"I can honestly say that without Mrs. Parks, I probably would not be standing here today as secretary of state."
Tradução: Posso, honestamente, dizer que, sem a Senhora Parks, eu não chegaria a Secretária de Estado.
CONDOLEEZZA RICE, no memorial por Rosa Parks.
in NY Times
Ainda hoje há quem pense que o 25 de Abril só trouxe coisas boas e que tudo quanto cheirava a môfo foi varrido. Pura ilusão: a democracia só se fortalece se construir mecanismos auto-correctivos que, decididamente, em Portugal, não existem ou, se existem, deles se faz coisa nenhuma. Acontece também que a vassoura limpou o que devia e o que não devia.
No "antigamente" havia tribunais colectivos especiais que visavam julgar áreas muito específicas da vida portuguesa. Como os detidos políticos eram julgados por um desses tribunais, o 25 de Abril tratou de limpar todos, sem excepção. Acontece que alguns deles eram bem úteis e, ainda hoje, se faria bom uso deles.
Talvez o leitor não saiba que havia um tribunal colectivo que julgava os crimes de saúde pública ligados à alimentação; talvez não saiba também que o Ministério da Economia possuía 5 delegações no Continente que se encarregavam de fiscalizar retalhistas e armazenistas do ramo alimentar; talvez não saiba que essas delegações fiscalizavam todo o país, na busca de delitos; os seus fiscais carregavam um autêntico arsenal de medidores, nomeadamente, uma panóplia de densímetros, lacto-densímetros e acedímetros que garantiam aos cidadãos um sono tranquilo.
Hoje, não precisaríamos de tanto, já que, na sua maioria, os alimentos vêm embalados. Mas, os restaurantes, os talhos, as peixarias, as lojas de congelados, os mercados e similares, andam, mais ou menos, à vontade. Se apanhassem com um colectivo só para eles, continuaríamos a dormir tranquilos.
E não me venham dizer que Tribunal Colectivo é igual a fascismo. Fascista é a justiça que temos: dinamita o funcionamento do Estado, corrói os fundamentos da democracia, é lenta, elitista e... injusta.
A propósito dos actos governativos de Cavaco que, em post anterior, considerei perniciosos para economia portuguesa, manda a mais elementar justiça que deite, sobre o rebanho que ele tentou pastorear, parte do opóbrio atinente ao desastre em que nos vimos envolvidos. Refiro-me a uma "clique" de predadores económicos que percorre transversalmente a sociedade portuguesa e que envolve desde contumazes foragidos do fisco a certos ocupantes de altos cargos da administração pública, passando por autarcas habilidosos e empresários-parasita, aquela espécie de empresários-libelinha que saltitam de ramo em ramo (empresarial) para não deixar pegadas dos nocivos actos que praticam, consumidores compulsivos dos fundos de coesão. São libelinhas pela mobilidade e gigantescos mamutes na arte de dinamitar a economia portuguesa. Trata-se de um género de homo-sapiens que saltou directamente da dialéctica "pé, mão e cérebro" para o paradigma "pé, mão e rolex", queimando etapas, usando o cérebro como instrumento pérfido de satisfação pessoal e utilizando tudo, (literalmente) tudo, sociedade e país incluídos, como ferramentas de escalada. Infelizmente, para eles, sempre houve complacência e compreensão.
A recente greve de magistrados entra directamente para o top 10 das singularidades políticas portuguesas, nos últimos 30 anos. Ivone Silva deu o mote numa célebre rábula de revista: sendo, simultaneamente, patroa e empregada, discutia, consigo mesma, os termos dos próprios aumentos salariais, ameaçando-"se", com greves.
A singularidade é igual: os magistrados, enquanto titulares de um órgão de soberania, são Estado. Enquanto Estado, entram em greve, confrontando o próprio Estado, confrontando-se a si mesmos, como Ivone Silva, na rábula.
Quem será o próximo órgão de soberania a entrar em greve? A minha aposta vai para o novo PR, em protesto contra as limitadas atribuições, exigindo revisão de uma Constituição promovida, ela mesma, a força de bloqueio, gerando um impasse no funcionamento da democracia, coitada, tão engasgada ela tem andado, muito por força dos basbaques que, umas vezes por burrice, outras por ambição, têm crivado o nosso desenvolvimento de "grãozinhos" que impedem o acesso à modernidade.
O Estado amua por causa do Estado e nós apanhamos com este estado de coisas.
Ivone rematava: "O que eles querem é poder! Ai... (suspirando) isso também eu queria!!"
Quando, hoje, no alfarrabista ambulante, adquiri o livro "Arte de Furtar" cuja capa reproduzo no post anterior, um homem de idade pegou-me no pulso, ajeitando-se para ler o título e soletrou "arte de fru... frutar" e, sorridente, aquele sorriso sem dentes dos velhos alentejanos, encarou-me e disse, sacudindo a cabeça, "esta é também a minha arte" e ficou a olhar, à espera de reacção. Retribuindo o sorriso, perguntei-lhe, "qual é a sua arte, então", adivinhando a resposta que veio, casquinhada nas calejadas gengivas "vendo fruta minha, naquela banca ali, fruta do melhor" e, mal eu desviava a vista na direcção indicada, procurando a banca, já ele me puxava apontando para um conjunto de jornais encadernados, o velho Diário da Manhã, mais tarde A Época, de não muito boa memória, tendo na capa a, então jovem, rainha de Inglaterra: "também conheço muito bem aquela senhora ali". Encorajei-o com um sorriso inquiridor e fiquei à espera. A resposta veio rápida, segura, quase ufana, "é uma senhora que cantava fado".
A décima edição da "Arte de Furtar", obra, desde sempre, atribuída ao Padre António Vieira, sempre com um torcer de nariz de muitos conhecedores, incluindo o prefaciador desta edição.
Hoje, num antiquário de feira, ali estava este exemplar a pedir-me para o levar para casa. Talvez o meu caro Rui Martins, homem conhecedor de Vieira, possa dar a sua opinião.

Hoje, no ARTE (canal 32 da TV cabo), na rubrica Permis de Penser, António Lobo Antunes. Está anunciado para as 22 horas. Grave, enquanto vê Pedro e Inês, no Canal 1.
O filme que nos mostra o outro lado dos atentados suicidas foi lançado hoje. O realizador palestiniano Hany Abu Hassad mergulha num mundo para nós desconhecido e conta-nos os preparativos para um atentado terrorista que vai ser levado a cabo por dois jovens membros de uma célula de Nablus. Imperdível.

Niccolo Paganini, nasceu em 1782, faz hoje 223 anos.
Aos 8 anos compôs a sua primeira sonata.
Distinguiu-se sobretudo como intérprete de algumas das mais difíceis composições jamais escritas, compostas por ele.
Uma vezes deixava a plateia a chorar pela ternura das vibrações; outras tocava com tal força e velocidade que chegava a deixar os ouvintes completamente zonzos. Um dia, em Viena, um ouvinte ficou meio louco e jurou, durante vários dias, ter visto o próprio diabo ajudando Paganini a tocar.
Um violino Guarnierus em que tocou está preservado cuidadosamente, em Génova.
Diz-se que era portador do sindroma Ehlers-Danlos cuja característica é a excessiva flexibilidade das articulações. Seria esse sindroma que lhe permitia tocar certas passagens musicais, virtualmente impossíveis de tocar por outras pessoas.
Sempre achei os ayatollahs espécies de Xá prepotentes. O antigo Xá alimentava uma clique pró-ocidental, americanizada, neo-liberal que deixava o povo à míngua. Os ayatollahs são anti-tudo o que o Xá encarnava mas impõem a mesma míngua. O actual presidente do Irão não é um ayatollah mas está à altura dos mais encarniçados pergaminhos da liderança religiosa naquele país. A ameaça explícita a Israel denota arrogância e segurança, isto é, não deixa margem para especulações. Deseja varrer Israel do mapa, numa altura em que tem a vassoura quase pronta. Tomadas de posição como a que divulgou não são próprias de gente civilizada, o problema é que o Senhor se borrifa para a nossa civilização, a civilização dos infiéis e incréus. O discurso político é tão diferente que, qualquer tentativa de aproximação é um exercício inútil, o Ocidente fala em "alhos" e eles respondem em "bugalhos", num ensurdecedor diálogo de surdos. O Islão, naquelas paragens, não é o Islão dos islamitas ocidentais, de Lisboa a Paris, de Otawa a Nova Iorque: é o Islão da conquista e da violência, dos alvores da fé maometana, da aniquilação, da iniquidade. Tentar um discurso polido, racional, diplomático, é o mesmo que falar para uma parede. Olhemo-los como inimigos e não como irmãos. Eles não aceitam partilhar connosco a mesma ideia de Deus.
Sempre me pareceu excessivamente ingénuo, o nosso presidente. Ainda há dias lho chamaram, no Expresso. Ainda há dias o provou, junto de Hugo Chavez. Agora vem pedir espírito de missão no combate ao insucesso escolar. Não é só ingenuidade, trata-se é de uma boa dosagem de lirismo. Amor à camisola, pede o nosso PR. Na sua boa vontade, até se esquece que repete um apelo de figuras e tempos de má memória. Para Salazar, todos éramos missionários. Sampaio é uma figura importante da República, um homem da democracia, pede de boa mente, bem entendido.
Está bem, pronto! Aceitamos o repto se deixarem de nos tratar mal. Vale?
Pacheco Pereira descreve as intervenções públicas de Cavaco e Soares como bastantes pobres. Um fala muito e... não diz nada; outro fala pouco e ... nada diz. O que eu acho é que se trata de um problema de regime. Um candidato a PR não pode ter um programa, o seu papel na democracia é residual e de representação. Todos os candidatos são iguais, se não forem loucos. A Constituição da República cerceia-lhes veleidades, ou a possibilidade de marcar diferenças.
Se não, leiam os art.º 133.º e o 134.º da Constituição
Artigo 133º
(Competência quanto a outros órgãos)
Compete ao Presidente da República, relativamente a outros órgãos:
a) Presidir ao Conselho de Estado;
b) Marcar, de harmonia com a lei eleitoral, o dia das eleições do Presidente da República, dos Deputados à Assembleia da República, dos Deputados ao Parlamento Europeu e dos deputados às Assembleias Legislativas das regiões autónomas;
c) Convocar extraordinariamente a Assembleia da República;
d) Dirigir mensagens à Assembleia da República e às Assembleias Legislativas das regiões autónomas;
e) Dissolver a Assembleia da República, observado o disposto no artigo 172.º, ouvidos os partidos nela representados e o Conselho de Estado;
f) Nomear o Primeiro-Ministro, nos termos do n.º 1 do artigo 187.º;
g) Demitir o Governo, nos termos do n.º 2 do artigo 195.º, e exonerar o Primeiro-Ministro, nos termos do n.º 4 do artigo 186.º;
h) Nomear e exonerar os membros do Governo, sob proposta do Primeiro-Ministro;
i) Presidir ao Conselho de Ministros, quando o Primeiro-Ministro lho solicitar;
j) Dissolver as Assembleias Legislativas das regiões autónomas, ouvidos o Conselho de Estado e os partidos nelas representados, observado o disposto no artigo 172.º, com as necessárias adaptações;
l) Nomear e exonerar, ouvido o Governo, os Representantes da República para as regiões autónomas;
m) Nomear e exonerar, sob proposta do Governo, o presidente do Tribunal de Contas e o Procurador-Geral da República;
n) Nomear cinco membros do Conselho de Estado e dois vogais do Conselho Superior da Magistratura;
o) Presidir ao Conselho Superior de Defesa Nacional;
p) Nomear e exonerar, sob proposta do Governo, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, quando exista, e os Chefes de Estado-Maior dos três ramos das Forças Armadas, ouvido, nestes dois últimos casos, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.
Artigo 134.º
(Competência para prática de actos próprios)
Compete ao Presidente da República, na prática de actos próprios:
a) Exercer as funções de Comandante Supremo das Forças Armadas;
b) Promulgar e mandar publicar as leis, os decretos-leis e os decretos regulamentares, assinar as resoluções da Assembleia da República que aprovem acordos internacionais e os restantes decretos do Governo;
c) Submeter a referendo questões de relevante interesse nacional, nos termos do artigo 115.º, e as referidas no n.º 2 do artigo 232.º e no n.º 3 do artigo 256.º;
d) Declarar o estado de sítio ou o estado de emergência, observado o disposto nos artigos 19.º e 138.º;
e) Pronunciar-se sobre todas as emergências graves para a vida da República;
f) Indultar e comutar penas, ouvido o Governo;
g) Requerer ao Tribunal Constitucional a apreciação preventiva da constitucionalidade de normas constantes de leis, decretos-leis e convenções internacionais;
h) Requerer ao Tribunal Constitucional a declaração de inconstitucionalidade de normas jurídicas, bem como a verificação de inconstitucionalidade por omissão;
i) Conferir condecorações, nos termos da lei, e exercer a função de grão-mestre das ordens honoríficas portuguesas.
Os artigos a negrito são, digamos, os principais instrumentos de que dispõe. O problema é que se trata de ferramentas de impacto tal que acabam, por vezes, de se constituir como contraproducentes.
Um escritor português, quase desconhecido, poderá tornar-se na versão lusa de Dan Brown. Um livro seu, que ainda nem sequer terminou, é disputado por editoras de todo o Mundo. O lançamento acontecerá no próximo ano, em várias línguas. Alguns editores já adiantaram royalties por conta das vendas que, supõe-se, serão na ordem dos muito milhares.
Nome do escritor: Luís Miguel Rocha
Nome do livro: O Último Papa
O enredo gira à volta da tese de assassinato do Papa João Paulo I
Notícia RTP.pt
Rosa Parks morre exactamente 50 anos depois daquele célebre episódio em que recusa levantar-se para dar o seu lugar a um branco, dentro de um autocarro apinhado. Foram actos de brava cidadania como estes que ajudaram a compor a diferença. O meu caro amigo Chitas mandou-me um mail intitulado Rosa Parks que não consegui abrir. Mas foi tudo o que precisei para me pôr em campo, ainda a tempo de deixar esta humilde homenagem. O DN também ajudou.
José António Lima, no Expresso, (rubrica "O que eles dizem"), não vê razões para Sampaio se indignar por uma decisão doTribunal Constitucional sobre o aborto, chegar primeiro às redacções que a Belém. Escreve ele, cito, "... Sampaio já tem os anos de vida política e a experiência acumulada suficientes para saber que uma votação, ainda por cima com consequências relevantes, de uma estrutura com 13 pessoas (mais acessores e serviços administrativos) só por um acaso pouco verificado não chega rapidamente ao conhecimento público. Se reagiu por isso reagiu mal. E com ingenuidade." É verdade que reagiu com ingenuidade. Mas não reagiu mal, reagiu bem. Tem todo o direito de o fazer. É suposto essa decisão chegar primeiro ao conhecimento do PR. E não chegou. José António Lima está do outro lado, do lado que rebenta todas as blindagens, mesmo que seladas de confidencial. As ligações dos jornais a fontes geralmente bem informadas têm sido, ao longo destes 30 anos, um factor de permanente instabilidade. Grave, é a perplexidade de José António Lima, ao ponto de clamar por uma reacção mais calma de Sampaio. Não diz, mas é como se dissesse "Senhor Presidente, então, sabe muito bem que é a ordem natural das coisas, o que é isso agora? Quer pôr em causa o direito dos jornalistas em aceder aos adjuntos, acessores e administrativos? Daqui a pouco vai exigir saber o nome deles. Sente-se e acalme-se." Se calhar nem por um segundo se detém na possibilidade de os jornalistas guardarem a notícia até que a decisão chegue ao conhecimento daquele a quem é dirigida. Acha que tem direito ao conhecimento das decisões, em primeira mão. E admira-se com a reacção de quem, por isso, tem direito a toda a indignação do Mundo.
O dinheiro nunca foi fácil de ganhar, perguntem às "mulheres de vida fácil", ou não perguntem e olhem para os próprios vencimentos. Por isso, tudo quanto por aí aparece a "oferecer" dinheiro fácil é publicidade enganosa. Ele é "diga quanto quer", ou então "pague quando e como quiser" e o pobre e sofrido luso cai na tentação, pega no telefone e "dinheiro já! Já?", percebe no que se está a meter mas, de momento, não tem mais nenhuma solução, há um compromisso urgente, assina e já está. Respira fundo, vai à vida e espera. Espera até perceber quanto vai pagar. Uma dessas entidades "easy money" cobra mais que a D. Branca, pois, a D. Branca pagava e cobrava em grande. Como é então que o parolo tuga estorna a "massa"?
Por um empréstimo de 500 euros, vai ter de pagar 900
se for 1000, paga 1800
se for 2000, paga 3480
se for 3000, paga 5220
se for 4000, paga 6960
Isto não é operação bancária, é usura, é agiotismo. Dinheiro fácil? Olha se fosse difícil.
Houve, ontem, uma manifestação de agricultores, junto à Assembleia da República, reivindicando apoios do governo, face à seca. Como não temos, em Portugal, agricultores, de que país ou galáxia terão vindo? Sendo estrangeiros ou ETs, por que não fazem manifs em Bruxelas ou Paris? O que os traz por cá? Queixam-se da seca. Querem que o governo faça chover? Ou a chuva que reivindicam é outra? O negócio está mau? Em Portugal, todos os dias há deslocalizações de empresas, rumo ao Levante. Sugiro que façam o mesmo e vão semear batatas prá China. Não há mais jipes pra ninguém!
John Steinbeck foi o escritor que mais li na minha adolescência. Li "As Vinhas da Ira" aos dezasseis anos. Depois, duma assentada, enquanto curtia uma mal resolvida pleurisia, li tudo quanto me chegou às mãos: "Ratos e Homens", o admirável "A um Deus Desconhecido", "A Leste do Paraíso" e "Taça de Ouro".
Mais tarde, via imprensa, salvo erro no Diário Popular, li os seus Relatos de Guerra.
Faz hoje anos que ganhou o Nobel da Literatura.
A família revisitada. O reencontro, o convívio, o copo, as memórias, a amizade, a comunhão cúmplice de alguns rituais, tudo junto, constitui a argamassa que renovará a força do grupo e lhe confere coesão.


Ao som genuíno do garbosíssimo Grupo Coral... E sob a alegria irreverente dos mais novos!
ATÉ ABRIL!!!
Magistrado unidos, jamais serão vencidos. Destratados, ofendidos, vilipendiados, salários de fome, os magistrados arrastam as rôtas opas, numa greve de desagravo. NOVENTA E CINCO POR CENTO DE ADESÃO!! O congelamento da progressão nas carreiras foi o golpe de misericórdia no proletariado judicial.
Sugiro a abertura de uma conta que permita ao bom povo português constituir um fundo de sobrevivência para evitar o congelamento. A verba remanescente poderá servir para construir a Casa do Artista, perdão, do Magistrado.
Não aceito comentários sobre o sagrado direito dos portugueses à greve. Não sou ingénuo. Esta greve tem o valor de um confronto, uma briga comprada. Não é uma greve, é a manipulação do conceito de greve, é uma ofensa à própria ideia de greve.
Senhor Ministro das Finanças, não nos habitue mal! O senhor está a falar de aumentos? E não é de impostos que fala? Ordenados? Vencimentos? SÉRIO? Desculpe, mas não acredito. Tiraram-nos um porco, devolvem-nos um chouriço e chamam a isso aumento? Não nos angustie, por favor. Diga a verdade, está a preparar-se para nos ir ao bolso outra vez, não está? Olhe que as sessões de psicoterapia estão pela hora da morte, e não volto mais ao psiquiatra. Já percebi, essa do chouriço (perdão, do aumento) é para nos distrair, só pode, já não vamos em cantigas.
Houve tempos em que pensava para comigo "O País anda mal, apenas na justiça podemos confiar" mas, nos últimos anos, não posso, nem eu nem ninguém, em consciência, emitir semelhante juizo, tantas têm sido as perplexidades geradas por decisões judiciais. A decisão da Relação de anular, no âmbito do caso Felgueiras, as escutas telefónicas e os depoimentos de denúncia deixam esta caso praticamente vazio, ameaçam transformá-lo num processo ôco, sem substância, sem crime, sem réus, isto é, numa mão cheia de nada. Se a justiça, também ela, deixou de ser o refúgio dos portugueses, onde poderemos encontrar pessoa, instituição ou órgão em quem confiar? Para a (provável) maioria dos portugueses a resposta é CAVACO SILVA, porque se não há instituições fortes, procura-se um homem forte, se não há Estado, procura-se um homem de Estado, se não encontramos, na Pátria, a vertente protectora, o lado "Mãe", procura-se um Pai. Às vezes, resulta. Conjunturalmente? Deixemo-nos de pruridos: nunca, em Portugal, se viveu senão da conjuntura, daí que, se às vezes parecemos desconjuntados... é porque estamos.
Segundo o CM, citando fontes do Serviço de Estrangeiros, ha cerca de 10.000 mulheres residindo ilegalmente em Portugal, trabalhando como prostitutas. Segundo fontes bem informadas, a legalização da prostituição traria a estas mulheres a hipótese de se legalizaram. Porquê? Por trabalharem num sector de actividade legítimo e por pagarem os seus impostos. Se legalizadas do ponto de vista laboral, teriam direito a um visto de residência, a um subsistema de saúde, para além de direitos sindicais.
Como a legislação portuguesa faz depender a importação de mão-de-obra, das necessidades de um determinado sector, até pode ser que o País necessite de muito mais mulheres do que as 10.000 existentes, dinamizando a indústria em causa e actividades subsidiárias: proliferação de bares, "boites" e "red districts", transformando certas zonas de algumas cidades em florescentes bairros de sexo, animando ainda o comércio local e o turismo sexual.
Quem não tem cão caça com gato. Quem sabe se não está aqui a saída para a crise económica do País (se as Mães de Bragança sabem disto...)
Multiplicam-se os cenários em torno da gripe das aves, há dias era o custo em vidas, agora é o custo em euros, 17 milhões, e cinco milhões de aves a abater. Estamos cheios de medo, essa é que é essa, e vêm estes pândegos dos jornais, da rádio, da TV, esfregando as mãos pelo acrescento de audiências que a manipulação de velhos receios sempre traz. Vale que, no meio disto tudo, um ou outro disparate sempre dá vontade de rir, escrevem por palpite, vivessem eles do que as autoridades sanitárias lhes dão, nem nos lembrávamos que gripe é nome de maleita. É vê-los ao despique, sabem tanto como nós, a explorar o treme-treme do pagode, umas vezes para exorcizar os próprios medos, outras entoando sermão encomendado, que as farmacêuticas são de boas contas. Falem agora do que sabem, se é que sabem, ou calem-se para sempre e deixem-nos zurzir em paz em tudo o que mexe e tenha Cavaco no nome.
Os apoios a Cavaco medram entre o pequeno-burguês sem cheta mas cioso do pedacinho que lhe coube, uma (enorme) parte do sofrido povo e uma clique de tecnocratas e clientelas várias, além de uma avantajada franja do capital. E, para o bem e para o mal, aquela fauna que fez do Vale do Ave a maior mistificação económica do Portugal recém-europeu. É muita gente.
Mas dos anos de Cavaco, esquecer o esquema musculado e autoritário em que baseou o seu consulado, é apenas uma "gaffe" e não mais do que isso. Uma dúvida ensombra o meu julgamento: poderia um Presidente da República, um qualquer, voltar a muscular o regime? Quereria fazê-lo? A mim sobra-me imaginação, os cenários são imensos, não me façam perder tempo, sejam criativos. As forças de bloqueio que não deixaram Cavaco governar não poderão ressuscitar para desestabilizar a República? Não? Pronto, sou eu que sou paranóico.
Metade dos portugueses vai votar Cavaco. A decisão estriba-se em meia dúzia de "mitos" caídos da sua governação, uma espécie de mais-valia que ficou de (ainda) piores governos. Na arrastada tempestade de ideia-feitas, diz-se, de Cavaco, que tem seriedade, competência, firmeza e liderança, qualidades que o próprio Cavaco sintetizou no célebre "nunca tenho dúvidas e raramente me engano", proposições das quais, a coordenada sindética é falsa como Judas.
Quando do Tratado da União (Maastricht, 92) mais os célebres fundos de coesão dos quais beneficiámos(?) nós, a Espanha, a Irlanda e a Grécia, Cavaco é responsável por não ter disciplinado a sua utilização e, pior, não ter garantido a correcta aplicação, ao contrário dos países mencionados que, como se sabe, conseguiram ultrapassar as endémicas limitações e modernizar a economia. A ausência de uma rede eficaz de filtros e uma fiscalização esburacada estão na base do (irreversível) insucesso.
Quando das reformas da PAC, nos anos 90, que visavam terminar com a super-produção agrícola, fomos nós que ficámos mal na fotografia, como se fôssemos o que nunca fomos, um grande país produtor, reduzindo a exploração, a qualquer preço, a trôco de dinheiro vivo e fresco, directamente encaminhado para projectos inconsistentes e bolsos pouco disponíveis para a modernidade ( a não ser dos "mercedes" e jipes). Dos resultados dessas negociações falam, claramente, as bancas dos supermercados. Mais uma vez, alguém falhou: Quem terá sido?
E que dizer do défice? Ainda não há muito, Cavaco foi nomeado por um dos nomes emblemáticos da sua governação como o pai do dito.
Como se vê, apenas mitos. Já nem falo da apregoada seriedade, em nome dela já tivemos os nosso maus momentos, demorados momentos, o penúltimo dos quais durou quase meio século, nem quero imaginar como vai terminar o último.

Tanta conversa sobre o atraso na convergência com os parceiros comunitários e, vai-se a ver, estamos quase lá. Notícia desta semana, dá conta de que a nossa carga tributária é de 37% do PIB, já muito perto da média europeia de 40%. É minha convicção que, no próximo ano, estamos na primeira linha. Olhando os restantes países, constata-se a triste figura da Lituânia, essa sim, em clara "décalage", com uns miseráveis 29%, tem muito caminho esta Lituânia.
É verdade que a outra convergência está por concretizar, não se pode ter tudo, haja compreensão, meia estrada palmilhada, uma lebre meio corrida, outra lebre por correr, orgulha-te ó Alma Lusa, pagas à rico, recebes à pobre.
Ainda mal a folha cai, já o vírus voa na direcção da Europa: Turquia, Roménia, Croácia, Inglaterra, Suécia. Uma bomba que viaja, não a bordo de caças soviéticos ou chineses, mas no "porão" das aves migratórias. A este ritmo, em poucos dias, teremos a sua visita. Especialistas da nossa praça estão a ficar pouco à vontade com as próprias previsões: esta semana disseram que, olhando ao percurso das aves migratórias habitualmente atingidas, dificilmente chegaria aqui a moléstia. Vai-se a ver, uma nova linha, mais a norte, aparece agora (Suécia e Inglaterra).
Não acredito muito que, este ano, haja alguma catástrofe ligada à gripe das aves mas, ouvir os super-sábios aqui do terreiro, é uma perda de tempo. Ou usam um tom, irresponsavelmente, catastrofista; ou o leve estilo "no pasa nada". Equilíbrio, é o que há menos, excepção feita a Francisco George, da DGS.
Deveria ser proibido palpitar, sem conhecimento de causa, jornais e jornalistas, telejornais e "telejornalistas" incluídos. O que eles sabem (da matéria), "já a mim me esqueceu".
Um carpinteiro sem serra, um pedreiro sem escopro, um pintor sem tinta, um professor sem autoridade. Estamos a falar de ferramentas essenciais.
Depois de dois casos de agressão, a ministra da educação inglesa decidiu dotar as escolas de ferramentas pedagógicas e técnico-jurídicas que lhe permitam reforçar a disciplina no interior das escolas.
Em Portugal, suspeito eu, a preocupação seria, eventuamente, a de proteger os alunos, no pressuposto de que os casos de indisciplina têm sempre origem, ou na má gestão da autoridade docente ou numa família desestruturada.
Atitudes diferentes, filosofias diferentes, aproveitamento pedagógico diferente.

Sugestão para um passeio de domingo.
As fotos são minhas. O texto é retirado da promoção do vinho Anta da Serra.
A Anta existente na encosta ocidental da Serra d’Ossa, a 8 km da vila de Redondo, é um monumento construído pelo Homem do Neolítico – entre 6.000 e 2.500 AC – para servir rituais da época. De forma poligonal apresenta a particularidade de ser a única na Península Ibérica possuindo uma janela, hoje apelidada pelo povo como o "orifício da alma".

As médias, nas escolas portuguesas subiram. Porquê? Eis a questão. Dois exemplos de resposta (escolha a melhor):
a) As notas subiram porque as escolas, alertadas por resultados anteriores, reflectiram, reorganizaram-se e repensaram estratégias. Os resultados estão à vista.
b) As notas subiram porque as escolas, assustadas pelo receio de verem os seus resultados na cauda da tabela, baixaram o nível de exigência. Os resultados estão à vista.
O ranking das escolas é pouco credível. Os padrões adoptados são discutíveis e tão falíveis que me pergunto a mim mesmo se será possível, algum dia, de alguma forma, encontrar variáveis realmente fiáveis e justas de as ordenar por mérito.
A Escola Secundária José Gomes Ferreira, de Lisboa, ocupa o 2.º lugar, no sector público, logo a seguir à Infanta D. Maria, de Coimbra. Refiro-a a propósito de uma reportagem do CM. A generalidade dos alunos parece ter uma excelente imagem da escola, mas houve um testemunho que me feriu a atenção.
Trata-se de um jovem que frequentou escolas estrangeiras e, da comparação que faz, acha que a escola portuguesa é excessivamente permissiva, em termos disciplinares. Se ele acha que um dos mais destacados estabelecimentos de ensino portugueses é demasiado permissivo, é porque vem habituado a um ambiente mais exigente.
Não me surpreende, há muito que sei, sabemos todos os que costumam reflectir sobre a educação em Portugal, que o mal do nosso sistema de ensino radica, exactamente, no facilitismo com que se encara a disciplina. Este testemunho confirma-o.
"I am not going to answer to this so-called court out of respect for the truth and the will of the Iraqi people."
Tradução: Não vou responder a um auto-denominado tribunal que desrespeita a verdade e o querer do povo Iraquiano.
SADDAM HUSSEIN
in NY Times

Quantas vezes por dia cumprimos este ritual, automaticamente? Quantas vezes, ao longo da nossa vida, sem sequer nos lembrarmos de Thomas Edison?
Pois faz hoje 126 anos que ele inventou a lâmpada eléctrica. Acenda a luz!
Na passagem do 151.º aniversário do nascimento do grande poeta francês
Arthur Rimbaud.
Veja um site a ele dedicado aqui.
E leia o poema Ophélie
I
Sur l'onde calme et noire où dorment les étoiles
La blanche Ophélia flotte comme un grand lys,
Flotte très lentement, couchée en ses longs voiles...
- On entend dans les bois lointains des hallalis.
Voici plus de mille ans que la triste Ophélie
Passe, fantôme blanc, sur le long fleuve noir,
Voici plus de mille ans que sa douce folie
Murmure sa romance à la brise du soir.
Le vent baise ses seins et déploie en corolle
Ses grands voiles bercés mollement par les eaux ;
Les saules frissonnants pleurent sur son épaule,
Sur son grand front rêveur s'inclinent les roseaux.
Les nénuphars froissés soupirent autour d'elle ;
Elle éveille parfois, dans un aune qui dort,
Quelque nid, d'où s'échappe un petit frisson d'aile :
- Un chant mystérieux tombe des astres d'or.
II
O pâle Ophélia ! belle comme la neige !
Oui tu mourus, enfant, par un fleuve emporté !
C'est que les vents tombant des grand monts de Norwège
T'avaient parlé tout bas de l'âpre liberté ;
C'est qu'un souffle, tordant ta grande chevelure,
A ton esprit rêveur portait d'étranges bruits ;
Que ton coeur écoutait le chant de la Nature
Dans les plaintes de l'arbre et les soupirs des nuits ;
C'est que la voix des mers folles, immense râle,
Brisait ton sein d'enfant, trop humain et trop doux ;
C'est qu'un matin d'avril, un beau cavalier pâle,
Un pauvre fou, s'assit muet à tes genoux !
Ciel ! Amour ! Liberté ! Quel rêve, ô pauvre Folle !
Tu te fondais à lui comme une neige au feu :
Tes grandes visions étranglaient ta parole
- Et l'Infini terrible effara ton œil bleu !
III
- Et le Poète dit qu'aux rayons des étoiles
Tu viens chercher, la nuit, les fleurs que tu cueillis ;
Et qu'il a vu sur l'eau, couchée en ses longs voiles,
La blanche Ophélia flotter, comme un grand lys.
Agora, todos os dias temos notícias de cartéis desmascarados. É a ponta do iceberg. Os casos são incontáveis, seguramente.
É a forma de alguns grupos de empresas lutarem contra a concorrência, descartando o cumprimento da lei e, simultaneamente, a própria auto-regeneração pois, a adesão a um cartel não denota apenas o boicote ao cumprimento das regras, evidencia também a renúncia à modernização.
Se não há concorrência, para quê investir na modernização? É que apostar no desenvolvimento da empresa acicata a concorrência a procedimento igual: a competitividade é emuladora.
O cartel traz lucros mas estagna o desenvolvimento. A prazo, essa estagnação terá um efeito "boomerang" e os lucros cairão mas, no Portugal do séc. XXI, quem se preocupa com isso? Todos agem como se a loja estivesse para fechar; antes que feche, o que vier é ganho.
Logo, às 23 horas, na SIC Mulher, "Os Pássaros" de Alfred Hitchcock.
Se é cinéfilo, não acredito que vá perder. Se não é, vai perder, mas a perda é superior a uma simples omissão. Ninguém é obrigado a gostar de cinema mas, não gostar de cinema é, queiramos ou não, um elo fraco do crescimento de um homem, por muito fortes que sejam todos os outros, um empobrecimento, por muito que goste de todas as outras artes ou, pior, por muito que considere o cinema uma "não arte".
Data do de 1963, é do género suspense (comme il faut) e tem o seguinte elenco:
Rod Taylor (Mitch Brenner)
Jessica Tandy (Lydia Brenner)
Suzanne Pleshette (Annie Hayworth)
Tippi Hedren (Melanie Daniels)
Veronica Cartwright (Cathy Brenner)
Ethel Griffies (Sra. Bundy)
Charles McGraw (Sebastian Sholes)
Ruth McDevitt (Sra. MacGruder)
Lonny Chapman (Deke Carter)
Doodles Weaver (Pescador)
Malcolm Atterbury (Deputado Al Malone)
Alfred Hitchcock (Homem saindo da loja de animais com cães)
A China vai ter um crescimento 7 vezes maior do que o verificado aqui. A China não conta: se um tornado partir o meu quintal, o dinheiro gasto para o compor serve para sobreaquecer, durante uns meses, a economia de uns quantos trabalhadores desempregados; se, em vez de um quintal, for uma quinta, ou uma herdade, ou uma região, ou um país, ou um continente, a produtividade vai crescendo; se, por acréscimo, eu pagar miseravelmente aos trabalhadores, então, o crescimento é exponencial. A China é um "quintalão" com uma margem de 50 anos de atraso para resolver e, enquanto isso não acontece, vai pulverizando recordes de crescimento. Quando, daqui a uns anos, tiver "abrasado" todas as etapas, quero ver como resolverão problemas de competitividade e emprego como aqueles que enfernizam a vida aos ocidentais. Se os resolver da maneira habitual, então, é porque o ciclo de desenvolvimento (pelo menos à luz dos parâmetros do PNUD) ainda não se completou.
Provavelmente, nunca. O governo vem dizer que, finalmente, se fala verdade em matéria orçamental. Sublinho a palavra finalmente porque é importante, do ponto de vista da construção do discurso. Estão a passar-nos uma mensagem, a de que nunca, ninguém, até hoje, nos falou verdade sobre os orçamentos de Estado.
O que me deixa intrigado é a adopção desta nova estratégia. Por que razão não nos falaram verdade, antes? Nalguns casos, até teria sido fácil, sobretudo para governos acabados de tomar posse e que só tiveram tempo para redigir o orçamento. Que razões tiveram esses governos para nos omitir a verdade, se esta comprometia, principalmente, os recém-desempossados? Se é uma estratégia nova, tomada como valor absoluto, precavendo medidas futuras, por que não foi sempre seguida? Quando é que em Portugal houve vergonha na cara?
O pão vai aumentar 10% por causa dos combustíveis: estes aumentam 10% por causa do petróleo; este aumenta 10% por causa da instabilidade internacional; esta aumenta 10% por causa de Bush; este não pode aumentar 10% porque bem basta o que basta.
Desta vez, sim, foi encontrada a solução para extirpar, de vez, a mazela atávica que dá pelo nome de insucesso escolar. Aquela ministra que a educação teve a desdita de encontrar no caminho e a quem Fernando Madrinha tece, no Expresso, loas de bradar aos céus, encontrou a solução final: fecham-se as escolas de maior insucesso. E ainda que depois venha dizer que são, simultaneamente, escolas com poucos alunos, o que se disse está dito, e com uma insidiosa insinuação: escolas com poucos alunos igual a maior insucesso é também um eufemismo, uma forma diferente de dizer que as turmas maiores têm maior sucesso, que, afinal, os professores desempregados podem continuar desempregados, o sistema vive bem sem eles, melhor ainda, o sistema vive melhor sem eles.
Nem de encomenda!
Hoje será o final de um tabu que nunca o foi, a não ser que, num golpe de teatro, Cavaco anunciasse a renúncia à candidatura. Como não é isso que se espera, o seu nome alinhar-se-á ao lado dos de Mário Soares, Manuel Alegre, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã. Uma eventual candidatura de Portas, não passa, por enquanto, de ficção. E fica completo o elenco dos artistas principais, as primeiras figuras de um "cast" no qual, Soares faz figura decorativa, o "bibelot" do saudosismo requentado de uns quantos dinossauros nostálgicos, legitimados pelo estatuto de "barões" tesos, impondo ao partido e a Sócrates, um arquétipo aramado. Gostaria (eu e muitos portugueses) de não ter de assistir a este espectáculo reumatismal, ao desmontar penoso de uma figura da democracia que já não tem discernimento para perceber que está ser usado como bandeira (esfarrapada) do crescimento... cavaquista. Soares não foi figura dos anos 80, foi-o dos anos 70, na defesa da democracia. Os anos 80 são de Cavaco (Como PM, Soares foi apenas mais um) e a entrada na UE aconteceria sempre.
Atrapalhar as contas de Manuel Alegre é o máximo que podemos esperar desta espécie de Associação Nacional de Portadores de Gôta.
Diz-se que há 200.000 toxicodependentes em Portugal. Feitas as contas, são 2 por cento da população. Para se ter uma ideia, tomemos um estádio como exemplo, digamos, o do Dragão que teve, no sábado 50.000 espectadores no Porto-Benfica. A acreditar na estatística, estariam nas bancadas qualquer coisa como mil "agarrados". Uma coisa apenas me faz confusão: não tendo eles rótulo na testa, como conseguem juntá-los todos, no mesmo sector?
A fama é um pau de dois bicos. Na Inglaterra, ainda pior, com aquela imprensa, noticiando sobre a espada, arriscando até ao limite, na convicção de que o risco vale a pena, contabilidade incluída. Muita gente já experimentou, na pele, a acérrima marcação dos "paparazzi".
No ano passado, a visibilidade de Mourinho, que tem a seu favor uma maturidade que os 40 anos sempre trazem, fez-lhe comer o pão que o diabo amassou. Mas Cristiano Ronaldo, jovem, inexperiente, assediado por meio-mundo, dificilmente deixará de cometer um disparate. Espero que não seja este de que agora o acusam.
Elena Espinosa, ministra espanhola da agricultura, afirma, alto e bom som, que a gripe das aves é... ficção científica. Um "bravo" para uma posição politicamente incorrecta. Uma gripe que, no ano passado, causa 60 mortos na grande Ásia, é atirada, no ocidente, para o cume da importância política e mediática, empurrada pelos mais obscuros interesses. A histeria detectável nos orgãos de comunicação social, tendente à venda do produto "notícia", despreza a vaga de pânico que possa originar; mas que sejam sopradas previsões sobre o número de mortes, e logo na ordem dos muitos milhares, soa a recado de quem tem interesses na área dos laboratórios farmacêuticos. A corrida a uma vacina que não existe e a um medicamento que curará ou não, são as consequências naturais de tais despautérios.
Para Elena Espinosa (e para mim) a gripe das aves é um problema veterinário. O folclore a que assistimos visa apenas o consumo de remédios de eficácia (mais do que) duvidosa.
Disseram-me, hoje, que a EDP nos passa 14 facturas por ano. Céptico, não me dou ao trabalho de conferir. Se são mesmo catorze, para aquela empresa pública, os meses não têm 30 dias e, por isso mesmo, cabem mais meses no mesmo ano. É necessário que a EDP contabilize apenas 25 dias para cada mês, para chegarmos a este estranho ano de 14 meses.
Se assim fosse, para além dos calendários juliano e gregoriano, teríamos, criação da EDP, o calendário EDPiano, significante quase freudiano, destinado a subtrair, aos nossos subsídios de férias e Natal, uma facturação fantasma.
Se é verdade, mesmo que não possam inventar consumos (sei lá, não digo nada) não me venham dizer que custa menos pagar uma conta em 14 prestações pois, agregada a cada factura, vem a potência contratada, a taxa de exploração e a contribuição audio-visual (tudo vezes catorze).
Se Jorge Coelho vem, sério, convincente, falar às hostes que o apoio do PS é para Mário Soares, não nos dá novidade. Pior é quando afirma que nenhum meio será dado para suporte da candidatura de Manuel Alegre, obrigando-nos a concluir que todos os meios serão postos à disposição de Soares. Se as candidaturas ao cargo de PR são responsabilidade do candidato, ninguém pode impedir um partido de, publicamente, o apoiar. Mas é indecente que, sendo dois candidatos militantes do mesmo partido, este apoie um, quando nenhum deles deveria dispor dos meios logísticos do partido. Ninguém perguntou ao socialista anónimo se estava de acordo. Pior, ninguém perguntou ao português médio se estava de acordo. Os partidos não são apenas financiados pelos militantes, eu e todos os cidadãos os financiamos. É despudor apoiar Mário Soares com meios que, sabemos todos, saem caro a todos os portugueses e não apenas ao partido socialista. O meu veemente protesto.
A cigarra da história tocava guitarra e cantava, por muitos anos foi assim, e nunca tal pareceu desajustado, corriam os tempos da Joan Baez e do Bob Dylan. Mas hoje a música é outra, já ninguém consegue imaginar o bicho na pele de trovador incompreendido, para dizer a verdade, as cigarras de hoje perderam a inocência e, mesmo quando parecem na lua, estão numa de fisgar o fruto do trabalho da desgraçada que, numa dubadoira, trabalha de sol a sol. Numa versão modernaça do conto, a cigarra seria chefe da ANF (Associação Nacional dos Fisgadores), controlaria o acesso da formiga aos recursos, à custa de taxas elevadas, e para ninguém baixar as ditas, estabeleceria um blindado cartel com os restantes fisgadores. O final da história seria, necessariamente, diferente, a formiga passaria um inverno desgraçado, sem comida, enfiada num cobertor roto, a pedir de porta em porta. E quando fizesse soar a aldraba da porta da cigarra, pontapé no traseiro, era aconselhada a ir trabalhar, a vadia.
A moral da história: Se queres ser como a cigarra, não faças como a formiga.
Tinha dito que não "cascaria" hoje em ninguém, vai-se a ver, já calhou a vez ao Joaquim Raposo, culpa dele, perdão, do que ele disse, arranjam sempre umas conversas, põem-se mesmo a jeito e depois...
Tinha prometido era dizer cobras e lagartos do orçamento, não digo, não percebo nada de economia e, de palpites, está a plateia cheia. Suponho, coisa de leigo, que a economia vai de mal a pior, com tantos cortes, travões e entraves ensaiados pelo governo anterior e continuados por este. Mas pronto, ficamos assim, as palavras de Silva Lopes não foram muito tranquilizadoras, porém, quem se lembra de vida larga aqui pelas bandas do Sol-Posto?
Joaquim Raposo, Presidente da Câmara da Amadora, critica Sócrates por nos ter atirado com um pacote cheio de todas as medidas restritivas. No seu entender, foi um erro estratégico. Não é que discorde das medidas, mas acha que nos devia ter repartido o quinino, em pequenas doses; se assim é mais eficaz contra a malária, certamente o será também contra a neura dos portugueses, dose agora, dose amanhã, quando chegarmos ao fim já nem nos lembramos do princípio; não passa pela cabeça de ninguém beber, à uma, todo um frasco de óleo de fígado de bacalhau, fica mal o doente e mal fica o doutor. Um Raposo mais preocupado com o doutor é coisa que não admira, descontando desfaçatez e "lata"; o que admira é Raposo desconhecer que o nosso mal tem menos a ver com malária do que com sífilis, e essa, só com doses maciças de medicamento é que lá vai. Pena é que aos portugueses, neste caso, aconteça como aos fumadores passivos: não contribuiram com o mal mas apanham com o remédio.
Corre-se o relambório de alto a baixo e, não há que ver, é um côro de protestos, a começar por mim. Não é que nós, os "bloggers", temos queda para "cascar" e fazemo-lo, num ciclo sem fim, quais estrunfes rabugentos, de manhã à noite e, muitas vezes, noite fóra? Às vezes dou por mim, em auto-censura, apelando a mim mesmo no sentido de ter mão no teclado, "vamos lá ver se arranjo aqui algo que levante o moral às hostes, vou falar de quê"? E é custoso como o raio arranjar a quem louvar. Mais custoso, ainda, encontrar louvor para o louvado. Vai daí começo por louvar e, daí a pouco, em vez de louvor, sai porrada de louvar a Deus.
Amanhã, tirando o caso do orçamento, não "casco" em ninguém.
"Vale mais baixar o rendimento dos que trabalham do que mandar pessoas para o desemprego", sobre o papel do governo, em relação à administração pública. Cito aqui, por ser o mesmo que eu próprio penso e porque já o pus em letra de forma, algumas vezes, principalmente quando assistimos a certas greves.
"Não tenho medo de nada!" - mas acrescenta, contudo, ter algum receio de se enganar. Pode parecer contraditório, e é, mas esta contradição enforma uma humildade que lhe fica bem. De certezas absolutas está o povoléu cheio, desdes o célebre "nunca tenho dúvidas e raramente me engano!"
Venha de lá esse orçamento, o tal que corta na despesa!
Até pode ser que os acontecimentos venham a dar razão às previsões agora divulgadas sobre o número de possíveis vítimas mortais se (e quando, e se houver evolução do vírus)... Mas, entre "ses" e "quandos", não acham que estão a ir longe demais? É para assustar? É para depois poderem dizer que, se não fosse o dispositivo montado, haveria aqui "mosquitos por cordas"? Se não é essa a ideia, são esses os vossos apelos à calma?
Gera mais tranquilidade a claque dos "superdragões" que tais comunicados. Livra!
Calem a boca! Falem menos e previnam mais.
Segundo o CM online José Peseiro terá pedido a demissão do cargo de treinador do Sporting. Dias da Cunha ficou de analisar o pedido
O subtipo mais agressivo do vírus da gripe das aves já chegou à Grécia. Veja a notícia no CM online.
Faz, hoje, 74 anos que Al Capone, o verdadeiro, apanhou 11 anos de cadeia por fuga aos impostos. Desses onze anos, cumpriu oito. Outros tempos? Ou outra justiça?
Umas quantas milhas a Levante, nada de novo: os nossos "pobres" alcapones nem o juiz visitam. Será falta de estatuto? Mantenham o estilo "low-profile", não vá acontecer-vos como ao "espalha-brasas" do original, que falta de classe a dele, vestia à "gangster", disparava à "gangster", vivia à "gangster", não admira aquele apoteótico final, que ruidoso terá sido, tanto fogo-de-artifício, mal empregada camisa, acabadinha de estrear.
Aqui, as únicas camisas esburacadas são as da polícia.

Teste de História e Geografia de Portugal de aluno do 5.º ano de escolaridade, de uma escola portuguesa, poderia ser qualquer uma que recebe alunos de um bairro degradado.
Não sabe a matéria e declara-o de forma ostensiva e desafiadora. Porquê? Porque sabe que não existem consequências, mesmo com conhecimento da Directora de Turma. A demissão no tratamento de casos simples traz posterior incapacidade para lidar com casos mais complexos. É mera disciplina.
E o mar vai enchendo e os rios vão minguando. Assim acontece com o dinheiro, em Portugal, os ricos estão cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres, a coesão não se fez nem de dentro para fóra nem, sequer, cá dentro. O fosso até se vai cavando, à semelhança do que acontece nos bananais do Ocaso. Como foi possível acontecer? Os milhares de milhões de fundos estruturais só serviram para estruturar os cambões dos espertos, num país espartilhado por cartéis, Ordens, Poder local e poderes marginais.
Os sintrenses deixaram-se anestesiar pelo futebol? Não lhe ocorre dizer nada de mais interessante? O que tem o futebol a ver com esta história? Seara é benfiquista? E se ganhasse um sportinguista? Ou um portista? Não lhe parece um discurso sem eira nem beira? Demagogia, depois da campanha? Isso era antes.
Marques Mendes afirma que a vitória do PSD nas eleições indicia a reconciliação dos portugueses com o PSD.
Então a arraia lusa estava irritada, hein? Com que razões, não me dirá? Não me diga que se tratou de um simples arrufo? Um dia destes, retoma-se o namoro, segundo deduzo. E, nessa altura, que tem o PSD para oferecer aos portugueses? Algo mais? É que, se não existem trunfos para além dos duques do costume, a reconciliação é coisa breve. O PSD não é o Capitão Roby e os portugueses já não vão em cantigas.
Durão Barroso parece não se ter saído muito bem com a recomendação feita aos países ibero-americanos, pedindo mais rigor na aplicação de sanções a Cuba para, logo depois, se confessar céptico em relação às ditas. É como o curandeiro que insiste em receitar o xarope errado ao doente errado. Pior ainda, quando da cimeira sai um documento que se insurge contra as sanções. Não pareceu (mesmo) tratar-se de recado encomendado?
Também o nosso PR não ficou bem na fotografia, a propósito do co-piloto retido nas prisões venezuelanas. A sensação que fica é que as questões bilaterais seriam apenas uma desculpa para pressionar Chavez no caso em apreço. De resto, o presidente venezuelano fez questão de deixar bem claro que não estava para ingerências na justiça e que os adiamentos do caso têm origem em questões processuais.
As nossas "cunhas" nem sempre funcionam.
Não vale a pena passar ao lado só porque se trata de um jogo de futebol. Queiramos ou não um Porto-Benfica mexe com muita gente neste país. Algumas reflexões:
-Nos últimos 10 anos o Benfica teve 9 expulsões, em jogos com o Porto. É demais e mostra que algo comanda o inconsciente dos árbitros;
-Não condenemos Bruno Alves: é um jovem sem maturidade, como muitos de nós fomos, na idade dele. A pressão que se abate sobre os futebolistas, em jogos importantes, é difícil de gerir;
-Um "bravo" para Nuno Gomes, 14 anos depois de César Brito;
-Parabéns às claques. Por uma vez, um comportamento exemplar;
-Solidariedade para as lágrimas de Lisandro Lopez. A fibra de um jogador argentino;
-Magnífico Quim, tantas vezes injustiçado pelos benfiquistas;
-Vitor Baía, um senhor na hora de perder (no dia do aniversário).
O segundo episódio confirma um trabalho sério e profissional. Os cuidados cénicos e o guarda-roupa são simplesmente de aplaudir. Recomenda-se, ainda que enferme de velhas pechas da narrativa audiovisual portuguesa.
Mantêm-se algumas imprecisões linguísticas (desde a expressão galaico-portuguesa ao moderno-informal) e uma outra insegurança na interpretação que se prende com os motivos que estarão também, muito provavelmente, na origem do estilo errático da linguagem e que poderão residir num incompleto conhecimento da vida quotidiana da sociedade portuguesa do séc. XIV. A narrativa parece, por vezes, carecer de ritmo; outras, atalhar processos.
Vamos continuar a ver. Vem aí o 3.º episódio. É na sexta-feira, dia 22.
Seria um longo e doloroso exercício de hermenêutica a tentativa de clarificar os actos da Associação Nacional de Farmácias, com um discurso que lhes confira uma transparência que, definitivamente, não possuem. Para justificar a normalidade(?) de serem as práticas financeiras(?) as actividades que constituem a maior fonte de receita da instituição, nem o mais habilidoso mestre de retórica levaria menos de dez horas de discurso ôco. Se houver quem consiga pôr um pouco de claridade nisto tudo, ou é polícia ou é retórico. Se for retórico, demos a mão à palmatória e exijamos da epistemologia um esforço suplementar: Elevar o absurdo à categoria de ciência.
Está certo. Mas fica combinado que a rapaziada não pode fugir. Fica assente que uma determinação limitativa da acção da polícia tenha sempre uma contrapartida do lado das pessoas incomodadas. Assim, determina-se e publica-se que aos indivíduos perseguidos se interdita:
1 - O uso de armas (estudos recentes concluíram tratar-se de objectos muito perigosos);
2 - A corrida desvairada (inquérito realizado no estabelecimento prisional de Alcoentre concluíu tratar-se de um exercício incómodo e cansativo);
3 - linguagem ofensiva (esta limitação reporta-se apenas a indivíduos com formação superior);
4 - A utilização de carros alheios (com matrícula anterior a 2004);
5 - Agressões a polícias (com peso inferior a 45 quilos).
Fica também determinado que, no acto da detenção, o agente assine um requerimento, carimbado de urgente, pedindo ao comando, autorização para deter o indivíduo; este, por seu lado, redige um documento, em papel timbrado pelo comando, no qual autoriza o agente a detê-lo.
PS: Todas as acções de ambas as partes têm de ser seladas por um aperto de mão, seguido de continência.
Já havia o cartel de Tijuana e o cartel de Medellin. Agora temos o cartel dos farmacêuticos e dos laboratórios. A diferença não é mensurável, reside na qualidade dos produtos. Drogas, vendem todos. Cartéis, todos são. Se de cartéis não passam, a cartéis chegaram. Os objectivos são os de todos os cartéis: condicionar o mercado e fixar preços. Cometem todos a mesma ilegalidade e não é justo "demonizar" os dois primeiros; os restantes também nos mandam para o Inferno.
Se a Autoridade da Concorrência condenou a Abbott Laboratórios, a Bayer, a Menarini Diagnósticos, a Roche Farmacêutica Química e a Johnson & Johnson por se terem concertado com o objectivo de (cito o site da RTP) "impedir, restringir ou falsear, de forma sensível, a concorrência através da fixação de preços", ficamos todos à espera dos próximos capítulos. Ou ficamos por aqui?
As manigâncias comprovadas em dezenas de concursos públicos de não sei quantos hospitais portugueses não podem ficar pelas multas. A habilidade prejudicou o Estado e os portugueses em milhões de euros, um valor difícil de superar pelas coimas. O crime compensa?
Rir por rir, façamo-lo abertamente, com gargalhadas sonoras, soltas, francas. Não casquinhemos o riso, isso é coisa feia. E como vamos conseguir rir de forma terapêutica e desengasgada, "rire aux éclats", como dizem os franceses? Fácil: na TV, veja apenas cinema e teatro, de preferência comédias; depois compre toda a colecção da comédia portuguesa dos anos 30 e 40, mais a cinematografia dos irmãos Marx. Veja e reveja, verá que vai encontrar, de todas as vezes, um bom motivo para, pelo menos, sorrir.
É necessário interditar o desejo de ver telejornais, debates, mesas-redondas. Esqueça o "Prós e Contras", o "Toda a Verdade", o "Diga lá Excelência" e similares. Mas também não caia nos "Malucos do Riso" e "Batanetes", têm contra-indicações graves e podem, numa só sessão, destruir o trabalho de três meses.
Não me vai dizer que quer andar informado, pois não? Desde quando, em Portugal, as informações lhe chegam inteiras? Quando é que deixaram de ser filtradas (por partidos, direcções de informação, grupos de pressão, governos, terceiros interessados)?
Vai refugiar-se no anonimato do seu blog e ler os dos amigos? Alimenta a doce fantasia de que permanece incógnito por detrás dos "posts" que publica? Então ainda é mais ingénuo do que eu pensava.
Mude de vida, olhe que ainda vai apanhar uma neurose obssessiva, compulsiva e fóbica, ou pior: imagine a sua vida, engasgalhado numa esquizofrenia paranóica! Ou numa psicose de dupla (ou mesmo tripla) personalidade.
Ria, exercite o grande zigomático até que lhe doam os cantos da boca.
Harold Pinter, dramaturgo britânico, de 75 anos, é o laureado deste ano.
O realizador Jorge Silva Melo, seu amigo pessoal, esteve, há minutos, na Antena 1, a falar sobre a sua escrita. Existem em Portugal alguns textos seus, ligados ao teatro.
Ver alguns dados sobre Harold Pinter, aqui.
De cada vez que o DN, de porrete no ar, casca nas cruzes do governo, fico um pouco sem jeito, porque o DN apanhou-lhe o jeito e, ter daqui, ter dali, vem de malho. É tanto o jeito, que deixa o leitor num dilema: não sabe se acreditar muito, pouco ou nada. Por isso é que têm vindo escada abaixo, de leitores falo. Não tem importância, o jornal medra por ser saco de recados.
Os partidos já têm os seus próprios meios de comunicação. Se querem transformar o DN no Povo Livre - 2ª via, mudem-lhe o nome.
O que faz a palavra polícia no título deste post? Já não me lembro, sei lá, alguma coisa era.
A apregoada derrota da esquerda é como os aguaceiros: não foi geral, aqui não se notou nada. Por estas bandas, os aguaceiros são raros.
De resto, não tem muito que saber, o partido do governo leva sempre que contar, no acto eleitoral seguinte, a repetição do filme ainda consegue surpreender uns quantos, nanja eu, que esperava isto.
Mas, será que já nada me surpreende? Claro que há: os festejos, os braços no ar, as buzinas. Festejar o quê? Sim, festejar o quê? Só se for a conquista do Poder. Ou há mais motivos? A conquista do Poder gera, em si mesmo, alegria e festa, o que nos faz pensar um pouco.
Só faria sentido se cada um dos "festeiros" dedicasse tal alegria à sorte do povo que os elegeu, "parabéns aos eleitores, fizeram muito bem em confiar em nós, vocês vão ver, daqui por quatro anos nem sabem de que terra são, tão bonita e airosa a vamos pôr, hão-de perder-se no meio das rotundas, vamos fazer da cidade um nicho de desenvolvimento ímpar, já estamos a arregaçar as mangas".
Contudo, sabemos que os vencedores não estão contentes por nós, hélas, estão contentes por eles. Quatro anos ninguém lhes tira, depois logo se vê, enquanto o pau vai e vem folgam as costas, alguma coisa se há-de arranjar mais tarde, umas quantas inaugurações, umas desculpas com a oposição, com sorte ganha-se outra vez.
Todos sabemos que a isto se resume, se confina o ciclo, depois tudo recomeça, parece o ciclo da água, com muito mais água, bastantes tempestades, tímidas bonanças e mais uns quantos autarcas independentes, grandes demais para os partidos que os projectaram, com tamanho certo no juizo do povo.
O voluntarismo de Cristóvão Colombo.
É mesmo disso que se trata, de voluntarismo e arte de navegar. Quanto ao resto, estamos conversados.
CC queria chegar à Índia, navegando para Oeste, a América foi um tronco atravessado no caminho, inesperadamente.
Ele ali estava boiando, grosso, pejado de... índios, que mais havia de ser, se o homem se julgava no Oriente. Um aventureiro, este CC.
De resto, foi ele que inaugurou a moda das Bahamas como destino turístico. A América foi inaugurada por um estoura-vergas dos mares. Regressado, deve ter apresentado bananas e côcos como especiaria tendo, como pano de fundo, o estardalhaço das gargalhadas de João II.
Só foi pena não ter o rei português sido capaz de antecipar que, um dia, uns barcos ingleses descarregassem ali uns centos de marginais seleccionados, dispostos a elevar o alegre marinheiro à condição de herói.
Mas não é isso que o transforma em herói, mau grado a reconhecida capacidade do marketing americano, eles que até são capazes de vender areia no deserto, como comprovam os indiscutíveis sucessos da Coca-Cola, MacDonald, dinossauros e ETs.
É que o elevaram a um tal estatuto que até serve de referência nas barras cronológicas dos compêndios, sendo que, uma coisa é a era pré-colombiana e outra, bem diferente, a colombiana propriamente dita, vejam a importância do estapafúrdio achado, uma descoberta que só tem paralelo, na história do planeta, com a ocorrência do dilúvio, ele também, promovido a marca de igual tomo.
Há, contudo, um outro paralelo entre o dilúvio e Colombo: é tão incerta a ocorrência do primeiro como equívoca a gesta do segundo.
O Ministro das Finanças reviu o crescimento da economia em baixa. Não há muito tempo, Constâncio fez o mesmo. Antes, já outros nos haviam brindado com igual discurso. Parece o "Conto da Calcinha Vermelha"! Como a maleita está para ficar, já não é de uma revisão em baixa que falamos: é uma revisão de baixa prolongada. Mas a Junta Médica, incapaz de acertar com o "patatum", vai-nos entretendo como o médico que, conta-se, só extirpou a carraça do paciente depois de lhe ter extirpado, primeiro, as notas, numas quantas visitas domiciliárias.
Vamos minguando na economia e crescendo na impaciência que os homens não sabem muito bem como excomungar a gafanha, estamos a esticar de tísica, já nos espremeram em nome da receita e preparam-se para um "skip" nas despesas, uma espécie de "passa à frente, do que estávamos nós a falar? Ah, já sei, melhores dias virão, a modernidade, meu amigo, é uma realidade linda como o sol", digam que sim com a cabeça mas fujam com os costados à palmada cúmplice, fracos como estamos, ainda vomitamos sangue.
Como diria o António Saias, e já o cito mais que uma vez porque gostei da palavra, "este país é irremediavelmente retrógado e esplenético", tem toda a razão e o diabo do país, se sofre do baço, tem de ir à faca, pode ser que, então, seja possível dizer dele como se dizia dantes do Eusébio: não tem baço.
O SEP (Sindicato dos Enfermeiros) luta por "um regime específico de aposentação ajustado à natureza do exercício da profissão". Presumo que os enfermeiros tenham em grande conta a natureza do seu trabalho. Em nome dessa particularidade específica, exigem ser aposentados antes dos 65 anos. Julgam não ter condições para trabalhar de forma competente, se a sua pretensão não for atendida.
Eu não digo que os enfermeiros não têm razão. Eles e os professores. E até os militares e as forças de segurança, em determinadas circunstâncias.
O que digo é: atendendo aos condicionalismos conhecidos, fazer greve é como pedir ao mendigo; ou disputar empedernida côdea ao indigente. Lutar por um direito que não se ganhou (ou que se perdeu) é também, de alguma forma esquecer aqueles que estão em casa, já sem nenhum direito.
Em 1973, durante uma grave crise financeira, os chilenos corriam alegremente, aos milhares, atrás de manifestações e greves. O resultado foi o que sabemos.
Os que julgam isso impossível, nos dias de hoje, esperem mais uns anitos. A crise vai alargar-se a toda a Europa (o paradigma económico que conhecemos não gera emprego, as multinacionais abandonarão o Velho Continente, as tecnologias não responderam às expectativas - vide o "espalhanço" da estratégia de Lisboa - e porque estas coisas não acontecem por decreto), a musculação dos regimes é uma consequência natural e, nos de maior precaridade, soluções mais rijas virão. Os menos fracos, entretidos com os próprios problemas, vão assobiar "pró" lado, aliviando a consciência com desculpas e adiamentos. E quando descobrirem que a "purga" do vizinho é, até, redentora, vão deixar que esfrie.
Pode ser que a "macacoa" da gripe, a confirmarem-se as piores expectativas, leve 150 milhões (de preferência desempregados) para reavivar o lazarento paradigma. E depois de grave transe, o mundo vai recuperar o vigor, fazer o seu "rebuild" e mirar a própria abundância (até à próxima).
Mais de metade das crispações da campanha eleitoral, sobretudo as que tiveram a ver com candidatos-arguidos, poderiam ter sido evitadas.
Bastava que a justiça tivesse funcionado em tempo útil. Absolvidos ou condenados? Era tudo o que todos queríamos saber. E tínhamos direito a saber.
Teríamos, se ainda houvesse por aí quem se preocupasse com algo mais que regalias e direitos adquiridos.
E se pudéssemos contar com advogados menos habilidosos na arte de arrastar processos e mais sabedores daquilo que, na lei, verdadeiramente, conta: ser justa, ser equilibrada, ser igual para todos.
Carrilho fez uma campanha pouco hábil mas também azarada. Alguns dos apoios que recebeu foram de uma "jeiteira" completamente desastrada. O de Serzedelo foi um deles. Dizer, cito, "Quero fazer um apelo ao voto dos gays em Manuel Maria Carrilho, que é um candidato que nos apoia, não só em palavras mas em actos", trata-se de uma daquelas "saídas" predestinadas. Se não vai ser glosada em todos os sons da escala cromática, então, os criativos da nossa praça já deixaram de olhar o nosso pequeno e prosaico mundo, entretidos, como andam, nas suas deambulações "stand up".
Ver FRASES, no Expresso
Dizer de Carrilho que, cito, "têm inveja dele porque, de facto, ele é casado com uma das mulheres mais bonitas de Portugal", constitui um tiro no próprio pé e outro bem no meio do peito de Carrilho. Bem poderíamos remeter esta frase para o universo insólito da psicopatologia da vida quotidiana, cientificamente (des)construído por Freud. Então, a Bárbara Guimarães é uma das mulheres mais bonitas de Portugal? Então, têm inveja de Carrilho? Quem tem inveja de Carrilho? Quem, por esse (preciso) facto, terá inveja de Carrilho? Então, não é possível desencantar no homem outros méritos merecedores de (alguma) inveja? Constituirá um mérito, ter casado com quem casou? E se dissesse "têm inveja de Carrilho porque o João Pinto tem a Marisa" mudava alguma coisa? Mudava, apenas num insignificante e comezinho pormenor. Não digo qual.
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No tempo em que um polícia, apenas acompanhado pelo avantajado bigode, era capaz de pôr um batalhão em sentido, a autoridade deixava-lhe margem para alguma pedagogia, "o menino guarde a bola, é perigoso jogar aqui!" e lá ia ele, rabinho entre as pernas, jogar para outra freguesia, "a menina não tem vergonha de, num jardim aberto ao público, se deixar apalpar por esse cavalheiro? Anda o seu pai a pagar propinas e pensão para lhe dar um futuro e, vai-se a ver, anda aqui na pouca-vergonha! Fóra, antes que os prenda!" e, enrubescidos, encabulados, lá iam eles, o respeitinho era muito bonito, melhor era obedecer, não tivessem os pais de ir resgatá-los à esquadra, então sim, havia de ser bonito.
Estamos a falar de situações, hoje por hoje, inverosímeis. Nenhum agente se atreveria a intervir em nenhum dos casos citados, ou era apedrejado pelo "menino", ou insultado pelo casal. A polícia dos nossos dias só actua em grupo e só faz rondas em carro-patrulha. Regra geral, nas grandes cidades, as acções repressivas têm como alvo, pessoas de bem, "guarda Costa, vá à Praça de Camões e multe todos os carros estacionados!", "este grupo está encarregado de desocupar a fábrica de molas, levar canhão-d´água e balas de borracha, aquele vai ter de desmobilizar a manifestação na Praça da República, fato especial, escudo, viseira e bastão devem chegar". Por falta de autoridade, já não há margem para nenhuma pedagogia, nem para um conselho isolado, a ideia é, muito pelo contrário, conversar o menos possível com o "transgressor" ou o pacato cidadão, há sempre o risco de apanhar com um chorrilho de disparates, quando não uns valentes sopapos, então sim, caldo entornado, pedem-se reforços, é até capaz de haver excesso de zêlo, sobra para o polícia.
É assim, hoje, nem o cidadão sabe falar com o agente, nem o agente sabe lidar com o cidadão, olham-se com desconfiança e um pouco de lado. Da mesma maneira, a autoridade dos professores é uma história acabada, a dos Pais, idem. A confusão de valores que as revoluções sempre trazem, no nosso caso, tem demorado a desaparecer, o parto tem sido difícil, mais difícil do que aconteceu com outras revoluções, mais violentas, mas talvez por isso mesmo, mais resolvidas, estou a lembrar-me da revolução cultural na China, aquilo é que foi "cultura". Aqui, julgo eu, trata-se de vontade política e coragem, coragem de arrostar com os custos implícitos, políticos e sociais, que a coisa não iria ser fácil, era capaz de bloquear o funcionamento das instituições, o próprio País poderia entrar em colapso, esta gente não é posta na ordem há muitos anos. Mas, a ser, era agora, pior do que estamos não iríamos ficar.