACarvalho em 05:32 PM | Comentários (0) | TrackBack

Auto-convencimento

A comunicação social não aceita regras. Todos têm de aceitar as suas: entrar sem licença, tolher o passo à "presa", enfiar-lhe um micro pela boca abaixo, a qualquer hora, em qualquer lugar. Levam as perguntas afiladas mas não aceitam senão o improviso do interlocutor. Este, acossado, empurrado, pisado, ao mais pequeno deslize verbal, tem parangonas garantidas.

A maior prova do auto-convencimento de um poder sem discussão é a forma como reagem às restrições impostas por Rui Rio: só lhes falta chamar-lhe ingrato, insinuam não esquecer a "afronta", quase prometem represálias.

É verdade que têm poder, o poder de montar casos mediáticos que não desmontam nem perante um evidente esvaziamento; de criar suspeitas de primeira página e de se retratar, vagamente, na última; de criar ou destruir mitos, a bel-prazer; tudo, em nome da visibilidade da notícia; nada, ou quase nada, no resguardo do bom-nome dos que visam.

Faz Rui Rio muito bem em estabelecer regras. Eles tentarão dinamitá-las. "Regras? Que regras? Ninguém nos perguntou nada, achará o Dr. Rio que somos lixo? Já não há respeito?" Pois é, o respeito é unívoco. Cuidado, Dr. Rui Rio, alguns engatilham já a promessa de Aquiles a Agamêmnon, "hei-de sorrir sobre o teu cadáver", e nem todos são seus adversários políticos.

PS: Nem sequer sou simpatizante do PSD. Diria exactamente o mesmo, fosse qual fosse o visado. Esta nossa imprensa... esqueceu o açaimo que a calou. Agora, quer ser ela a "aparelhar" as "bestas".

Publicado por ACarvalho em 04:38 PM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 05, 2005

Ainda Pedro e Inês

Os dois últimos episódios confirmam o que tinha previsto: a série é boa e tinha margem para melhorar, como melhorou: as interpretações tornaram-se mais convincentes e, à medida que a intensidade do drama nos vai envolvendo, a nós, à direcção e aos actores, também o ritmo da narração acerta o passo. Enquanto a intriga se desenvolve, agora, de forma mais segura, nunca é demais elogiar os cuidados cénicos e o guarda-roupa, um trabalho de grande profissionalismo.

A ressalva centra-se, ainda e sempre, na linguagem, errática no estilo, vagueando entre os arcaísmos da época (por vezes com, aparentemente, alguns erros: "sejais bem-vindos" ou "não falai na morte") e o moderno-informal. Devo contudo dizer que não possuo da língua os conhecimentos que me permitem dizer, sem margem para dúvidas, que se trata de erros: "sejais bem-vindos", presente do conjuntivo, parece (formalmente) correcto mas não é mais utilizado que "sede bem-vindos"; já, no que se refere a "não falai na morte" (imperativo) soará melhor a frase " (desejo que - subentendido) não faleis na morte".

Publicado por ACarvalho em 04:24 PM | Comentários (4) | TrackBack

Unguento secante

Na farmácia da minha terra e em muitas outras havia um preparado, com propriedades adstringentes e anti-inflamatórias, a que se chamava unguento secante. Era feito na farmácia, antes de os laboratórios terem tomado conta das rédeas do fabrico dos medicamentos. Creio até que, hoje, é proibido às farmácias toda a espécie de manufacturação. O ajudante de farmácia, meu amigo, já falecido, dizia, brincando, que o unguento preparado por ele era o melhor de todos, não porque usasse conhecimento suplementar na sua preparação, mas porque os ares da terra eram mais puros. E todos ríamos, com a pilhéria.

Agora, para minha surpresa, encontro argumento igual, na embalagem da manteiga Milhafre, que reproduzo:

O argumento utilizado como graçola, há 40 anos, exibe-se, impante, em letra de forma, como publicidade a uma manteiga, sob a tampa da embalagem.

Começo a acreditar nas propriedades do (desaparecido) unguento secante.

Publicado por ACarvalho em 02:23 PM | Comentários (0) | TrackBack

ELVAS: Cidade-fortaleza

Acabar com o regimento de infantaria em Elvas, não é apenas um acto de xenofobia economicista, trata-se também de desrespeito à tradição militar da cidade, primeira linha da defesa da independência portuguesa, ao longo de séculos. É também um sinal de capitulação: o Portugal exaurido do séc. XXI já pouco tem para acautelar da garra castelhana. Tem Rondão de Almeida toda a razão do mundo para se indignar: a cidade-fortaleza perde parte da identidade com a saída dos seus soldados, sente-se abandonada e inútil. Talvez os senhores de Lisboa nunca tenham ouvido falar do papel decisivo da ala elvense na Batalha das Linhas de Elvas que, ao contrário do grosso das tropas, perseguiu os espanhóis até à fronteira - gerando nestes um pavor tal, que tudo largaram no caminho, até as botas - garantindo a vitória e a INDEPENDÊNCIA. A mesma independência de que se servem, agora, as nossas elites, para desprezar quem lha garantiu.

Os muitos "chico-espertos" engravatados que enxameiam os corredores do Poder, na capital do País, teriam muito a aprender com a portugalidade que nasce gravada na alma de cada elvense, testemunhada neste e em muitos outros (graves) momentos da nossa história. Mas não, em nome da fúria economicista, atropelam a eito, sem se deter. Uns "monos" incultos e impreparados que só não descuram os ganhos próprios.

Publicado por ACarvalho em 01:52 PM | Comentários (3) | TrackBack

novembro 04, 2005

Correcções de uma Justiça injusta

O governo vai cortar na verba para defesas oficiosas. Em muitos casos, o Ministro da Justiça considera indecente o trabalho da defesa. Nesse pressuposto, o corte de verbas vai ser arrasador. O bastonário Rogério Alves considera as palavras do ministro um pouco... infelizes.

Algumas questões:

Se um trabalho é mal feito, paga-se por metade? Ou exige-se perfeição e paga-se por inteiro?

Paga-se um trabalho mal feito, mesmo que não seja passível de reparação?

Ao trabalhador incompetente não se exige indemnização?

O réu prejudicado tem direito a ser ressarcido?

Tudo se resume a mais ou menos dinheiro?

A verba cortada consubstancia já algum tipo de punição?

Alguma fracção dessa verba é destinada aos réus prejudicados?

As declarações do ministro foram um pouco infelizes porquê? Não contou a verdade toda? Excedeu-se em que parte? No corte das verbas? Nas palavras utilizadas?

E eis como em Portugal, nunca nada é transparente, mesmo quando, aparentemente, o é.

Publicado por ACarvalho em 06:04 PM | Comentários (0) | TrackBack

Então, franceses?

França foi sempre terra de eleição para dolorosos processos sociais e políticos. Depois de consumados, auto-exportam-se para o resto da Europa e do Mundo. Foi o que aconteceu com as suas revoluções mais mediáticas, a do final do séc XVIII e a de Maio de 1968. Uma e outra tiveram influência decisiva no rumo da história social, económica, política e cultural do planeta.

Agora, neste preciso momento, acontecimentos importantes e graves têm lugar em França e já se estenderam de Paris à província. O alcance destes acontecimentos está longe de poder ser avaliado, tanto podem consubstanciar desordens esparsas e inconsequentes como vir a ter importância vital, no futuro da Europa.

O tubo de ensaio das mudanças fundamentais por excelência, o "campus" da experimentação sócio-científica, o território gaulês, está novamente em ebulição. Uma Europa cheia de contradições, pressionada pela esgotada matriz económica, sem emprego, cercada pela ansiosa mobilidade de imensas manchas de migração, lida mal com os nómadas do séc. XXI. Aceita-os nos estaleiros das obras mas não os aceita como iguais.

A história repete-se e, simultaneamente, se repetem as convulsões que, ciclicamente, tendem a instaurar processos regeneradores, criando os anti-corpos que trarão aos europeus uma Europa nova. Desta vez, não são os hebreus que procuram a terra do leite e do mel. O problema é que, nesta Terra Prometida, o leite e o mel (leia-se vida melhor) parece pouco acessível.

O que a história nos reserva, ainda não sabemos. Dou por mim a torcer para que o cadinho gaulês revigore este velho e decrépito continente, lhe estimule a alma, o cure das suas depressões e lhe devolva a esperança.

Publicado por ACarvalho em 12:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 03, 2005

Julgados de Paz

Coimbra, Sintra, Trofa e Santa Maria da Feira. São estes os próximos Julgados de Paz. Um processo muito lento, ainda que absolutamente necessário. Os portugueses desgastam-se com questiúnculas, pequenas diferenças que seria ridículo levar a tribunal. Os JP seriam uma benção.

Enquanto não chega a todos, consulte AQUI a lista dos existentes:

Publicado por ACarvalho em 08:05 PM | Comentários (2) | TrackBack

266771406

É este o número de ÉVORA para o qual deve ligar se se deparar com aves mortas, em circunstâncias que considere estranhas, na região abrangida por aquele prefixo telefónico. Não hesite, pode ser importante.

266771406

Publicado por ACarvalho em 07:39 PM | Comentários (0) | TrackBack

1 euro por cama

A Associação de Municípios Portugueses, essa voraz e insaciável sugadora, quer lucrar com a actividade hoteleira. Não, não está a pensar em meter-se no negócio, mas está a pensar em meter a colher no orçamento dos hotéis. O negócio é outro, é um negócio da China: querem receber um euro por cada dormida em unidade hoteleira; num hotel de 300 camas, lotado, a Associação quer 300 euros por cada noite. O negócio é de outrém mas o lucro (parasita) é das autarquias. Este imposto, que nem o próprio Sheriff de Nottingham ousaria aplicar, faz parte da costumeira estratégia de lançar a "unha" a tudo o que faz "tlim-tlim" ao cair, nem que seja um castiçal de igreja, que digo eu, se os lembro da igreja também vão querer um euro por cada devoto da missa das seis, ou uma percentagem da caixa das esmolas. Todo este empenho na taxação tem a ver com o esforçado serviço autárquico às populações, as imensas realizações, das quais a construção compulsiva de rotundas não é parcela despicienda. Este empenho, dizia eu, tem um modestíssimo retorno e as autarquias não vivem do ar, de 1995 a 2000 as receitas cresceram uns modestos 90 por cento, não há câmara que resista, a nau é grande, a tormenta é maior. É que, sem dinheiro, não é possível, a uma cidade de média dimensão, atingir o limiar psicológico das cem rotundas, requisito essencial ao crescimento da estrutura viária urbana, ao bem-estar do munícipe e ao índice de desenvolvimento humano. Viva a Associação dos Municípios Portugueses em Luta!

Publicado por ACarvalho em 03:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 02, 2005

Idade para sexo

Depois de aturados estudos, cientistas e legisladores portugueses decidiram que a idade para se ter sexo são os 18 anos. Ter sexo com alguém mais novo remete para um grave ilícito: sexo com crianças, isto é, pedofilia. A notícia não fala na idade do parceiro, lapso imperdoável, pelo que podemos glosar esse esquecimento em todos os tons:

Um rapaz de 16 anos que tem sexo com uma garota de 17 está a desencaminhar uma criança?
Ou é ela que está a cometer um acto de pedofilia?
Só o mais velho comete acto ilícito?
É um acto mutuamente pedófilo?
Seria aconselhável prendê-los na mesma cela?
Qual o grau de responsabilidade dos pais?
Levam-se os desavergonhados ao Registo?
O registo civil limpa o registo criminal?

Esta interessante tese académica é uma estratégia "empata-f...."?

Publicado por ACarvalho em 07:49 PM | Comentários (4) | TrackBack

A chuva já está a preocupar

Ainda não deu para alagar o lameiro mas já está a preocupar. As queimadas dos fogos destruiram barreiras, há perigos de derrocadas e aluimentos, os lençóis freáticos correm o risco de ser contaminados. Quanto a nós, corremos o risco de morrer estúpidos se não desistirmos de aturar esta gente. A seguir à Geota, virão os ET´s, perdão, os agricultores, "o pouco que a seca nos deixou foi agora água abaixo. Pra Bruxelas, já, e em força que, sem nós, o povo morre à fome"! E nós, compulsivos consumidores da colheita castelhana, ou coçamos, incrédulos, o toutiço; ou rimos da cambada!

Publicado por ACarvalho em 11:26 AM | Comentários (0) | TrackBack